segunda-feira, 18 de outubro de 2010





MONLEVADE MINÉRIO

Em cima do ferro nasceste,
João Monlevade
Criou-te e expandiu-te.
Hoje tu és maravilha
Social e econômica.
Teus filhos são fortes,
Corajosos e valentes,
Todos com coração de aço,
Duro por fora
Moles de amor.

Monlevade, berço de minhas montanhas!
Quantas saudades...
Minas – ferrífera,
Na memória retratando
No Vale do aço – meu pranto.
Minhas lembranças estão voltando
Àquele monte em que sentada
Observava lá do alto minha terra
Linda, tortuosa... amorrada!

Na mente recordo
Do rio, dos troncos,das matas,
Cena alegre de brincadeiras
Enredo de amor saudoso.

Vera da Mata
Br, 02/12/1999



MIRAGEM

É ilusão ou alucinação?
São imagens refletidas ...
Com luz natural,
Ou com lamparina
Registradas pelos olhos.
Na estrada, dia quente
Ensolarado
Refletem no chão,
No asfalto, no deserto.

Miragem é espelhismo
Transparente,
Diferente,
Luz refratada.
Feixe de luz!
Engano dos sentidos,
Ilusão do olhar,
Luz invertida,
Fenômeno do engano,
Maior delas: arco-íris. .

Vera da Mata
VC, 17/10/2009

EXISTÊNCIA

Eu existo?
Nunca existi...
Fui miragem,
Fui oásis,
Fui água cristalina,
Fui espelho de tua alma.

E agora?
Existo....
No deserto de meu coração,
Nas agruras de nosso caminho,
Na sombra de nossos olhos,
Foram sonhos?

Foram brisa fresca,
De noite escura,
De frio e calor.
De sereno luar,
Delongas tempestades,
De dias quentes,
De dores da alma,
De dunas de areia movediça!

Fomos viagem sem volta,
Fomos miragem!


Vera da Mata,
VC, 18/10/2010

CILADA

Há várias formas de matar uma criança,
Não só com o tiro da fome,
Ou espada da palavra
Envenenada.
Mas com o olhar frio,
Com a indiferença,
Com a falta de saúde
E educação,
Com a falta de moradia
E pais amorosos.

Crianças!
Morrem na sintaxe
Da emboscada,
No desleixo do amor,
Com os presentes “drogados”.
Na solidão da morte,
No abandono de família,
No descuido da vida.


Brumado, 2006
Vera da Mata

PERDI A PACIÊNCIA

Em discutir a relação,
Com gente tola;
Com a falta de postura
Da sociedade
E da política.

Perdi a paciência:
Com a arrogância,
a ganância,
A distância humana
E a impaciência;
Com falta de amor
Dos outros, a dor;

Perdi a paciência:
Com a intolerância,
A insolência
E a indolência.

Perdi a paciência:
Com os tolos!

Vera da Mata
12/10/2005

FULANO SEM NOME


Brinca na rua,
Na calçada,
No abandono da vida.
Quer esquecer
A família,
A vida,
A saúde,
A escola
Que não tem.

Mundo injusto!
Poucos com tanto,
Muitos com pouco.


A boca de “Fulano Sem Nome”
A sociedade fecha,
Com tiro,
Com fome,
Com prisão,
Na violência
E na solidão.

“Fulano Sem Nome!
Brinca de bandido,
De correr na miséria,
Pés descalços,
Olhos famintos,
Coração vazio,
Esperança nenhuma.

Desespero,
Dor,
Grito,
Morte!

Vc, 16/10/2010

Vera da Mata


O QUE É TRISTEZA?


É dor
É nostalgia
É ardor
Da saudade?

É dia de solidão,
De lembranças,
Das pessoas,
E das “lambaças” da vida?

É saudade dos amores,
Das pessoas,
Dos lugares,
Das idades?

Ninguém sabe...
É vaidade das vaidades,
É falta de amor,
É ausência!

Vera da Mata
Brumado, 11/12/2006

sábado, 16 de outubro de 2010

PÁGINAS DE CHORO



QUADRO DE TARSILA DO AMARAL


Não choro por nada
Choro por tudo.
Choro pelo vento,
Pelas flores
pelo mar,
pelas criaturas,
pelos animais.
Pela noite escura
Que são páginas em prosa.
Dores...
Trêmulas e confusas
Correm ao infinito...
Mas logo retornam
entre risos e soluços.
Vida majestosa
Que exprimem sonhos e palavras,
Cores ideais,
Emoção de momento,
Mágoas de saudade!


Vera da Mata
VC, 15/10/2010





LÍNGUA PORTUGUESA


Lá no Lácio nasceu
Românica se tornou.
É bela e linda!
Que do latim surgiu.
Portugal é sua mãe,
Que pelo mundo se espalhou
Brasil, Goá, Macau,
Moçambique e Angola,
Timor-leste, Guiné
São Tomé também.
O português tem: Camões,
Carlos Drummond de Andrade,
Olavo Bilac , Vieira,
Castro Alves,Fernando Pessoa.

Gosto de suas palavras,
São sereias intocáveis
De corpos brilhantes.
Seu ritmo verbal
Fascinante é...
Seus sons,
Melodiosos são.
Suas sombras de letras
São fantásticas.
Sua sintática
É complicada.
Gosto da delícia desta língua
Da paixão e entrega,
No devaneio externo.

As palavras fazem a festa,
A dança numa fluidez
Fantástica.
Assim a nossa língua
São cortejos sonoros
De sedas ao vento!


Vera da Mata
VC, 15/10/2010

VERBOS E AÇÃO


Processo e estado,
Ação e sujeito.
Nascer,
Amar e crescer...
Falar e sentir.
Agir e fazer.
Argumentar
A ação verbal,
Todos os seus estados físicos,
E morais de tempo
e de espaço.
Fazedor da ação,
Preenchedor de sentidos.
Sua existência
Importante é...
Quando saímos,
Batemos, bebemos,
Gritamos, respondemos,
Raciocinamos,
Pensamos, repetimos,
Exploramos,
Ajuizamos,
Queremos
Viver,
Ser feliz
E amar.

Vera da Mata
VC, 15/10/2010

ESPERANDO!


Que o mundo seja melhor!
Que respeitemos o próximo!
A natureza e os animais.
Que possamos ajudá-los.
Que não sejam abandonados,
Nem desprezados.

Não tratemos o irmão com deboche
E nem critica depreciativa.
Que não olhemos o outro com olhar frio
Para a dor não aumentar.
Que possamos ser acessível,
E grandeza de espírito mostrar.

Problemas...
São muitos.
Calma e paciência são os remédios.
Eles vêm e vão por si.
Não ceda diante da vontade deles.
Ele é como um rio.
Nadando com determinação,
À margem chegaremos.
Se ele insistir
não se assuste.
Sua existência é coisa normal.


Vera da Mata
VC,15/10/2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DE COPIAPÓ PARA A LUZ

Falar de Copiapó
Ninguém nunca ouviu
Localizada perto do deserto
Na Atacama ela surgiu.

Grande riqueza mineral
na sua terra é constante,
Mas a tragédia
Em agosto apareceu.

Trinta e três homens
Presos no seio da terra,
Sem luz e sem esperança
Esperavam a salvação.

Setenta dias confinados
Num espaço pequeno,
Úmido e escuro
Quente a abafado também.

Mundo todo olhou
Para o acidente de lá,
Angústia, pesadelos
Temores e preocupações de cá.

Setecentos metros distantes
Do chão do deserto de Atacama,
Cá em cima calor e frio,
Lá embaixo, dúvidas e calor.

A data treze de outubro
Na mente do mundo ficará,
Dia de muita alegria
E solidariedade aqui e acolá.

Mineiros, o mundo lhe é solidário,
Na dor e nos sonhos,
Em todos os seus momentos solitários,
E na luta pela sobrevivência e desejos!

Festejos, encontrarão
Abraços, serão muitos,
Mas dias muito duros virão
Na montanha russa das emoções. .

Dentro de sua tragédia, mineiros,
Não adianta orgulho ou vaidade
Descobri o quão frágeis somos,
Acidentes podem vir de repente!

Estavam esperando a morte,
Num lugar de desilusão,
Com um pouco de atum e de leite
Souberam esperar pela luz!


VERA DA MATA
14/10/2010

TEXTO ESCRITO POR ÁLVARO FALCÃO DE ALMEIDA EM HOMENAGEM A MEU PAI...ARMINDO.

Professores "intolerantes"!
Que inspirou um tributo ao Professor Armindo


Um vídeo, que está sendo veiculado na internet, inspirou comentários sobre a falta de respeito aos professores que grassa "como nunca na história deste pais!".
Esta é a primeira parte.
Lembrança vai, lembrança vem, voltei ao velho Ginásio Monlevade, o de madeira, ao qual a figura do Prof. Armindo é indissociável. Este é o segundo segmento.
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Aqui no Brasil os alunos, principalmente da periferia, tomaram o controle das salas de aula a ponto de não poderem sequer serem chamados à atenção pelos professores.
Porque se os mestres o fazem, em represália, são desrespeitados e até agredidos; sofrem, inclusive, ameaças de morte.
Muitos professores, após sofrerem agressóes de pais e alunos, tem abandonado seus empregos na rede pública por não mais suportarem a ditadura dos alunos e dos seus pais. Porque, muitas vezes, quem "orienta" hoje os adolescentes suburbanos é o chefe do tráfico local .
O Estado finge não ver. E ainda vem o malfadado governante impingir a tal "Lei da Palmada" aos pais sérios e educadores em geral...

Quando não há controle, educação e orientação em casa, não há como haver respeito ao mestre, na escola. E para quem pensa que isto só ocorre nos segmentos do ensino fundamental e médio, engana-se: uma professora, coordenadora de ensino de uma faculdade federal foi ameaçada de morte pelo pai de uma aluna , apenas porque tinha sido negado à sua filhinha o atendimento à uma reinvindicação dela que feria as normas da instituição. A aluna era uma transgressora contumaz, diga-se de passagem.
Pasme, de forma truculenta, o papai empresário bem sucedido, foi exigir satisfações à Coordenadora em favor da pobre indefesa filhinha, de vinte e tantos anos.

Tenho uma amiga, também professora do 3º grau, aposentada , que se refere aos alunos de cursos superiores, principalmente das faculdades particulares, como "aluno cliente". Ela fala com conhecimento de causa, pois após se aposentar, dedicou-se ao ensino na rede particular. Infere-se que, como cliente, consumidor dessas instituições, o aluno é vaca sagrada, intocável.
É o centro das atenções, faz e acontece no recinto escolar, exige ser aprovado. E ai do professor que reprovar aluno... Se o professor é exigente, usa rigor e critério para avaliar os alunos, passa a ser considerado persona non grata, mau professor. E tome abaixo assinado para a Diretoria! É a filosofia do "eu pago o seu salário, por isso quero ser aprovado". É o comércio institucionalizado do diploma.

Outro colega, que ao se aposentar como professor de uma "federal", foi convidado para ser Diretor de uma "particular", não durou seis meses na gerência da faculdade: não suportou a ditadura e os desmandos dos alunos, que pagavam ( os papais, lógico!) , na época, mil e quinhentas patacas de mensalidade e que, por isso, se sentiam patrões do diretor. O empresário dono da faculdade aceitou de bom grado, logicamente, a demissão, pois tinha que preservar a sua galinha dos ovos de ouro, segurar a clientela.

Mais uma, em tópicos, para fechar: amiga pedagoga, professora do ensino fundamental em escola particular, repreendeu uma aluna que cometeu uma grosseria em sala de aula.
A aluninha desmanchou-se em prantos. Em casa queixou-se à mãe. A mammy dirigiu-se à diretora do estabelecimento e soltou o verbo. A ilustre diretora chamou a professora para uma conversa e a colocou na parede: proibiu-lhe advertir os alunos, porque qualquer aluno era importantíssimo para o "caixa" da Escola, "nós dependemos do dinheiro dos pais deles". A professora, em choque, pediu demissão. Relatou-me o episódio com indisfarçável desalento.
Muita 'Escola' já não forma mais Homens, forma Fortuna para os empresários do que antigamente se chamava Educação.
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Bem, nos meus tempos de grupo escolar e do antigo, "Ginásio Monlevade", de madeira, havia uma professora, chamada Dona Vera (ou "Verona", como era chamada à boca pequena), uma alemãozona braba prá caramba, o terror da meninada. Certa vez, ela arremessou um apagador de quadro na testa do Jaime, colega de admissão do Ginásio Monlevade, talqualmente neste filminho. Para acabar com a pintação, em sala de aula... Ela também esgrimia a régua com maestria.
No primário, tomar "reguada" na batata da pernas era mole pros alunos. desconfio que na antiga "Escola Normal", que formava professoras, devia ter uma matéria optativa de "Castigologia"; optativa porque nem todas as professorinhas eram adeptas das beliscadas e reguadas.
Já levei, de algumas mestras, reguada, beliscão, puxão de orelha e safanão, por justa causa, admito. Jamais relatei em casa os castigos sofridos na, senão a punição vinha em dobro. O bom cabrito não berra, não tinha essa de pais "tomarem satisfações" na escola por causa de punições sofridas pelos pimpolhos que, sabiam eles, terem sido justíssimas. Ademais, pé de galinha nunca matou pinto.

No Ginásio, já maiorzinhos, não havia castigo físico, os pintos haviam se tornado frangotes.
Fui agraciado, por mérito, com "notas vermelhas" de "Comportamento", nas cadernetas onde eram lançadas as notas. Lembra-se? de dez a oito, tinta azul, de sete prá baixo, vermelha vibrante. Está no meu currículo: não com certo orgulho, recebí alguns "setes" e também um glorioso e solitário "cinco", no decorrer do meu ciclo ginasiano. Só unzinho...
Já crescido, tentaram me defenestrar de sala de aula , e suspender, uma única vez. Estava no Científico e o autor da injustiça foi um professor de Português - este sim, intolerante - que não aceitou minhas ponderações contrárias às que ele discorria , sobre aspectos de literatura portuguesa . Eu já era um ledor dedicado, sabia que minha argumentação era calçada por sólidos fundamentos. Irritado com a minha "desfaçatez", proferiu o famigerado "prá fora!", ao qual não obedeci. Ele se retirou.
Fui suspenso, pelo Padrigino, por "desrespeito", episódio que muito contribuiu para a minha formação. Anos depois, sempre me lembrava do fato, quando em combate de idéias e palavras com meus alunos,no ambiente acadêmico. Mesmo tendo sido injusto, meu ex-professor de português me ensinou tolerância e respeito às idéias dos outros, sem nenhuma intenção. Pela sua 'formação' em Literatura Portuguesa, por certo desconhecia um cidadão que atendia pelo nome de Voltaire, ao qual sempre se atribuiu uma frase antológica, parecida com "Não concordo com uma só palavra do que dizes mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo". Voltaire, como bem o sabeis, não era cidadão lusitano, daí os antolhos literários do mestre.
Voltando ao velho ginásio de madeira da Rua Carijós ( saudades da lojinha da D. Farid, mãe da Zanza, onde a gente comprava chiclete de bola 'Ping Pong"- com as figurinhas do Bolão) o severo professor Armindo era imbatível na espinafrada, quando a gente pisava na bola. E como a gente pisava! Soltar bombinha do recreio, queimar peido alemão, espalhar pó-demico no pátio, fazer graça na hora da fila - tinha que haver silêncio - e arremedar professores eram os pecaditos comuns. Nada que se compare à leveza das infrações de hoje...
Fessor Armindo era uma espécie de doublé: professor de matemática e professor disciplinário.
Creio até que o Padrigino jamais determinou que ele assumisse esta segunda função; deve ter partido dele, tal era o amor e a dedicação que nutria pelos seus alunos e pelo seu Ginásio. O Ginásio Monlevade era parte dele, sentíamos isso.
Era tão bom professor de Matemática quanto era bom disciplinador. Sem ser versado em psicologia ou endocrinologia, entendia muito bem dos efeitos devastadores dos hormônios no comportamento dos moleques de doze aos dezoito anos. Passava cada reprimenda que perdiamos até o rumo de casa! O discurso dele era uma autêntica metralhadora verbal, disparava mil e quinhentas palavras POR MINUTO, eficientíssima em anular a energia de qualquer garnizé bagunceiro.
E "botar prá fora da fila" era outra de suas punições habituais. Se, na fila para entrar nas salas bancávamos os engraçadinhos, era castigo certo: depois que todos subiam para as salas, o alijado da fila levava uma descompostura homérica. Às vezes, de lambuja, ficava de castigo uma meia hora retido no no ginásio, no final das aulas, para uma “reflexão”.
Outra especialidade do "fessor" Armindo era castigar o infrator com as famigeradas "cópias". O manjado refrão "Não devo fazer bagunça em sala de aula" era a mais comum das frases. Dependendo da gravidade do delito, tinhamos que copiar a frase cem, duzentas, quinhentas e até mil vezes. Reincidência fazia o número de cópias aumentar em progressão geométrica, acho que para fazer justiça à Matemática, da qual ele era o expoente máximo na comunidade.
Essa história das cópias tem facetas hilárias: a gente, quando não tinha nada prá fazer, fazia estoque das tais cópias, só prá tê-las prontas, quando fôssemos punidos. Às vezes, entre colegas, pedia-se "emprestado", para ficar livre mais rapidamente do castigo, sob promessa de pagamento posterior, com juros, do tipo "me empresta cem que depois eu te devolvo cento e cinquenta", uma espécie de comércio ou câmbio paralelo de cópias.
Mas "seu" Armindo era macaco velho, conhecedor das cumbucas éstudantís; de vez em quando, conferia a caligrafia do réu em todas as folhas preenchidas e as impugnava quando notava letra estranha. Outra das suas artimanhas, quando desconfiava de armação: ele mudava a frase e a gente se ferrava.
Com ou sem puxões de orelhas, safanões, cópias e descomposturas, todos sobrevivemos e, como diziam os antigos, "demos prá alguma coisa na vida", sem traumas ou rancores dos nossos professores. Que, se nos puniam com estes doces e brandos castigos, era com o intuito de complementar a formação que nos era dada em casa.
É, naquele tempo havia o que se chamava "educação doméstica".
Hoje, se nós reverenciamos e conservamos especiais carinho e respeito para com nossos velhos professores, Lucílio, Casimiro, Dimas, Armindo, Terezinha, Padrenriques, Padrigino, Tiaguinho, Dona Guilhermina tantos outros...é porque eles ajudaram nossos pais a nos forjar, impregnando-nos com o senso de disciplina, o respeito aos mais velhos, o respeito às instituições, o respeito às autoridades e o comprometimento com o aprendizado.
Tenho dito!

Álvaro,
com orgulho, um nota vermelha, fazedor de cópias, escutador de reprimendas... que, parece, deu prá alguma coisa na vida!

MULHERES..!.



Sou boa filha, boa mãe, amo a minha mãe desde o útero. Costumava achar que ela fosse invencível, uma super-mulher. Sempre tive instinto de defendê-la nas situações em que ela ficava vulnerável. Meu pai, quando viajava, nos deixava sozinhos e eu tentava cuidar de meus irmãos pequenos para ajudá-la.


Querendo ou não a mãe é o primeiro amor de nossa vida. E de todos os amores é o único que não muda ou acaba. Ainda acho-a linda nos seus 82 anos de idade, mas não a vejo mais como invencível.





Foi ela que me ensinou a amar o feminino, o meu corpo, a “respeitar o útero e os ovários”, me ensinou a cozinhar, a fazer todos os trabalhos domésticos, a ser solidária ao sofrimento alheio, caridosa, a ser econômica e reaproveitar os alimentos e desperdiçá-los, a brincar e a sorrir para a vida, a procurar uma realização fora do ambiente de casa. Ela foi muito moderna para a sua época, trabalhou numa Fábrica de Tecidos em Alvinópolis, isto em 1945 a 1949.
Mãe é a pessoa a quem todos nós devemos a nossa vida, devemos nossa personalidade e nossas lembranças. Devemos quem somos.
Minha mãe, por exemplo, tenho dela as melhores lembranças, como os melhores bolos, as melhores goiabadas, as melhores e mais saborosas refeições e os melhores mingaus de fubá do mundo.
Mas também sou boa irmã, ou fui, ajudei a cuidar de todos os irmãos e sei que eles têm de mim as melhores recordações.

Nós crianças, brincávamos muito, no quintal, dentro de casa, na rua...Quando era necessário que, por algum motivo minha mãe ficava ocupada, eu os levava ao médico, dava banho e ajudava a educá-los.
Tenho quatro irmãs: Sônia, Selma, Rosarinha e Renata.
Logo depois de mim é Sônia, forte, independente, caprichosa. Sempre mantive um laço de amizade com ela, apesar de não compreender e nem aceitar muito suas decisões. Ela sempre foi muito alegre, comunicativa, mas muito impulsiva, faz as coisas sem pensar, sem analisar as conseqüências. É temperamental, mas franca e leal. Crescemos juntas, brincamos juntas, estudamos juntas.
As outras duas, aconteceu algo interessante. Eu me lembro quando tinha 4 para 5 anos, um dia minha mãe e meu pai chegaram com um novo bebê em casa e disse que era a minha nova irmã, Zarinha, dois meses depois nasceu mais uma irmã, Selma. Eu não entendia direito o porquê, mas depois compreendi que uma havia nascida de minha mãe e a outra de seu coração.
Rosarinha, frágil e meiga, hoje é grande mãe, grande irmã e grande esposa. Ela tem sorriso em horas impróprias que faz o que é ruim não seja tão horrível. E tudo se torna muito claro atrás das lentes de seus olhos azuis, fracos e delicados.
E Selma, grande mulher, grande mãe e uma excelente irmã, ajuda a todos, a qualquer momento que se precise dela. É forte e destemida.
A irmã caçula, Renata, nasceu quando eu estava para me casar. É uma grande mulher. Mas apesar de termos nos separado muito cedo, sai de casa quando ela tinha 7 meses de idade, não deixei que ela se afastasse de mim. Ajudei a minha mãe nos cuidados dela, recém-nascida e o nosso amor é incondicional, eterno! Sempre foi como uma filha mais velha para mim.
Assim como mulher, sempre tive um instinto de sobrevivência e admiração pelas mulheres de minha família. São fortes, francas, amáveis, honestas, às vezes, precipitadas, mas grandes mulheres. Quando menina, percebi na minha mãe o que era ser mulher, por que sabemos que não é fácil, num mundo machistas em que vivemos.
E as outras mulheres de minha vida: minhas filhas. A mais velha é extremamente esforçada, alegre e comunicativa, mas ao mesmo tempo de sentimentos nobres e frágeis, às vezes, dificieis de entender. Ela se envolve em tudo que se propõe fazer.
A segunda é estudiosa, também frágil e meiga, sempre disposta a ajudar todo mundo.
A terceira, doce e sentimental. Estudiosa e aplicada, se condói com as dores do mundo.
Todas são grandes mulheres. E minhas netas? Tenho três, Ainda são crianças, lindas e meigas. Tenho certeza que serão também grandes mulheres.
Portanto, tudo o que eu faço no meu dia, o que mais vale a pena é ser mulher: mãe, filha, professora, irmã, tia, avó que sou e o exemplo que deixo para todas elas.

Vera da Mata
VC, outubro, 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CRIANÇA

Ao amanhecer
Com os olhos semi-fechados
Olho com carinho
O lindo sorriso de minha neta.

Estou ensonada,
Quero dormir,
Mas seu olhar intenso
Me faz ficar acordada.

Crianças, netos!
Maravilha da vida.
Esperança do amor,
Valiosos presentes.

Seres do amor!
Vem de mansinho,
E singeleza ...
Carinho e pureza,
como amor de passarinho!...
Amor em sua essência.
limpo e transparente,
Amor de doação,
Amor de coração!

Crianças: momentos,
Sorrisos e conversas,
Quero leite, vovó!
Quentinho e gostosinho,
Também quero queijo e pão
E chocolate gostoso.

Quero brincar, ver TV,
Jogar suas almofadas, DVD,
Acertar por brincadeiras,
Sem preocupações.

Criança, alegria da vida!
Pura e sincera,
Sorriso franco e claro!
O sol brilhará com você!
Crescer com alegria deverá.
No mundo novo sem fim!

Vera da Mata
14/10/2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

LINDO PLANETA TERRA!


Questão ambiental, importante
Ao imediatismo transcende
Desenvolvimento sustentável
O homem fazer deveria.

Natureza, dela fazemos parte
Pressa, devemos ter
Problema, chamado de urgência
Descubra: não somos civilizados.

Homem, moderno e inovador
Bárbaros, nossos antepassados?
Não, as coisas estão fora de ordem...
Tempo demais já passou...

Distanciamos da vida nas cavernas,
Ocupamos planícies e planaltos,
Domesticando o fogo,
Mas não cuidamos das plantas...

E dos seres vivos deste planeta!
Subjugamos outros homens
Exploramos o seu trabalho
a morte o impomos,

Modernidade!?...
Humanidade disseminou riquezas
Alguns homens ficando ricos
Muitos cada vez mais pobres.

Ganância, injustiça
Egoísmo e guerras.
Abusou da natureza,
Preço alto hão de pagar!

Homens e mulheres!
Ouvi!
Equilíbrio é preciso,
Ação e atitudes também...

TERRA planeta único
Nossa única casa
Sólida por dentro,
Frágil por fora.

Vera da Mata
VC, 13/10/2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010


MEU EPITÁFIO...

Sonhei com meu epitáfio,
Como na música de Titãs.
Acordei e refleti
Descobri que na morte
Quero ser lembrada
Como “aquela que veio a passeio”.

Com todas as reticências da morte,
Em toda a minha história de vida,
Minha inscrição tumular ,
estará na minha última morada.
Pois...
Na descontinuidade dos olhos,
Na ausência do olhar,
Na falta da presença física,
Hão de lembrar da minha frase,
Das minhas fases nubladas,
Dos meus desconfortos
e desencontros,
De minhas imperfeições.
Expresso o que sinto:
Aqui jaz uma incompreendida,
Solitária e sonhadora!...

Vera da Mata
12/10/2010

SERIA...


SERIA...

Seria a lágrima fria porque rola no rosto?
Seria amarga
Ou doce?
Seria dor ou amor?
Ilusão em todas as formas.
Seria minúscula concha a espreitar a vida?
Seria a espera que cansa?
Que fere,
Que chama,
Inerte
No deserto?
Seria
Retrato de pensamento,
De documentos,
De discordâncias ínfimas?
Não, seria um vendaval
Que trás paz
Que refaz
A luz
E a esperança!


Vera da Mata
VC, 12/10/2010

QUEM INVENTOU A AUSÊNCIA?

QUADRO DE SALVADOR DALI.
Inventou também o silêncio
E a partida.
Da sua voz calada
tão triste e sofrida.
Partida da família,
Do irmão, do filho,
Do amor e da dor.
Saudade do afago,
Do abraço
E da lágrima
Sem começo e nem fim.
Da chuva na janela,
Os pássaros a cantar,
Das crianças a brincar,
Dos crepúsculos e dos madrigais.
Quem inventou a saudade,
Não amou,
Não pulsou de vida,
Viveu espreitando o silêncio!


Vera da Mata
VC, 12/10/2010.

ESPERANÇA


IMAGEM DE UM QUADRO DE SALVADOR DALI.


ESPERANÇA

Quando ficar complicado
Tenha crença,
perseverança,
confiança,
são sentimentos
que atenuam o sofrimento.
Resguarde-se...
Tente compreender
Sem desiquilibrio.
Da dor alheia, participe
É ato de seriedade,
É virtude,
É amor.
A má influência, resista,
Do desânimo, fuja,
Das adversidades, fique longe.
Equilibre-se.
Tenha energia,
Coragem,
E sabedoria,
Pois sendo forte
atrai tudo de bom para si.

Vera da Mata
VC, 13/10/2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

CHÃO DA MATA DA TABAJARAS

Meu olhar sem demora
procura os ramos, as flores,
Os troncos, as aves,
os bichos, os ventos,
os sóis e os lamentos
na ventura de meu quintal.
No chão folhas secas,
no vento, flores mil.
Azul do céu,
retalho inquieto
de nossa infância!
Recruzo o espaço
encontro árvores gigantescas,
que para abraçá-la
são braços de dez crianças.
Encontro a vida que por lá há...
Vidas aladas farfalhando, colorida...
pássaros, lindos!
Ramos a vergar,
Bigônias em flor
entrelaçados no cipó
como fios suspensos a bailar,
para gangorrar.
Enormes aranhas,
grilos, sapos luzidos,
cobras e serpentes,
vidas sem contar.
Na mata galhos tortos
e desempenados,
contorsões,
vultos condenados
no grito da daquela mata...
Gemidos!
São risadas longas dos seres de lá...
Assobios sem fim...
Soluços, silvos,
cochichos, estalidos,
Tico-tico, gaviões,
arapongas, tucanos
são guaches nas grutas a cantar
na sinfonia do nosso sonho de criança!

Vera da Mata
agosto/2001

FLORES

Tarde no azul do céu,
Gotas de orvalho
a cair destemida
beijam as flores
que unidas a olhar estão:
o sol e a vida!
Os passarinhos do céu,
com suas asas pequenas,
Nas profundezas do espaço
E ao léu...
buscam o encontro do amor.
Em parelhas descem todos
para encontrar as flores
suas amigas e conselheiras,
que estão unidas no mesmo arrebol,
No mesmo orvalho da noite.
Lá em cima as estrelas,
Cá embaixo as flores,
Numa eterna primavera,
São as rosas nascidas e floridas
Que amam os mesmos raios de sol
O mesmo raio de amor...

Vera da Mata
outubro/2006

HUMANIDADE INJUSTA!



Desfalecidos, errantes,
famintos, forasteiros,
É imagem de boa parte da humanidade.
Vidas carentes...!
Como fujir das sombras da morte?
Porque o povão para sempre
viveu nas amarras da falta...
Que num planeta tão farto...
Milhares no cativeiro viveu.
E no seu alento derradeiro
desta escravidão sem fim
a dor, a desilusão e a morte
foram suas companheiras.
Homens e mulheres sem esperança
com coração estraçalhado,
de falta de verdade e de amor
por todos tão desejado...

Cálice de amargura,
Dor infinita!
Sem saúde, sem educação,
A torturar seus corações
esperançosos!...

Grande povo de virtudes
Sê feliz! busque a paz!
Mas onde encontrá-los?
Suas venturas despertar deveriam
Acordar os ganaciosos
Que o planeta terra é de todos!...
E não é de ninguém...
Vera da Mata,
VC, julho/2009

TORRENTE


Serra azul!
Torrente de cachoeira!
Água que desce com força,
Junto com o vento
que balança as folhas,
Cria neblina na corredeira
que cai sem parar.
Produz fendas ocultas
E profundas
Nas entranhas das pedras.
São fios de água viva
pela escarpada a passar.
Água, pedras, folhas
Que de passagem
Caem, rolam e vão...
Levem a minha mágoa...
Lavem a minha dor!
Águas que rodeiam caminhos,
Que não descansam
na sua longa viagem
que terão até o mar.
Passam por líquens verdes,
por florestas,
por planicies e vales,
Batem nas rochas
Gemem sem parar.
E pelo caminho
aberto a chorar
caem no seu eterno rolar.
Levem a minha mágoa!...
Lavem a minha dor...

Vera da Mata
julho, 2009

ENTARDECER DO MEU CORAÇÃO...


Sol descamba no horizonte
como um cetim que cai no chão.
Deixa vermelhas as folhagens,
Deixa seco e magoado
meu coração.

As águas e os campos floridos,
vão dormir neste entardecer,
Que do céu implora olhares,
sentimentos...
Que transluz a luz deste momento.

É um facho de luz indeciso,
de cores semi-mortas,
que se perdem no azul noturno,
frio e adormecido,
Dos dias felizes ou tristes.

Meu amor guarnece os ventos
de sonhos e esperanças
como renda brilhante a farfalhar;
Que brinca com a palmeira
e as aves que passam na viração.

Mas há uma harmonia exalante
da natureza que se recolhe,
Do amor que eu sinto,
Dos juritis, dos sabiás,
Do esconder no matagal.

Entardecer de minha vida!
É como melancolia,
Oh meiga tarde!
Que na minha mágica vida caiu,
E as sombras da noite que chega
Trazem mistérios e encantos mil.

Vera da Mata
VC, 15/01/2010

AMIGOS!




Separarmos...
Vamos todos.
Saudades...
sentiremos.

Conversas jogadas fora,
Descobertas que fizemos,
Sonhos que tivemos,
Risos incontroláveis...
Momentos compartilhados.

Saudades...
Dos momentos de brincadeiras,
Das risadas por nada,
Dos finais de semana,
Companheirismo.
Das lágrimas de despedidas.

Na vida...
Cada amigo escolhe um caminho...
Um destino,
Um lugar.

Podemos nos encontrar?
Sim, até bobagens conversar...
Até os encontros raros ficarem.
Até restar só fotografias...
Lembranças e saudades...

Brumado, 2006
Vera da Mata

AVÓS E NETOS



Falam que os avós deseducam...
Verdade?
Mentira?
Difícil de saber.

Os avós não colocam de castigo,
dificilmente dão broncas
fazem todas as vontades.
Todos os mimos.
Deixam brincar com o que quiserem,

Comer os doces que desejarem...
Avós..
Sinônimos de alegrias...
Valores...
saudades...

Contato com os avós...
Melhora a relação de pais e filhos,
Além de criar relação de amor
E respéito com os idosos.

Avós...
utopia de viver,
Experiências
De modo lúdico
As histórias da vida!

Vera da Mata
26/10/2007

EMOÇÕES



Quadro ao lado de Salvador Dali.

Hoje acordei com um sentimento de “menos”,
menos problemas, menos enganos,
menos tristezas, menos saudades,
menos lembranças, menos solidão.

Mas como sou um turbilhão de emoções,
Viver sem elas não posso
quero “mais”,
mais alegrias, mais proximidades,
mais sonhos, mais realizações,
mais acalentos, mais amor.

Pois emoção é estado
Mental da alma,
dos pensamentos e comportamentos
Determinantes da vida.

Sentimentos...
Que afligem a alma e coração,
Consciente ou inconsciente,
É o sentido da vida.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ENTRE PEDRAS E ESPINHOS





Será que sei viver?
Imaginei a vida só de ilusão,
Ilude-me até ficar maluca,
que acabou com meus sonhos
e minhas esperanças.

No caminho, encontrei pedras
Enormes
Não consegui retirá-las,
Eu me arranhei
Com o bem e o mal.

Escolhi
Viver sem você!
Eu deveria aprender a viver!
Saber viver!
Dos caminhos
deveria ter retirado as pedras
Os espinhos,
Mas ilusões enraizaram
Para sempre!



Vera da Mata
outubro/2010

DEIXE QUE A VIDA TE DESPENTEIE




Hoje aprendi ...
Para viver de verdade
È preciso se despentear.
Aproveite a vida
O mundo é louco,
definitivamente louco...
O que é gostoso, engorda.
O que é lindo, é caro.
O sol que te ilumina,
Te enruga o rosto.

Mas, se despentei...
Ria às gargalhadas.
Viajar e correr,
Despenteia.
Entrar no mar,
Ou na cachoeira
Despenteia.
Tirar a roupa,
Despenteia.
Brincar,
Despenteia.
Cantar até ficar sem ar,
Despenteia.
Dançar até cansar,
Despenteia ...
Viva despenteado!
Só assim será feliz!

Vera da Mata
outubro/2010

domingo, 3 de outubro de 2010

ODE À FAMILIA

União de pai e mãe,
Sinônimo de amor e calor,
É repleta e completa,
De tristezas e alegrias,
e de desarmonias.
Às vezes engraçada,
afinada nos sonhos,
engrenada nas lembranças,
Mas, por vezes, fica complicada,
desajustada e desacertada,
Mas a família é uma benção!
Lá dentro: nascemos
Lá Crescemos,
Lá nos formamos
E de lá ganhamos
o cruel mundo.
Na família ganhamos abraço,
Disciplina e afago,
No almoço em família,
No vento no rosto,
Na boa lembrança,
No mingau de fubá no inverno,
No jogo de futebol pelo rádio,
Nas comemorações de natal.
Ganhamos rotina...

Família: bem mais precioso!
Nossos pais merecem todo respeito
Do mundo, todo o carinho
No sol de toda manhã.


Vera da Mata
2 de outubro de 2010

sábado, 2 de outubro de 2010

LUIZ - luz






Luz que passou como um raio...
Tudo com você foi para ontem,
Conheceu o Oriente Médio,
Iraque, Holanda,
Nos Estados Unidos morou.

Deixou em nossos corações
Saudade e solidão que nos acompanha
desde que você foi embora.

Você sempre foi engraçado...
leal ...
gostava, com todos, de fazer pegadinhas.
A saudade machuca...
"Canhão"...

Tenho saudades do Mário
que você inventou
só para me pegar, na minha distração.
O passado com você ainda não passou,
nós nos recusamos o presente que nos deixa triste,
sem a sua presença.

E seus lindos olhos azuis?
Saudade é sentir que existe
o que não existe mais...
Da dor - da falta de sua alegria,
De sua força,
De seus casos engraçados.
Tudo que restou para nós
foi o gosto amargo da morte.

Luz
União
Inacreditável
Viver a vida sem você...
Z....... para sempre!

Vera da Mata
02/10/2010

UM PASSEIO PELO RIO ARAGUAIA







O Rio Araguaia significa rio das araras ou papagaio manso, no dialeto Tupi. Nasce em Goiás nas formações elevadas existentes no Parque Nacional das Emas e tem 2114 km de extensão.
Fiquei quinze dias na casa de minha filha que morava em São Miguel do Araguaia, situado no noroeste de Goiás, ao sul de Tocantins. Foi o lugar mais fantástico que conheci. È uma região incrível, bonita que faz um calor impressionante.
No aspecto social é um município de classe média com uma economia ligada a criação de bovino. Quando estava indo para conhecer o rio com minha neta, os colegas de trabalho de minha filha e ela, ao longe, vi um morro todo branco, perguntei o que era, o que me responderam: é gado.
Fiquei encantada com tanta diversidade de vida selvagem e a beleza do rio: vi jacaré, mergulhões, gaivotas, aves pequenas , todas coloridas e lindas.
O Araguaia é rio mais piscosos do mundo, comi todo o tipo de peixe, cada um mais gostoso que o outro, desde pirarucu, piraraca, surubim, pacu, deliciosos!
No dia do passeio tive uma sensação incrível de navegar pela primeira vez por um rio como o Araguaia. Chegamos ao Posto do IBAMA, onde um funcionário havia preparado para nós uma lauda refeição: arroz, feijão e peixe com rodelas de limão. Foi a comida mais gostosa que comi. Depois saímos para um passeio rio abaixo, fomos até o inicio da ilha do Bananal, com paisagens fantásticas, aves em vôos rasteiros, jacarés esquentando sol à beira da água, sem contar as fantásticas casas de fazendas construídas à beira do rio, que víamos de vez em quando. E as pessoas em suas barracas tomando sol...? Incríve! Não podia imaginar que no planalto central do Brasil pudesse ver: praias, barcos, iates, barracas, restaurantes, etc
Além do passeio de barco, a convivência com a sogra de minha filha foi muito engraçada. Tudo que eu fazia, ela colocava defeito, aí comecei a colocar defeito, também, nas coisas que ela fazia. Um dia fiz um doce com o miolo do tronco do mamão. Parece doce de coco. Passei a tarde toda ralando o "bendito miolo", fiz o doce... ela colocou defeito. Disse que havia ficado bom, mas faltou açúcar e mais alguma coisa. Pela manhã ela fez um bolo de milho para o café e eu disse que estava seco.
Mas as coisas só ficavam neste ponto, porque à tarde saíamos por São Miguel do Araguaia, uma cidade pacata, bonita, tranquila para fazer caminhada, conversando e rindo de nossas mancadas.
Meu genro um dia falou: “lembrem-me de não trazer vocês duas mais para o mesmo ambiente, porque duas sogras juntas ninguém merece...! kkkkkkkkkk
Foram quinze dias muito bons!
Ao virmos embora, voltei de carro com o meu genro. Ele queria passar, novamente, por Tocantins, mas por insistência minha, ele cortou Goiás para eu conhecer as cidades e aproveitar para ver Brasília.
Chegando a Brasília ele olhou para mim e disse para prestar bastante atenção, porque não é qualquer genro que traz SOOOOGRAAAA para conhecer a capital do país.
Mas para reparar a minha teimosia, paguei o almoço dele no restaurante, era comida a quilo e estava muito farta e gostosa. Almoçamos e fomos embora, resultado: a comida fez mal a ele, de quinze em quinze minutos tinha que parar o carro e correr para o meio do mato, mas eu não tive nada. Ele disse que ERA praga de sogra. kkkkkkk

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

PARA MEU PAI ...

SILÊNCIO!
Noite fria,
ventania
e escuridão,
Coração que clama
pelos seus olhos sem brilhos
na sua doce guarida.
Face sem expressão,
meus olhos suplicantes,
pelo amor perdido
de uma vida que se foi...
Meu coração só faz pulsar
de saudade ...
Não adianta,
dorme na eternidade
definitivamente.

Vera da Mata
outubro/2010

PRESTEM ATENÇÃO NAS IMAGENS E PALAVRAS DE CHAPLIN...


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O QUE É AMOR?


É amizade...
Movimento,
ser ouvinte,
ter respeito.
Também é...
saudade...
alegrias,
entrega,
Sinceridade.
Assim amor...
é paixão,
guarida,
feitiço.
Assim amor
é o sorriso
da flor...!

Vera da Mata
VC, 29/9/10

terça-feira, 28 de setembro de 2010

SAUDADES...



Ah! que saudade eu tenho
da infância na tabajaras,
das árvores, dos bichos,
do tempo, das brincadeiras.

Saudade do tempo das casinhas,
das comidinhas, do quintal,
dos ninhos de galinha a procurar
no mato, das gangorras de cipó.

Inocência, vida simples,
brincadeiras de roda,
do passa anel e do filme,
do céu e do inferno.

CAMINHOS...


Escarpados de espinhos...
de pedras...
de abismo...

Sombras do céu...
da vida...
da morte...

Vida
esvoaçantes...
que se esconde no escuro,
no oculto,

nos sonhos...

Ontem...
era um pássaro livre,
triste...
no céu da imaginação.

Hoje...
perdida
nos caminhos
da alma.

Asas...
da imaginação
no coração da ilusão.

VC, 29/09/2010

Vera da Mata

EXISTÊNCIAS


Vidas que se encontram...
se entrelaçam...
se enroscam...
se arrastam...
Eternamente nas correntes,
nos corações,
nas emoções,
nas tristezas,
Que vive na ilusão,
nas mãos,
nas alegrias,

no amor,
na dor.

MINHA NETA, AMO VOCÊ!


VC, 29/09/2010
Vera da Mata

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DUALIDADES...



Tudo na vida tem dois lados:
Sol e lua,
Dia e noite,
amor e ódio,
morte e vida,
paixão e razão,
ser ou não ser,
preservar ou destruir,
querer ou mudar,
Chorar ou rir,
viver ou morrer.

Ainda há...
Humildade e simplicidade,
simplicidade e semente,
semente e grande sonho,
Sonho e esperança,
esperança e brilho,
brilho e estrela,
estrela e galáxia,
galáxia e universo,
universo e infinito,
infinito e Deus,
Deus e vida,
vida e amor.
Amor é celebração,
celebração é razão para existir.

Vera da Mata
5/09/2010, VC

Prazer em existir...




Com a imaginação solta
devemos pensar na vida.
Nas coisas boas que temos...
Na fome, uma boa refeição,
no sono, uma boa cama,
no abraço, uma pessoa que ama,
nos problemas, um ouvido amigo para nos ouvir,
nas dificuldades corriqueiras, o sorriso,
no churrasco, os amigos,
nas sensações, uma boa música,
na chuva, uma boa rede.

Diante de todos os sois e luas
devemos abrir um sorriso sempre,
rir de si mesma ...
das mancadas da vida!
Aproveitar o dia ao máximo!
Fazer sempre o que gosta com amor,
não desperdiçar tempo com coisas bobas
e insignificantes...
Sonhar mais...
Correr atrás dos sonhos ainda não realizados...
Descobrir que o amor foi criado para todos!

Mas para variar os padrões:
Não fique preocupado em excesso,
Não fique seguindo modelos...
Leia mais e renove as suas ideais,
busque o aperfeiçoamento humano,
tenha coragem de ousar...
Não pese os erros dos outros,
porque senão pesarão os seus...
Resolva seus conflitos
e suas angústias..
Elas são só suas.

Enfim...
Beije a primeira pessoa que vê pela manhã,
sorria quem encontrar pelo caminho...
Acene para seu vizinho,
dê bom-dia sonoro a todos,
visite sua família,
coloque flores em sua casa,
transforme a sua vida em algo mais leve,
coloque uma pitada de bom-humor em tudo,
ensina e aprenda mais,
pense menos em si mesmo,
não fale mal das pessoas
Seja mais feliz!

Vera da Mata
26/9/2010, VC

SAUDADE DA MINHA IRMÃ CAÇULA...






FOTO: Renata e eu...


Este texto foi minha linda irmã Renata que me escreveu em 5/07/2008.

Quando nasci ,você contou que o nosso pai não estava presente, você que levou a nossa mãe ao hospital onde a mesma passou muito mau. Os médicos me diagnosticaram como morta, mas no final perceberam que o cordão umbilical pulsava. Foi aquela alegria, primeiro estava viva, segundo era menina e o nome lindo que eu tenho foi dado por voce, se lembra?
AH! VOCê DIZIA QUE PENSAVAM QUE EU ERA SUA FILHA, mas era sim, amor não está no grau de parentesco e sim no AMOR, NEM QUE NO MOMENTO SEJA VIRTUAL, mas ESTAREMOS JUNTAS EU, VOCê E AS MENINAS. A NOSSA INFÂNCIA FOI MUITO BOA LÁ NA SUA CASA DA SATÉLITE. ERA BRINCADEIRAS E SÓ BRINCADEIRAS. QUANDO VOCE IA LÁ CASA EU SAIA ATÉ MAIS CEDO DA ESCOLA PARA TE ENCONTRAR. E OS DOMINGOS: CINEMA , PIPOCAS , BALAS DE CHOCOLATE, SOCIAL CLUBE ... quanta coisa boa, tanta lembrança boa tenho junto de você. Mas o tempo passou e na juventude fomos separadas... fui para Ipatinga, você para Brumado. Tivemos que seguir caminhos diferentes e longe uma da outra, mas isto não impediu que o nossa amor nunca morresse. Cada uma teve que seguir o seu caminho, nos afastamos um pouco, mas agora nos reecontramos on line.

TE AMO COM UMA MAE...

Renata Ariadne

Texto que minha filha Denise escreveu para mim em 2001





Foto: Denise e minha neta...

FIGURA MATERNA


Proteção materna... tema de belas crônicas e poesias. Tema que, mesmo não sendo citado, está sempre presente nas mais belas histórias.
A figura materna, em geral, é mágica e especial. E é dificil ser mãe... Há quem ache o contrário, mas a mãe tem a constante e eterna necessidade de proteger seus filhos. Há sempre muito a fazer: passar no quarto à noite, para ver se os filhos estão cobertos e a janela fechada. Olhar com toda atenção do mundo quando a filha vem contar os problemas da escola. Revoltar-se com a injustiça e levantar-se com raiva para proteger seus "eternos bêbes" das dores do mundo...
E quando chega alguma doença? O espírito se inquieta 24 horas por dia. No hospital, briga com todos para conseguir segurar a mão da filha, mesmo que ela esteja na enfermaria e o horário de visita tenha acabado.
A figura materna tem o poder de consolar sem dizer uma única palavra. Ela apenas pára e diz com o olhar: "Está tudo bem! O mundo é ruim mas eu estou aqui com você..." Ela consegui sentir, antes que o filho e a filha, o frio, a fome e as decepções que eles podem vir a sentir. Quando isso acontece, logo avisa-os do perigo e alivia suas dores antes mesmo dela chegar.
Não há como explicar uma mãe e seu poderes na vida dos filhos... mas se fôssemos encontrar uma palavra que fosse tão mágica e tão linda quanto a figura materna, qual seria? Procuro por todo dicionário e no alto do meu modesto conhecimento da Língua Portuguesa, só encontro uma: mãe!

Denise da Mata
Brumado, 10/05/2001

domingo, 26 de setembro de 2010

História de Belinha



ESTA É A BELINHA OLHANDO COM DESPREZO PARA SEUS FILHOTES.


Tudo começou quando minha filha caçula trouxe de Vitória da Conquista, há uns cinco anos atrás uma cachorrinha marrom, pequena de uns 30 centímetros, olhos esbugalhados, dentes para fora e que conversa com o olhar. Recebeu o nome de Belinha. Sempre cuidei dela com todo amor e carinho, não ficou linda, mas com a passagem do tempo, foi ficando cada dia mais ousada e independente. È uma cadela dócil, delicada, amorosa, mais cheia de vontades próprias, parece gente! Só come carne, frango, queijo, pão ou outra coisa que goste. Ração só quando a fome aperta, quando a COLOCO de castigo. As outras cachorras, que temos em casa, ficam enciumadas com a mordomia, mas fazer o quê?
Além de ficar na rua o tempo que desejar, quando resolve voltar para casa, pula pela grade do portão dos fundos e fica dentro de casa quanto quiser.
Mas as coisas começaram a se modificar depois que nos mudamos de Brumado para Conquista. Onde morávamos, ela era livre, passeava pela Vila de Catiboaba na hora que queria, voltava quando tinha vontade. Depois de 2007, numa cidade maior e desconhecida, as coisas não podiam ser mais como eram. No entanto, como consertar a postura de uma criatura abusada? Não é fácil. Aqui na nova cidade, ela sai, arruma as amizades que mais deseja, trás más companhias para o portão de casa e não se importa com nada. Quando eu a chamo quando está saindo, ela pára, se vira, olha para mim, vira as costas e vai embora. Se ela fosse gente, seria uma garota de programa.
Todos nós sabemos que paquerar é bom, mas chega uma hora que tem que tomar juízo e mudar de vida. Mas não ela! Pelo menos se ela tivesse um só, mas tem muitos. Ela é impontual e imprevisível e sempre será!

Poucos seres neste planeta vão experimentar a vida do jeito dela. Ela sai e nos deixa com aquela sensação de besta, de idiota. Ela mostra aquele sorriso de borboleta azul estampado no rosto... como se cantasse uma música de "Wando" ou de "Reginaldo Rossi" .

Não adianta tapar o sol com a peneira. Por mais que não admitamos, Belinha é uma garota de programa, irresponsável. Teve duas barrigadas e colocou mais de 4 filhos no mundo...

Negue o quanto quiser, tenho uma cadela livre e que só faz o que quer...

SOMOS ETERNOS APRENDIZES DA VIDA!

Considero ainda hoje
e cada dia mais e mais
somos aprendizes da vida!
São emoções e acertos,
erros e decepções,
tombos e lágrimas
escorregadias e injustiças!

Mas para termos felicidade,
precisamos aceitar uns aos outros.
Não é fácil. Ás vezes é dificil!
Não devemos, assim, colocar
nossa trajetória nas mãos de outra pessoa,
pois cada um é responsável
por aquilo que faz da vida.

Somos construtores e atores
de vida e sentimentos,
Há uma dicotomia?...
Sim, mas também há sonhos,
filhos, netos, desejos,
felicidade, trabalho,
escola, adolescentes, encanto,
alegria, ilusão!

Vera da Mata
25/09/2010