quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A GENTE ENVELHECE E NÃO PERCEBE

Texto escrito no dia que fiz 60 anos por Vera da Mata



E O TEMPO SE FOI...

(Vitória da Conquista, 21 de fevereiro de 2010)

Os dois grandes elixires da juventude são: boa saúde e bom humor!

Sabe por que?, por que cedo ou tarde (e cada vez mais tarde) envelheceremos. Tenho um pouco de medo desta fase da vida, pois entrei na terceira idade. O que eu tenho fora de mim grita assustado quando se lembra que se passaram 60 anos e que a vida se foi como água entre os dedos, mas o meu eu de dentro tenta acalmá-lo para que não angustie e sinta dor à toa, já que o processo é irreversível.

Ah! Minhas rugas! Minhas marcas do tempo! Demoraram tantos anos para surgir e vieram com força e vontade, são vincos que os anos fizeram em mim. Foram inevitáveis e quero tomar cuidado para que elas não se tornem armadilhas para me matar antes da hora ou deixar tão triste que não enxergaria a vida que continua através de meus netos.

Estou tentando desacelerar e descarregar de minhas costas as corridas inúteis, os bens desnecessários e as pessoas chatas. Hoje não corro como antes, minhas forças não são mais a mesma, minhas pernas não me obedecem e meu corpo anda cansado, enquanto meus braços teimam em doer além da conta, mas apesar disso tudo tenho prazer em viver e sou feliz.

Notei que o maior problema dos idosos em nossos dias não são as nossas limitações ou as rugas do nosso rosto, mas os olhos dos jovens, porque vivemos numa sociedade de aparência, de ilusões, de individualismo e eles pensam que serão eternamente jovens e vigorosos, não respeitando os mais velhos. Faltam às pessoas hoje sabedoria de vida, ousadia para mudar seus paradigmas, seus pensamentos que lhes foram impostos pela mídia.

Pois ao envelhecermos precisamos cuidar de nossa embalagem externa, mas precisamos ainda mais cuidar do nosso produto interno, lendo, viajando, estudando, aprendendo mexer nas tecnologias atuais, convivendo bem com a família e os amigos. A passagem do tempo é cruel. Ele nos tira o sossego de dentro da mesma forma que nos desgasta por fora. Nosso corpo decai e o espírito rejuvenesce com a sabedoria de vida adquiridos, assim podemos compensar as perdas usando a cabeça em vez de lutarmos em vão para não envelhecermos, por que senão você emburrece.

Desta forma se quisermos continuar com os nossos sonhos, devemos transformar a realidade nos mantendo acordado para as oportunidades, para as alegrias de viver, ativos, pois o nosso destino é criado pela nossa mente e nossa postura diante da vida. Pois não tenho mais tempo para discutir relação, paciência com gente burra e imatura, com a mediocridade dos meios de comunicação e das pessoas que só se preocupam com a vida dos outros e assuntos fúteis. Quero ser gente de verdade, usar minha experiência com sabedoria, rir dos meus micos e andar ao lado de DEUS.

VERA DA MATA

DESABAFO

Texto escrito em setembro de 2009 por Vera da Mata




ESTE TEXTO FOI ESCRITO EM AGOSTO OU SETEMBRO DE 2009, NUMA SITUAÇÃO MUITO TRISTE NO CENTRO DA CIDADE DE VITÓRIA DA CONQUISTA?BA.)

DESABAFO

Hoje fui fazer uma mamografia, estava triste e preocupada, pois tenho consciência que sou humana como todo mundo e, portanto, corro o mesmo risco que todos. Distraída, entrei numa rua de mão única, rua pequena que não passava de 200 metros. Na metade do caminho, percebi que entrei na contramão, mas não dava mais para voltar, tinha que seguir e sair dali.

Mas encontrei no meio do caminho, uma dessas pessoas que acham que tem “ouro na barriga”. Ele parou o seu carrão no meio da rua e não me deixava passar. Desviei pelo passeio e tentava sair dali, quando o sujeito colocou a boca para fora e disse: “ saí daí sua velha, barbeira!

Aí fiquei pensando, para onde estamos indo? Onde está a sabedoria de vida que deveríamos ter? Onde está o respeito pelos mais velhos? Aquele sujeito rico, no seu carro grande e importado se sentia mais importante, por quê? Será que não percebeu somente que eu entrei errado? E com um pouco de boa vontade as coisas se resolveriam de modo tranqüilo, já que a rua era tranqüila?

Foi nesse momento que percebi que os velhos, realmente, não valem nada neste país. Percebi que a vida passou depressa demais, mas agradeci a DEUS por ter criado os meus filhos com respeito, amor, carinho e quanto eles são humanos, de verdade e sensíveis com todos na rua, coisa que não acontece com a mãe deste sujeito.

A vida é breve, como disse Cazuza, se pudéssemos ter verdadeira consciência dessa brevidade, dessa passagem rápida, não seríamos tão orgulhosos e vaidosos com besteiras. Devemos pensar duas, três vezes antes de ofender e destratar as pessoas, devemos evitar jogar em cima dos outros o nosso lixo...

Estamos entristecendo por coisas pequenas e perdendo minutos, horas e dias preciosos com idiotices, sendo narciso além da conta, pois como disse Mário Quintana em seu poema o “O tempo”:

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

VERA DA MATA



NOSSA VIDA ESTÁ ENTRANDO EM FALÊNCIA?

TEXTO ESCRITO EM JANEIRO DE 2010 por Vera da Mata.



O QUE ESTÁ ACONTECENDO COM AS NOSSAS VIDAS

Há uma falência total das pessoas de hoje, falência dos povos, falência dos destinos, falência da vida! Será que devemos colocar um pano em cima de tudo, trancar a porta e jogar a chave de nossos sonhos fora? Não. Devemos abrir as portas de nosso coração e deixar o sol e o vento da vida tomar conta dela para que possamos respirar futuro e o amanhã.

Pois cada um de nós é parte de todas as personalidades que passam pela nossa vida, somos parte de nossos avós, pai e mãe, irmãos, vizinhos, professores etc. Estamos imersos nas correntes sociais e em nossos eternos vincos hereditários e no nosso coletivo. Então! Já que somos construídos, porque não sermos o mais coerente possível conosco e com a sociedade ao seu redor.

Certa vez ouvi um filósofo dizer o seguinte: “O que está fazendo com a sua única vida? O que estão fazendo com a única vida das pessoas que passam pela sua única vida? Realmente, temos uma única vida por isso devemos cuidar dela com carinho e afeto, tendo consciência, lucidez e sabedoria para nos enxergarmos e cuidarmos das outras pessoas que passam por ela. O mundo é para quem nasce para conquistar. Conquistar a família, as pessoas lá fora, a profissão, os sonhos etc.

E esta conquista é eterna, pois nem sempre sabemos quem realmente somos, nem sempre fazemos tudo certo, nem sempre estamos felizes por dentro e com os outros. Porque, às vezes, chego à janela e vejo o céu escuro apesar do sol lá fora tão quente. Saio e vejo pessoas, ruas, lojas, janelas, casas, carros, cães, plantas e não os reconheço. É preciso tirar a máscara, todos nós. Olhar no espelho e vê que somos fracos, indecisos e incoerentes. E muitas destas olhadas no espelho eu vejo uma mulher está envelhecendo e quer viver mais e mais, para participar da vida dos netos e quem sabe? dos bisnetos...

VERA DA MATA



A CARPA...

TEXTO ESCRITO EM DEZEMBRO DE 2008


">Você conhece a carpa? È um peixe japonês (koi) que tem a capacidade natural de crescer de acordo com o tamanho do seu ambiente. Assim, num pequeno tanque, ela geralmente não passa de cinco ou sete centímetros, mas pode atingir três vezes esse tamanho, se colocada num lago.


Da mesma maneira nós, temos a tendência de crescer de acordo com o ambiente que nos cerca. Só que, neste caso, não estamos falando de características físicas, mas de desenvolvimento emocional, espiritual e intelectual.

Enquanto a carpa é obrigada, para seu próprio bem, a aceitar os limites do seu mundo, nós estamos livres para estabelecer as fronteiras de nossos sonhos. Se somos um peixe maior do que o tanque em que fomos criados, em vez de nos adaptarmos a ele, devíamos buscar o oceano mesmo que a adaptação inicial seja desconfortável e dolorosa.

Pense nisto. Existe um oceano esperando por você, portanto, jamais se acomode, não aceite limitações nem dificuldades. Lute corajosamente contra todas as adversidades e sentirá a agradável sensação de saber que VOCÊ É CAPAZ.

VERA DA MATA

VISITAS QUE NÃO FAZEMOS MAIS

Texto escrito num dia de muita saudade e lembranças felizes, março de 2010 por Vera da Mata.












TEXTO ESCRITO EM 20 DE FEVEREIRO DE 2010.


Que saudade!!!

Sou do tempo em que ainda se faziam visitas. Lembro-me de minha mãe mandando a gente caprichar no banho, vestir a única roupa boa (de domingo) que tínhamos porque a família toda iria visitar algum conhecido, algum tio ou tia. Íamos todos juntos, família grande, todo mundo a pé. Geralmente, pela manhã e voltávamos à noite com meu pai e minha mãe carregando os dois irmãos mais novos e nós os mais velhos os acompanhando logo atrás.

Sempre saíamos em família para visitar alguém. Lembro-me de certa vez que fomos à casa de Tia Maria na Vila Tanque, rua 22, ela fazia um almoço gostoso, as crianças brincavam e a tarde íamos embora. Noutras vezes íamos à casa de Tia Celina na Vila Tanque, Nazinha, Tia Diva e Tio Joãozinho em Nova Era, era muito bom. Era costume de todos visitarem uns aos outros. Ninguém avisava nada, o costume era chegar de pára-quedas mesmo. E os donos da casa recebiam alegre a visita correndo para lhes preparar o que havia de melhor em casa. Aos poucos, a família ia se acomodando, enquanto as crianças iam brincar.

Era uma surpresa agradável. A vida social da família se desenrolava de modo pacato e lento. Os adultos, depois do almoço, iam conversar e contar as novidades, a conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o meu tio e minha mãe de papo com a minha tia e minha avó. Eu e meus irmãos ficávamos observando-os e entreolhando-nos, prestando atenção na conversa que acontecia na casa.

Observávamos retratos na parede, imagens de santos, flores na mesinha de centro, era uma casa singela, arrumada e acolhedora. A nossa também era assim. Tão acolhedora que era também costume servir um bom café aos visitantes à tarde, depois do café íamos embora felizes e satisfeitos por ter convivido em família.

E voltávamos para casa, caminhada muitas vezes longa, sem carro, mas com o coração aquecido pela ternura e pela acolhida da casa para onde íamos. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração em festa, Padre Henrique e os professores que nos visitavam, o conjunto musical dos Congregados Marianos de Monlevade, ocasião que minha mãe preparava os lanches mais fantásticos para todos e a música rolava até altas horas. A mesma alegria se repetia, frequentemente. Quando iam embora, ficávamos, a família toda, à porta, olhando até que sumissem no horizonte da noite.
Ainda na Tabajaras costumávamos receber Tio Joãozinho, Tio Jacy e Tio Inhô que chegavam tarde da noite e as conversas rolavam até a madrugada. Para mim não tinha coisa melhor do mundo do que acordar com as vozes das visitas em nossa casa. Juntava todo mundo e as conversa e novidades pipocavam. Tempo muito bom!

Naquele tempo fazíamos visitas com os nossos pais, brincávamos na rua, andávamos a pé, subíamos em árvores, soltávamos pipa na rua, jogávamos finca e bolinha de gude e somos hoje uma geração feliz. Não tínhamos televisão. Não sabíamos de droga. Não víamos crianças abandonadas na rua. Não tínhamos brinquedos caros e nem roupa de marca. Mas a nossa vida estava ali, no riso, nas brincadeiras de rua, no café na casa de nossas tias e tios, na conversa dos adultos que teimávamos em ouvir sem poder, no abraço, na esperança do futuro que não conhecíamos. Nossa vida era respingada de eternidade e de momentos alegres, convivíamos com a simplicidade, a alegria e a amizade.

O tempo passou e hoje minha geração toma conta do mundo. E uma das coisas que se vê nesse tempo são jovens e crianças vivendo na solidão. Tem bons professores: televisão, vídeo, DVD, e-mail, mas cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa: na praça, no barzinho, no restaurante ou na esquina, ninguém recebe ninguém. Fico pensando para que a sala de visita de nossa casa tão arrumada senão recebemos mais ninguém nela. Nossas casas estão se tornando túmulos arrumados e silenciosos, com fantasmas que não vivem. Casas trancadas. Pra que abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das conversas, das amizades, do convívio, pode roubar o nosso coração.

VERA DA MATA

domingo, 21 de fevereiro de 2010

ETERNAMENTE MONLEVADE...






Minha terra tem minério,
Onde todos amam estar,
Tem riqueza de muito ferro,
do povo que ficou por lá!

Vera da Mata




Este texto foi publicado no Jornal "MORRO DO GEO" em João Monlevade em Minas gerais em outubro/2009. Escrito por Vera da Mata



UMA VIAGEM ATRAVÉS DA HISTÓRIA DE MONLEVADE NA MÁQUINA DO TEMPO

Em 1964, eu então com 14 anos de idade e morando na Rua Tabajaras, 484, aluna da quinta série do Ginásio Monlevade, tive uma aula que nos informava que a cidade não era mais distrito de Rio Piracicaba, mas de agora em diante era emancipada. Os professores nos contaram a história do muncipio desde o seu inicio e nos mostrado quem foi Jean Félix Dissandes Monlevade. Fiquei encantada com a notícia e à noite ao dormir, sonhei que entrava na máquina do tempo e via todo o nascimento da cidade de João Monlevade, como se passasse através de um filme em rápidas imagens.
O tempo passava com uma rapidez fantástica e desci na Fazenda Solar de Monlevade e perguntei a um escravo que por mim passou quem era aquele homem, nobre, aparentando uns 28 anos de idade, e em que ano eles estavam. O escravo, chamado Inocêncio, disse que se tratava de Jean Antoine Felix Dissandes de Monlevade, que havia chegado ao Brasil em 1817 e era recém-formado em Engenharia de Minas, que um homem empreendedor e que estava instalando uma fábrica de ferro...e que deixou muitos descendentes na cidade.
Observei ainda mais e vi uma quantidade enorme de outras pessoas, escravos, escravas e senhoras, todos indo e vindo de algum trabalho ou de algum passeio.
Olhei, fiquei encantada com as montanhas, o rio lá embaixo e soube que eu estava próximo ao arraial de São Miguel de Piracicaba, em Minas Gerais. Era uma paisagem que eu conhecia.
Analisei tudo ao meu redor e vi que o conhecimento que aquele homem troxera da Europa iria melhorar aquela região MINAS GERAIS. Pois com seus estudos, ele havia trazido com ele para o Brasil vários equipamentos comprados da Inglaterra, estava criando uma fábrica que estava começando a prosperar e se tornando a mais importantes no período imperial brasileiro. Tinha uma produção relativamente diversificada, enxadas, pregos e até freios para animais.
Mexi na máquina do tempo e agora estava em 1930 e pude perceber que aquela fábrica de ferro estava se transformando na Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira. Não sei quanto tempo fiquei naquele tempo, mas percebi que os funcionários da Belgo-Mineira eram acomodados em hotéis e alojamentos confortáveis, provisórios, construídos especialmente para eles, e, num imenso platô estava sendo ampliada as instalações da usina de Monlevade, aquela incialmente construida por João Monlevade. Acima e abaixo daquele platô, foram então surgindo as vilas residenciais, a partir das ruas Beira Rio e Siderúrgica, que ficavam entre a margem do Piracicaba e uma exuberante mata nativa.
O meu olhar se dirigiu para cima daquele núcleo pioneiro, vi novos conjuntos com nomes de grupos indígenas brasileiros - Tupis, Guaranis, Carijós, Caetés, Aimorés, Tamoios, Tabajaras e Tocantins, Cidade Alta. Do outro lado do rio, foram construídas a Tapajós, Paraúna, Tietê, Amazonas e Santa Cruz.
Aqueles nomes me chamaram a atenção e me lembrei que eu havia nascido exatamente ali na Rua Aimorés, e que naquela época eu morava na Rua Tabajajaras. Os conjuntos residenciais fervilhavam de gente por todos os lados: homens saindo para o trabalho, mulheres cuidando de seus afazeres domésticos, crianças indo para escola e outras brincando na rua.
Voei mais um pouco e vi próximo ao ribeirão Carneirinhos, as vilas Engenheiros, Tanque, Baú, Areia Preta e Pirineus. Olhei o relógio do tempo e vi registrado 1943, Monlevade com mais de 600 residências; olhei novamente, 1948, 1440, incomodada com a rapidez do tempo, olhei de novo e agora era 1952, com 2.500 residências, distribuídas em 19 núcleos residenciais. Todos com obras de infra-estrutura e serviços - redes de água e esgoto, estação de tratamento, abertura, calçamento e iluminação de ruas, rodovias vicinais, centro comercial, escolas, hospitais, hotéis - como o "Cassino" -, clubes, cinema, igreja e muitos outros equipamentos urbanos estruturais e sociais.
Algo me chama a atenção e vejo a assistência médica da cidade, numa área perto da Usina de Monlevade, onde estavam montados ambulatórios e centros médicos; acelerei a máquina mais ao norte e vi depois da montanha e, uma festa com a inauguração de um importante hospital: o Margarida. Considerado um dos mais bem equipados do Brasil, e notei alguém importante, era o então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitscheck, que, durante a inauguração, chamou o seu secretário de saúde e disse: "construa um desses em Belo Horizonte...".
Preocupada com meus pais e como iria sair daquela máquina do tempo e querendo ir embora, vejo a instalação de uma usina de beneficiamento de leite e um lactário, onde eram fornecidos aos funcionários leite às crianças de até um ano de idade e manteiga, com preço subsidiado. Observo uma menina parada diante do lactário, com a cestinha de garrafinhas de leite na mão, aquela garota era eu que buscava leite para os meus irmãos.
Na minha viagem, eu sabia que teria que ir para a escola, pois estava estudando e gostava muito disso; vi o Grupo Escolar Monlevade, e mais duas escolas primárias uma na Vila Tanque e a terceira no Tietê.
Neste momento observo bem e vejo homens se dirigindo a um curso profissionalizante, que havia começado a funcionar em 1942, SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Eram sonhadores e batalhadores que queriam melhorar a situação de vida de suas familias e, entre aquele grupo reconheço um, meu pai, que estava a procura de estudos, pois a Belgo-Mineira dava auxilio para isso. Este homem: Armindo Jerônimo da Mata que antes carregador de carvão na empresa, agora se preparando para crescer na vida.
Percebo, através de voo razante sobre a cidade que crescia e florescia, que a usina estava no alto de uma pequena esplanada e do outro lado havia uma construção fantástica, com o projeto entregue nas mãos de um jovem e talentoso urbanista chamado Lúcio Costa... era a Matriz de São José Operário, única Igreja do mundo em forma de “V”. Diz-se ainda ser a única em formato de cálice.
Olho novamente o relógio do tempo e percebo que estava em 1954, e vejo outra inauguração: Ginásio Monlevade, pois até então todos os jovens que queriam estudar tinham que ir para a capital ou outra cidade de Minas. Entre aqueles alunos daquela primeira turma estava ele lá novamente, Sr. Armindo.
Percebi que ainda tinha tempo e resolvi visitar a área de lazer daquela comunidade: um estádio de futebol e dois times - o Metalúrgico e o Belgo-Minas - além de clubes recreativos - o Social, o Ideal, o União Operária e o Grêmio Esportivo – que eram mantidos ou subvencionados pela empresa.
Através de voos razantes vejo estradas surgindo em todo vale do Rio Doce construida pela Belgo-Mineira, favorecendo em grande medida para a ocupação e a valorização econômica de toda a região. Surgiram prósperas cidades - Goiabal, Dionísio, Alfié, Grama, Santa Isabel, Ipatinga, Jaguarassu, Várzea da Palma e muitos outros.
Assim eu me conscientizei que, graças a este empreendimento de grande porte da Cia. Siderúrgica Belgo Mineira houve um desenvolvimento muito grande de toda a região do vale do Aço em Minas. Pois estava atraindo novos comerciantes, novos sonhadores, consequentemente, a criação de novos bairros ao redor da indústria, mais gente e mais trabalho.
Manobro a máquina do tempo e consigo aterizar em minha casa sã e salva. Levo um susto, acordo e percebo que foi um belo sonho. Monlevade agora estava prestes a dar mais uma arrancada para o seu crescimento e dar qualidade de vida aos seus habitantes.
Continuei a minha viagem só que agora acordada e hoje recordando através de minha memória vejo Monlevade nos anos dourados de 1960, Ideal Clube, Social Clube, grandes carnavai, grandes bailes com grandes orquestras. E é, também, a partir desda época que começa a surgir os primeiros movimentos políticos na colina verdejante de carneirinhos, pois a cidade começa a apontar para um crescimento estonteante.
Hoje, com 59 anos, morando longe de minha terra natal, me lembro de sua grandiosidade, pois eu mesma havia trabalhado na Belgo por 4 anos e meu pai se aponsentou nela. A usina, atualmente ARCELOR MITAL, é considerada uma das mais importantes do Brasil e foi relevante para o crescimento da cidade e seu sustento, porque é, indubitavelmente, a fonte de renda mais relevante para a cidade.
Mas foi a partir da emancipação política/social que a cidade se expandiu, tendo como primeiro prefeito Sr. Bolivar Cardoso da Silva, Wilson Alvarenga, Josué Henrique Dias, Antônio Gonçalves, Leonardo Diniz Dias, Dr. Lúcio Flávio Mesquita, Laércio José Ribeiro, Germim Loureiro, e atualmente Carlos Moreira.
Hoje ela é uma cidade próspera, com a seu centro comercial em Carneirinhos, pois todo aquele belo projeto arquitetônico que eu havia visto na minha viagem na máquina do tempo deu lugar va expansão da Usina de Monlevade.
Tenho muito orgulho de ser monlevadedense e não esqueço as minhas origens, pois sou filha de um grande guerreiro que adotou esta cidade para viver e construir a sua familia.
Sabe-se que a educação da cidade é uma das melhores do interior mineiro, como muitas escolas de Ensino Fundamental, Ensino Médio, e Cursos Superiores. Existem quatro escolas de ensino superior, Entre elas destacam-se a UFOP, e a UEMG. Estas são grandes responsáveis pela vinda de alunos de diferentes regiões. Há um aumento da circulação de renda graças aos estudantes que são obrigados a usufruir do comércio da cidade.
Assim das forjas Catalã de João Monlevade, passando pela Belgo-Mineira à ARCELOR MITAL surgiu UMa sociedade crítica, amiga, atuante e participativa que fez da cidade o que ela é hoje em dia. Surgindo, também, Carneirinhos com comércio, escolas, igrejas, supermercados aumentandio ainda mais a im portânciua do municipio para a região do Rio Piracicaba.
Por tudo isso, PARABÉNS MONLEVADE! Você é progressista e dá qualidade de vida aos seus filhos. Um dia voltarei para os suas montanhas!
MUITAS SAUDADES!