

Armindo Jerônimo da Mata nasceu em 30 de setembro de 1926 em Nova Era, MG, casou-se em 28 de fevereiro de 1949 com Maria S. da Mata, nascida em 19 de janeiro de 1929 em Alvinopólis, MG. Chegaram a festejar as bodas de ouro em 1999 no Social Clube na presença de amigos e parentes. Tiveram onze filhos, sendo 5 mulheres e seis homens, sendo que um, Luiz, morreu em 2003.
VOU NARRAR-LHES A VIDA DELES:
Meu pai, filho de meieiro (pessoa que trabalha na roça e planta a meio com o fazendeiro) João Raimundo da Mata e Jovelina dos Anjos de Souza. Meus avós viviam na terra dos outros com grandes dificuldades, e um dia, trabalhando na roça, ela sentiu as dores de parto e sem tempo de ir para casa, deitou-se debaixo de uma mangueira e deu a luz o meu pai.
Meu pai foi crescendo no meio da pobreza e necessidades.
Era um menino bonito, esperto, inteligente e trabalhador, com mais 3 irmãos.
Aos 11 anos, querendo ajudar os meus avós, foi trabalhar na cidade de Nova Era, numa marcenaria, a fim de ajudar no sustento da casa, pois a familia vivia um grave problema financeiro.
Ainda adolescente e com a preocupação constante com a familia, com 15 anos, foi para Conceição do Mato Dentro trabalhar num posto de vigia no meio do mato. Ficava sozinho à noite, onde, muitas vezes, onças arranhavam a porta, fazendo com que o medo lhe invadisse o coração e a mente. Meu avô quando ficou sabendo de sua situação, vendo o seu grande sofrimento o levou de volta, mas ele continuava com a idéia fixa de que tinha que trabalhar para melhorar a vida de todos.
Foi então para Monlevade procurar emprego na Belgo Mineira, começando a trabalhar como carvoeiro, descarregava e carregava caminhões de carvão o dia inteiro.
Como gostava muito de futebol, começou a se entrosar neste meio e se destacou jogando no Metalúsgico da cidade. Ele contava que chegou a ser convidado para treinar no Atlético Mineiro, mas desistiu porque na época eu já tinha nascido.
Algum tempo depois ele foi a Nova Era buscar meu avô, minha avó, Tia Maria, Tia Celina e Tio Joãozinho, onde passaram a morar num barraco simples na Pedreira, bairro localizado no alto do morro onde há muitas pedras até hoje.
Sua diversão de jovem era somente o futebol. Foi obrigado a se tornar adulto antes da hora, pois o sofrimento e a necessidade o levou a isso.
Foi, então, na Pedreira que ele conheceu a minha mãe. Moça inteligente, bonita e alegre, descedentes de portugueses, era também pobre, mas não tanto quanto a familia de meu pai. Filha única entre dois irmãos, criada com muito mimo e cuidado por meu avô: Antônio Justino de Souza, marceneiro, considerado artista na madeira, ela não tinha mãe, pois minha avó, Enedina Linhares de Souza, havia morrido de parto aos 33 anos, deixando-a com 11 anos de idade. Nesta época, meu avô materno, na Pedreira, era considerado rico, tendo a melhor casa; dá para perceber o nível de pobreza que viviam os outros moradores.
Assim, meu pai conheceu minha mãe neste bairro. Certa vez ele me disse que ele ficava com vergonha porque achava que minha mãe fosse rica.
O meu avô sabendo do namoro com meu pai quis deixá-la longe dele, voltou a viver em Alvinópolis, MG, onde minha mãe arranjou emprego numa Fábrica de Tecidos, que até hoje funciona lá na cidade, mas não adiantou muito, pois meu pai foi atrás dela. Minha mãe era uma moça extremamente extrovertida, brincalhona e chamava a atenção de todos pela sua vivacidade. Quando meu pai ia jogar futebol em Alvinópolis, eles aproveitaravam para namorar.
Nesta ocasião havia uma turca que morava na cidade e se apaixonou por meu pai e começou a perseguir e ameaçar a minha mãe para terminar o namoro para ficar com ele, mas meu pai nunca a quis, sempre foi apaixonado por minha mãe. E como minha mãe não era covarde e não aceitava provocação. Um dia a turca estava esperando-a, tentou bater nela, como ela estava com duas colegas, quem acabou apanhando foi a turca que levou uma surra, sendo inclusive jogada dentro de um córrego que passava perto. Mas a rival não desistiu.
Meus pais ficaram noivos e no dia do casamento ela apareceu e jogou lança-perfume nos olhos de minha mãe, visto ser época de carnaval. Minha mãe quis pegá-la, mas foi segurada por meu pai e ela acabou deixando pra lá, porque aquela guerra ela saía vencedora.
O incidente passou e meus pais foram morar em Monlevade, indo a cavalo, numa época de chuva e foram morar na Rua Aimorés, numa casa bem construida se comparada com as outras casas que meu pai havia morado, aí eu e Sônia nascemos.
Nesta mesma época, meu pai havia conseguido outra casa da Belgo e um emprego para Tio Joãozinho, na Rua Tamoios, onde ele colocou meu avô, minha avó e meus tios para morarem, mas ele ainda continuava como arrimo de familia, pois nesta época meu avô estava muito doente e não trabalhava mais, vindo a falecer em 1950 quando eu nasci.
Como meu pai não queria continuar carregador de carvão, fez SENAI e se tornou torneiro mecânico, indo trabalhar na mecânica da empresa.
Meu pai cuidou de minha avó e de minhas tias até o casamento das mesmas.
Quando eu estava com 2 anos e 8 meses a familia mudou para a Rua Tabajaras, 484, e aí os filhos começaram a nascer: chegou Rosarinha, Selma, Henrique, Anchieta, Luiz, Armindo Filho, Rui.
Em 1954 meu pai entrou para a primeira turma do Ginásio Monlevade, se destacando com sua inteligência e esforço. Estudava pela manhã, trabalhava na empresa de 15 às 23 horas todos os dias. O tempo foi passando. Não era fácil, estudar, trabalhar, cuidar de uma familia grande, da mãe e das irmãs. Além do mais meu avô materno havia ficado viúvo de novo e estava morando em nossa casa na Tabajaras, com 4 filhos: Hélio, Carlos, Maria e Rita.
Ainda, quando ele estava estudando em casa, eu e Sônia não o deixávamos em paz, sempre penduradas no pescoço dele. Em 1958 ele se formou.
Assim que se formou foi convidado pela direção do Ginásio, Padre Higino de Freitas, para dar aulas de matemática, pois havia se destacado como execelente aluno. A partir deste dia ele começou a fazer cursos de especializações em matemática, chegando a fazer um espécie de "faculdade à distãncia" em Juiz de Fora. E para melhorar ainda mais a renda da familia ele dava aulas também no Colégio Kennedy de Padre Henriques, Carneirinhos.
Apesar de melhoria na condição de vida, à noite ele dava aulas de alfabetização para adultos, sem cobrar nada, tornando-se conhecido em toda a cidade. Como ele havia melhorado consideravelmente de vida, a Belgo Mineira ofereceu uma casa na Rua Siderúrgica, 44, onde moravam os altos funcionários da empresa, a elite.
Aí na Rua Siderúrgica nasceu Claúdio, meu irmão.
O Ginásio deu a ele, então, a cantina da escola, onde minha mãe fazia pastéis, bolo, café etc, vendendo para os alunos, eu e Carlos (morou dos 8 anos aos 15 anos conosco), meu tio, na época morando com a gente, ajudávamos vendendo na cantina.
Em 1966 mudamos para a Vila Tanque, ele estava agora comprando uma casa grande e confortável para a familia, nesta época nasceu a minha irmã Renata.
SR. ARMINDO AJUDAVA A TODOS, a familia dele, a familia de minha mãe, os pobres da cidade... era um homem muito caridoso. Quando se aposentou em 1979, dedicou-se, exclusivamente, a ajudar os necessitados de Monlevade, construindo barracos junto com o pessoal do São Vicente de Paula.
Em 1994 recebeu, no dia 31 de março, o título de CIDADÃO HONORÁRIO DA CIDADE. Foi sempre um home com H maiúsculo, honesto, sério e direito.Por ocasião de sua morte em 2003, ele deixou viúva, 11 filhos, 25 netos e uma bisneta.
No principio mencionei a Turca. Pois bem: ela continuou durante toda a vida a perseguir meu pai e a querê-lo, mas ele continuou fiel à minha mãe. Um dia em 2001, ela teve a coragem de telefonar de São Paulo convidando-o para ir morar com ela, mas ele a renegou mais uma vez.
Foram um casal de vencedores, apesar de problemas. SAUDADES!

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