
São intocáveis as razões do coração,
São nebulosas as minhas lembranças,
São infinitas as dores da alma,
São longas as minhas madrugadas.
Madrugada fria, impávida e escura!
Nela, há um silêncio profundo,
Silêncio de morte tímida e pálida,
Enfeitiçada na tristeza sem fim.
Triste e sem fim também é o meu coração,
Que vive enclausurado na minha lágrima,
Que teima em cair pela saudade mágica,
De tudo que já passou e náufraga virei.
.
Mas náufraga não quero ser,
Pois há um pássaro que deseja voar
Dentro de mim...
Há uma princesa pálida na floresta do meu coração.
Na vida já fui jardim e já criei rosas,
Cravos e malmequeres,
Já fui deserto e areia tomou conta do meu coração
Que ficou seco e sem luz...
Já fui montanha e estive bem perto do céu.
Hoje sou pequena estrada,
De caminhos longos e tortuosos,
Onde me perco com frequencia...
Mas queria ser o raio de sol, o mais belo,
O mais dourado e quente,
Ao mesmo tempo ser água cristalina
Que rola pelas encostas para sempre...
Monlevade, 1990
Vera da Mata


