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quarta-feira, 6 de julho de 2011

E agora?




Ceticismo, assombro!
Coisas inacreditáveis
À tona estão vindo.
Filho matando pai,
Mãe matando filha,
Governo enganando o povo,
Irmão contra irmão.

Espanto, miséria!
Dores humanas ...
Enganos, roubos,
Povo sem educação e saúde...
Políticos espertos demais,
Povo por demais alienado,
Demais estão na insensatez.

Burrice, tiro no pé...
Indignar? Sofrer?
O que fazer?
Violência demais,
Insensibilidade demais,
Egoismo demais,
Alienação demais,

O mundo é assim?
Assim é a vida?
Onde está a responsabilidade?
Onde está a solidariedade?
Onde está a segurança?
Omissos estamos a andar...
Pai, mãe, educador.

Começo a ter medo
E agora?


Vera da  Mata
4 de julho de 2011

quinta-feira, 30 de junho de 2011

QUEBRA-CABEÇA



Sou quebra-cabeça de mim mesma.
Sou pedaço, sou inteira.
Sou mistério, sou humana.
Minha voz secreta grita,
Grita para meu coração:
"Quem é você?

Sou quebra-cabeça de mim mesma.
Sou pedaço de alegria, sou pedaço de tristeza,
Sou coração de terra boa, sou amor.
Mas o grito que grita em mim pergunta:
"Quem é você?

Sou quebra-cabeça de mim mesma.
Quero ser ternura, ser perdão,
Ser humildade, ser retidão.
Mas a imperfeição que em mim reina, pergunta:
"Quem é voce?

Sou quebra-cabeça de mim mesma.
Sou ilusão, sou solidão,
Quero que a prudência cure meu eu,
Quero que o amor dignifique a minha alma,
Fortalece-me, Senhor!
Quero ser inteira,
E compor meu quebra-cabeça.

Vera da Mata
João Monlevade, 15 de junho de 2011


segunda-feira, 6 de junho de 2011

PARA MEU PAI!



Tu que dormes, oh meu pai!
Dormes nas sombras dos meus olhos,
Dormes na lembrança do meu sonho!
Estás longe da luta.
Estás longa da dor.
Estás longe da ilusão.

Queria tando que voltasses,
acordasses...
Deste teu semblante sereno.
Escutas! Te chamo!
Tuas canções estão tocando,
Os pássaros estão voando.
Os raios de sol ainda brilham.
Só o brilho do teu olhar verde
Estão apagados para sempre.

Pai! a noite pesa e me esmaga,
Sinto muita a tua ausência!
Sinto saudade e dor!

VC, 6/5/2011
Vera da Mata

sexta-feira, 3 de junho de 2011

O GOSTO DE MEUS OLHOS



Meus olhos gostam do tempo,
Gostam do sol que brilha,
Gostam da chuva que cai devagar,
Gostam da sombra da noite,
Gostam do amanhecer do novo dia.
Gostam da esperança no seu olhar.

Meus olhos gostam da nuvem branca
Que viaja pelo céu azul
Em forma de bichos e plantas.
Gostam do som da cachoeira
Que geme copiosa na fonte,
Sobre pedras brancas e lisas.

Meus olhos gostam de cores fortes,
Gostam de flores perfumadas,
Gostam do verde das florestas,
Gostam das cores dos pássaros.
Gostam do sussurrar da brisa.
Gostam das estrelas, dos céus,
Do mar, da terra e dos bichos.

Meus olhos gostam dos sonhos,
Gostam das folhas murmurando ao sabor do vento.
Gostam das brincadeiras dos gatinhos na relva verde.
Gostam da flor que desabrocha no jardim.
Gostam da voz melodiosa dos amores.
Gostam da vontade inerente dos poetas.
Gostam da sinceridade das crianças.
Gostam do vôo raso do gavião.

Meus olhos estão quase extasiados de ver:
As crianças, os jovens na sua procura pela vida,
Nas veredas das estradas a correr.
Vi muita tristeza também.
Amei o amor, a inocência,
As flores e as justiças.


Hoje na velhice prudente - manias tenho,
Da juventude - só lembranças,
Da terra – só a beleza e dor,
Dos amigos – saudades.
Dos irmãos e irmãs - sinto falta.
Da vida – apenas medo e aflição.

BRUMADO, 3 DE JUNHO DE 2001

VERA DA MATA

segunda-feira, 30 de maio de 2011

GENTE... EU VI!





O sol nascer e a lua chegar,
Vi tantas coisas que ainda sei...

Eu vi a guerra fria.
A guerra do Vietnã.
A morte de Kennedy.
A revolução de 64
E os generais tomarem conta do Brasil.
O fim dos Beatles,
A morte de John Lennon.

Vi também a prisão de Mandela
E o fim do apartheid.
O preconceito racial
E a morte de Martin Luther King.
Mas ainda vi o fim do comunismo,
E a queda do muro de Berlin,
Vi tsunamis, terremotos,
Enchentes, secas  e mortes.

Mas o que melhor vi:
A chuva na montanha.
Vi o olhar de minha mãe!
A caminhada de meu pai!
O nascimento de meus irmãos
E a chegada de meus filhos.

Vi o rio que corre sem parar.
O bater das ondas do mar.
O coaxar dos sapos.
O vôo dos pássaros.
As brincadeiras de meus netos
E o brilho do seu olhar!

VERA DA MATA
VC, 26/5/2011

domingo, 29 de maio de 2011

ESPELHO DE MIM MESMA



Sou espelho de mim mesma!
E meu eu reflete no espelho.

O espelho me reflete!
Meus olhos são estranhos
Estão distantes!...
Não são mais os mesmos.
No espelho eles são corajosos
E esparançosos.
Fora do espelho são medrosos
E solitários.

Ninguém vê a sua tristeza!
Ninguém vê sua dor!
Somente o espelho os veem...
Quando do espelho eu me afasto,
Lá ficaram os olhos lá refletidos,
Cá ... a dor de sua imagem!

Guardo meu olhar de criança,
de adolescente e de adulta,
guardo o olhar de mim mesma.
Guardo o tempo
E o vento que por mim passaram.
Guardo a imagem apagada de mim mesma!

Espelho, espelho meu!
Em que estrela foi parar os olhos meus?

Vera da Mata

VC, 05/05/2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

AMOR...


Amar e ser amado!
Eis a questão!
Amar é anelo do belo,
É sonho da cor,
É ardente esperança
De felicidade.

É noite acordada em desvelo,
É brasa abrasadora,
É fogo do pensamento.
É sentir sob o alento
Desejo e sonho!

É mirar na alma de alguém!
É sentimento puro,
Que nos invade...
Para sempre...
Sem pedir licença.

Vera da Mata

18 de maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

DESPERTAR DOS SONHOS!



Ah que saudade eu tenho!
Da minha adolescência,
Do grêmio, da siderúrgica,
Do colégio e do coral.

Belos eram meus dias!
Sonhos e esperança tinha.

O mar era só um sonho.
O céu era azul e branco.
O planeta era pequeno.
O mundo dourado e fagueiro.
Cor de rosa era o futuro.



A vida era risonha.
Estudo, trabalho e música.
Que saudade!

Era a lua beijando os morros.
O sol beijando as folhas.
Debaixo das amoreiras.
Por entre as bananeiras.
Que saudade!

Vera da Mata
VC, 5/05/2011

quinta-feira, 14 de abril de 2011

SIMPLESMENTE MARIA



Do hebraico – senhora e soberana
Na minha vida - mãe e companheira.
Tem serenidade, força vital,
vontade de viver...
Problemas? ... Não faltaram.
A dor? Agüentou no limite.


Ela não foi o que quis.
As dificuldades?
Fizeram-na forte!
As tristezas?
Fizeram-na humana!
A esperança?
Fizeram-na feliz!

Apesar dos pesares,
É alegre e comunicativa.

Maria - afetuosa e carinhosa,
Da voz mais melodiosa
Que dos sabiás.
Trabalhadora e sábia,
Paciente e competente.

MARIA – AMAR.
Guerreira. Lutadora.
Humilde e inteligente
Que bom que a minha Maria
É a pessoa que é!
Já deu 83 voltas ao redor do sol...

Vera da Mata

VC, 14/04/2011

MENINA SELVAGEM




Era uma menina livre e presa
Aos sonhos e ilusões.
Era selvagem ao seu modo,
Pois acompanhada de pássaros,
matas e bichos,
Trazia na vida uma gigante
Mangueira, que escorrida
nas faces, mangas maduras
Manchavam seu rosto e sua roupa.
Seus cabelos, molhados e
tocados de brisa,
brincavam com o vento.

A menina selvagem carregava
Em seus olhos verdes e profundos,
Brincadeiras, artes e imaginação.
Alimentava aves,
Escorregava morros...
E há de relance, no seu riso,
aço, goiaba e mangas.

VERA DA MATA
03/04/2011



terça-feira, 12 de abril de 2011

RENATA



Do latim - renascida,
forte, leal e decidida.
Amo você como alguém que ama o amor.
Desde que nasceu...
Sua importância para mim é vital.
Não conheço outra razão nesta vida,
Senão amá-la como sempre amei.

O que quer que eu lhe diga?
Senão que te amo para sempre!
Amor não se vê com olhos,
Mas com sentimentos d´alma.
Nem o sol, nem a distância,
Nem as estrelas e nem a lua
Serão capazes de nos separar!

Vera da Mata
VC, 11 de abril de 2011

sexta-feira, 25 de março de 2011

SOMBRA DE SEUS OLHOS


Ontem fechei os olhos
Fui muito longe e tão tarde!
Sob à sombra dos olhos seus,
Parei nas águas de meus sonhos.
Eram águas profundas,
Amargas e escuras.

Lá ... mirei meus olhos
Que juntos com os seus - voaram
Na madrugada fria
Onde os pássaros noturnos voam
E não cantam.

Cantando pus-me a esperar.
Esperar a doce luz do silêncio
Que vi em seu olhar.
Procurei em vão pela terra,
perto do céu, por sobre o mar.
Mas no mar nada encontrei...
Só vi a solidão,
Que vive a me castigar.

Quando os olhos eu fechar,
Pode ser que eles não queiram ...
Pois espero que o tempo volte,
Nas lembranças, na vida, nos netos,
perto do céu, por sobre o mar,
Na terra e no tempo que voltar.

Vera da Mata
VC, 25/03/2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

ELIMINANDO O PESO INÚTIL



Não devemos carregar o inútil:
coisas velhas que não servem mais,
roupa usada, fora de moda.
Precisamos limpar nossos armários
nossas gavetas,
nossos corações
nossas almas.

Não carreguemos o inútil!
Porque assim não teremos espaço pro novo.
O bem precisa circular,
Coisas inúteis amarram nossas vidas!

Não guardemos mágoas,
nem dores das decepções.
Os ressentimentos,
as tristezas e as mágoas
longe ficarão!

É preciso criar espaços,
para que as coisas boas cheguem e fiquem.
Só com a força do vazio
O bem chegará...

Vera da Mata
VC, 14/03/11

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

LUZ



Chegaste em nossa vida
Com muita luz – Luiz
Vieste pelos braços do destino
Cair em nosso coração.
Tu és flor em forma de criança,
Crescerás na vida da gente.

Teu sorriso é promissor,
Teu olhar é doce e meigo
Vieste enfeitar nossos sonhos
Pelas frestas da esperança,
No acalanto de amanhã que virá.
Teu amor é acolhedor,
És detentor de luz,
Luz que iluminas!
Alegria que contagias!
Amor de nossa vida!

Vera da Mata
20/11/2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DE COPIAPÓ PARA A LUZ

Falar de Copiapó
Ninguém nunca ouviu
Localizada perto do deserto
Na Atacama ela surgiu.

Grande riqueza mineral
na sua terra é constante,
Mas a tragédia
Em agosto apareceu.

Trinta e três homens
Presos no seio da terra,
Sem luz e sem esperança
Esperavam a salvação.

Setenta dias confinados
Num espaço pequeno,
Úmido e escuro
Quente a abafado também.

Mundo todo olhou
Para o acidente de lá,
Angústia, pesadelos
Temores e preocupações de cá.

Setecentos metros distantes
Do chão do deserto de Atacama,
Cá em cima calor e frio,
Lá embaixo, dúvidas e calor.

A data treze de outubro
Na mente do mundo ficará,
Dia de muita alegria
E solidariedade aqui e acolá.

Mineiros, o mundo lhe é solidário,
Na dor e nos sonhos,
Em todos os seus momentos solitários,
E na luta pela sobrevivência e desejos!

Festejos, encontrarão
Abraços, serão muitos,
Mas dias muito duros virão
Na montanha russa das emoções. .

Dentro de sua tragédia, mineiros,
Não adianta orgulho ou vaidade
Descobri o quão frágeis somos,
Acidentes podem vir de repente!

Estavam esperando a morte,
Num lugar de desilusão,
Com um pouco de atum e de leite
Souberam esperar pela luz!


VERA DA MATA
14/10/2010