quinta-feira, 23 de setembro de 2010

SIMPLESMENTE MARIA

Minha vida sempre foi intercalada de brincadeiras em casa, no quintal e na escola na companhia de uma MARIA . Junto com meus irmãos tivemos uma infância recheada de rodas, piques-esconde, pipas, gangorras de cipó, comidinha no quintal. Mas a vida nos apresenta estradas e me separou de minha MARIA. Mãe amorosa, responsável que fez tudo que podia para sermos felizes e crescessemos saudáveis e fortes. E neste caminho que ando, na medida que amadureço, começo a enxergar a dor e a solidão de minha mãe. Ela não nos proibia de brincar, fosse no quintal, dentro de casa ou na rua, bastava que para isso meu pai não estivesse em casa. Mas apesar de seus esforços crescíamos entre brigas e discussões. Eu repudiava as brigas, os medos e a solidão dela. E neste ambiente ambíguo, ou seja, de duas vertentes: de um lado a honestidade, a religião, a disciplina, do outro, a gritaria, os excessos e a solidão de minha mãe. A angústia era a minha companheira constante! Angustia do medo! Angústia do choro de minha mãe com uma fralda nos ombros, sentada à janela com seu olhar triste e distante! Angústia do domínio. Assim cresci num ambiente nebuloso de sonhos interrompidos. A pequena pessoa que estava em mim vivia angustiada por não poder ajudar além do pouco que fazia, eram controvérsias e hereditariedade que lutavam em mim, às vezes, ganhava a solidão, às vezes a injustiça. Sempre admirei a minha mãe. Mulher sem estudo. Guerreira. Lutadora. Humilde. Sempre inteligente, tinha resposta para tudo na vida. Quando eu estava adolescente e trabalhava na Belgo-Mineira, na hora do almoço, sentávamos no meu quarto e conversávamos. Ela tentava se desabafar, contar as suas desilusões e eu sem experiência da vida não a compreendia totalmente, apesar de saber que ela tinha todas as razões de queixa deste mundo. Hoje sinto o que ela passou. E ainda bem que Deus permitiu que ela vivesse alguns anos além da desilusão, para realizar alguns de seus sonhos. Pois, quando eu tinha 15 anos, por exemplo, eu queria ser freira, ir para um convento. Hoje penso que foi melhor para mim e para a sociedade eu não ter ido. Se eu me tivesse me tornado freira, não teria tido os meus filhos e não teria vivido a vida que vivi. Não teria visto a minha mãe envelhecer. Que bom que a minha mãe é a pessoa que é! Arrependimentos! Tenho muitos... muitos mesmos. Se eu pudesse voltar a minha vida atrás, certamente, metade do que fiz, não faria. Os anos passaram. Sol e luas se encontraram. A vida se transformou numa fotografia amarelada pelo tempo, sem dedicatória. E minha mãe se transformou numa anciã de cabeça branca! Linda! Cheia de experiência e sem paciência com as voltas na vida. Ela passou por muitas auroras e por muitas noites em sua solidão. Quando ela era criança, sua mãe morreu, ela tinha apenas 11 anos. Pequena, órfão de mãe, recebeu como herança do pai apenas o amor e o carinho dispensados a ela, além do nome. Meu avô, carpinteiro de mão cheia, homem bondoso de olhos azuis, baixinho, gordinho, de voz suave e grave, era o encanto de sua vida. Amor eterno! Viviam num casebre humilde na Pedreira em Monlevade. Ainda criança, tomava conta da casa, juntamente com uma irmã de criação, Nazinha e de meu avô e meus tios Inhô e Jacy. Entre sofrimento, ilusão e saudade ela tornou-se uma moça alegre e comunicativa, apesar da dor. Mas meu avô casou-se de novo. Isso despertou o seu ciúme e saudade. Sua mãe estava sendo substituída. Impossível. Entrava em sua vida uma mulher diferente e desconhecida que se tornaria da noite para o dia em sua madrasta. Não queria que ninguém ocupasse o lugar de sua mãe Enedina Linhares de Souza, mulher que foi embora com 33 anos de idade. Mas a vida lhe pregava mais uma peça e os anos de convivência com esta nova pessoa lhe havia de trazer muita dor e brigas. Ainda bem jovem foi trabalhar numa fábrica de tecidos em Alvinópolis. Quando chegava não tinha o pai só para si mais, mas tinha que dividi-lo com mais alguém, mais alguém, mais alguém... Ela havia se desabrochado longe de sua mãe! Agora era obrigada e crescer ao lado de uma mulher que mal conhecia e que havia tomado o lugar da pessoa que mais amou na vida. Dessa forma as agitações da vida a fez exilada em seus sentimentos, em seus maiores sonhos! A solidão tornou-se a sua companheira. Mas seu caminho de sofrimento havia, pouco a pouco, de se modificar, pois conhecera meu pai e com ele iria viver seus próximos quase 60 anos. Teve onze filhos. Esperança. Ilusão. Solidão. Ela sempre sorriu com sorriso manso e triste. Só uma vez a vi rir às gargalhadas e contar uma piada. Jamais me esquecerei daquele dia em que ela ria e não conseguia acabar de contar a anedota. Morava em Monlevade, no bairro República. Assim sempre foi Maria Souza da Mata, antes Maria Linhares de Souza, ou simplesmente Maria de Armindo, ...MARIA...tudo aconteceu com ela. Parece que foi só um minuto. Ma já fazem 83 anos. Vera da Mata Vitória da Conquista, 20 de setembro de 2010.

Pensamentos e reflexões...

"Não conte a ninguém tudo que se passa ou sente em sua vida. Pois se foram coisas boas não acreditarão e se forem coisas ruins acreditarão prontamente." Vera da Mata



"Não pense no fracasso! Esquece as mágoas! Nem sempre é fácil. Eu decidi que a minha vontade de vencer será sempe mais forte do que minha angústia."
Vera da Mata

"Cuidado com a única vida das pessoas que passam pela sua única vida. Cuide delas, pois assim preservará o que há de melhor em você: o amor". Vera da Mata


"A maior dor que sentimos não é a solidão, mas é a presença e a indiferença da pessoa amada. Pois o amor quando vai embora, leva também a convivência e deixa ausência, fisica e espiritual".
Vera da Mata





SESSENTA VOLTAS AO REDOR DO SOL


Foi num dia de sol muito forte e em pleno verão que vim ao mundo. Era no dia 14 de janeiro de um ano qualquer, cheguei a este mundo logo depois do término da segunda guerra, num planeta modificado e destruído pelos seus próprios habitantes, com reflexos bastante visíveis até os dias presentes.
Já dei sessenta volta ao redor do sol, não sei quantas vezes já vi a lua cheia nascer, se por, ir embora e surgir novamente.
Sessenta vezes acompanhei o nosso planeta na sua trajetória anual. Acompanhei as estrelas em todos seus movimentos. Vi a Três Marias brilharem e piscarem para mim. Olhava-as desde criança com olhar de quem pergunta o segredo da vida e da morte, da luz e da escuridão, de todos os mistérios. Minha alma nas sessenta vezes que fiz esta viagem, indagou sobre os segredos dos ventos e flores. Há sessenta anos o vento escreveu uma palavra a meu respeito neste mundo terrível e estranho. Não sei qual foi, mas sei que ainda tento desvendar este mistério para descobri-lo.
O dia que nasci ergue-se em mim como uma cortina que me cerca, que me sufoca, que faz minha alma procurar a alegria e a tristeza, o amor e o ódio. São recordações que tumultuam a minha existência, que me impedem, às vezes, de seguir em frente. Meu pensamento percorri os quatro cantos do mundo e me envolvem com uma saudade tão grande, que meu coração chega a doer. Dor de solidão. De recordações. De pessoas que se foram de minha vida. Os rostos pálidos que ficaram na minha lembrança, enrugados pelo tempo só alimentam esta minha sensação. Mas vejo-os, novamente, em mim numa melodia triste e melancólica.
Nestas sessenta voltas, as mesmas pessoas e coisas que amei quando criança continuo a amar, apesar da distância e do tempo. Pessoas novas surgiram. Continuarei a amar até o fim de minha vida. O amor para mim é tudo. O amor é o segredo da boa vida. Amor pela minha linda mãe, que muito amou e sofreu nestas suas oitenta e três voltas ao redor do sol. Amor incondicional e de aceitação total pelo meu pai, pelas suas poucas e corridas setenta e sete voltas, que poderia ter percorrido a sua viagem em mais voltas, mais a sua pressa em correr o fez parar.
Amor eterno pelos meus irmãos, todos, desde Sônia, Selma, Zarinha, Henrique, Anchieta, Luiz, Armindo, Rui, Cláudio e Renata, cada um com a sua quantidade de voltas na sua viagem ao redor do sol e das estrelas, na sua afobação pela vida, na sua corrida atrás do sol e do vento, na criação dos filhos, no respeito pela vida e pela família. Exceto, meu irmão Luiz que desistiu de sua viagem na sua quadragésima terceira volta, apeando da vida e dos sonhos. Este amou a morte e desejou-a muitas vezes por falta de coragem para ir em frente, ele a chamava com voz suave da bebida.
Amor incondicional aos meus filhos: Elaine, Andreia, Denise e Marcelo. Eles contribuíram imensamente para aumentar a minha paixão por tudo e desenvolver a minha ternura e carinho. Desejei-os. Esperei-os. Criei-os. Amei-os com todos os seus defeitos e qualidades, com todos os seus sonhos e ilusões.
Enquanto eles cresciam, alicercei a minha felicidade. Pois cada manhã eu me sentia mais feliz e preocupada por tê-los ao meu lado como sombra transparente de mim mesma. Não sei acertei ou errei, sei que fiz o melhor de mim mesma. A minha alma sempre sussurrou “A felicidade nasce e cresce dentro e fora de mim”. E quando abri os olhos para enxergar a minha felicidade vi quatro espelhos de mim mesma, cada um do seu jeito.
Assim se passaram as sessenta voltas ao redor do sol, não sei quantas viagens ainda farei, mas seja quantas forem as farei valer a pena. Sei que daqui para frente meus dias se esgotarão depressa, assim como as folhas caem das árvores no outono, eu sairei da vida. Fraca e silenciosamente. Minhas estações já produziram algumas coisas e espero que sejam para a perpetuação da vida.
Hoje, somente medito e relembro da viagem que já fiz, da distância que percorri. Olho para todos os lados e vejo a realização de meu passado que merece ser apontados diante do sol. Produzi pessoas, amor, ilusão, todos feitos de linhas emaranhadas na vida, como um algodão doce! Foram feitos também de esperança de luas harmônicas e felizes. Semeie meus pensamentos, meu amor, meu carinho, meus sois, minhas estrelas em meus sonhos e emoções, como um semeador enterra as suas sementes na terra e espera a frutificação. Semei na esperança no meu coração meio desiludido pela vida.
Sento-me, muitas vezes, num banco de meu quintal e medito sobre a beleza das plantas, dos bichos e do espaço, cheio de imagens e de tesouros perdidos e escondidos, maravilhas sempre em movimento, sempre espumante como a onda do mar. Olho para a vida e vejo que ela é bela. Todos os elementos dela são governados por leis imutáveis que determinam a sua atração ou repulsão nos movimentos na sua volta ao sol. Vejo todas as coisas, medito e me lembro que nas minhas sessenta voltas ao redor do sol, nos elementos visíveis e invisíveis que se passaram por ela, sei que a insondável vida está a minha espera. Sinto a movimentação e um ruído de sons e harmonias que interferem nas minhas viagens.
As asas de minha imaginação voam e voltam, chegam e vão. Elas vão ao céu e chegam ao inferno e retornam sempre com um pouco mais de mim mesma. E quando vou, as minhas mais profundas sensações e questionamentos voltam sem luz, sem sol e sem estrela!
E agora atinjo uma etapa de minha vida que aparece como um nevoeiro que, às vezes, me impede de ver o sol e as minhas estrelas que tanto amo. Nevoeiro de lamentações. Nevoeiro de ilusão. Nevoeiro de promessas. Meu coração bate. Reclama. Ri. Mas insiste de cabeça erguida a viver nas nuvens na esperança de descobrir o sol e continuar nas minhas voltas até me cansar.

Vera Lúcia da Mata Lula
Vitória da Conquista, 20 de setembro de 2010.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

MAIS DE "SEU" LUNGA...

Numa madrugada dessas, a mulher de Lunga teve um mal-estar, e gemendo acordou o marido:
- Lunguinha, Lunguinha, ta me dando uma coisa aqui...
- Então receba
- Mas Lunga, é uma coisa ruim...
- Então devolva!"

"Seu Lunga entrando em uma loja:
- Tem veneno pra rato?
- Tem! Vai levar? - Pergunta o balconista.
- Não, vou trazer os ratos pra comer aqui!!! - responde seu Lunga."

"Seu Lunga resolve andar um pouco e sai com seu chapéu grande e antigo. Durante sua caminhada ele resolve coçar a cabeça sem tirar o chapéu, então uma conhecida dele pergunta:
-Oxe seu Lunga, num tira o chapéu pra coçar o cabelo, não é?
Seu Lunga então responde:
-E a senhorita tira a calcinha pra coçar o tabaco?"

"O Seu Lunga consegue um emprego de motorista de ônibus. No primeiro dia de trabalho, já no final do dia, ele para o ônibus em um ponto. E uma mulher pergunta:
- Motorista, esse ônibus vai para a praia?
E o Seu Lunga responde:
- Se você conseguir um biquini que dê nele..."

"O Seu Lunga estava em casa e resolveu tomar um café:
- Mulher! Traz um café!
- É pra trazer na xícara?
- Não! Joga no chão e traz com o rodo!"

"Seu Lunga vinha chegando em sua casa com 1 litro de leite, quando uma pessoa perguntou:
-Seu Lunga, vai tomar um leitinho?
-Não, é pra lavar a calçada - Ele pegou, e jogou o leite na calçada."

"Seu Lunga tava cortando uns limões, quando passa sua mulher e pergunta:
-Esse limão é pra fazer suco?
-Não, é pra eu usar de colírio!"

"Seu Lunga estava chupando limão, quando cai um pouco no olho, quando passa alguém e pergunta:
-Ardeu, Seu Lunga?
-Não, mas vai arder é agora – Disse espremendo limão nos olhos."

"Seu Lunga estava na sua casa com sede. E manda seu sobrinho lhe trazer um pouco de leite. Daí o pobre do garoto pergunta:
-No copo Seu Lunga?
E seu Lunga responde - Não. Bota no chão vem empurrando com o rodo, fi de rapariga!!!"

"Seu Lunga estava no mercado com uma caixa de ovos. Daí perguntaram a ele:
- Comprando ovos Seu Lunga?
Dai Seu Lunga responde - Não - jogando um por um no chão - É traque!!!"

"Seu Lunga estava passeando na calçada com o cachorrinho. E lhe perguntam:
- Passeando com o cachorrinho Seu Lunga???
E Seu Lunga respondeu - Não. É meu passarinho - pegando o pobre podle pela coleira e fazendo ele voar."

"Seu Lunga estava num restaurante tomando sopa quando perguntam pra ele:
-Tomando sopa em Seu Lunga?
E seu Lunga responde levantando o prato de sopa e derramando em cima dele mesmo -Não, To tomando banho!!!!!!"

"O funcionário do banco veio avisar:
- Seu Lunga, a promissória venceu.
- Meu filho, pra mim podia ter perdido ou empatado. Não torço por nenhuma promissória."

"Um sujeito até a loja do Seu Lunga e pediu uma porca de determinado tamanho, seu Lunga respondeu:
- Procure naquela caixa.
E o sujeito começou a procurar e no meio de tantas peças nada de ele conseguir achar a porca que ele queria, então exausto falou para Seu Lunga:
- Seu Lunga, não consegui achar a porca...
Indignado, Seu Lunga foi até a caixa, procurou a tal porca e a achou, então virou-se para o rapaz e respondeu:
- Eu não te disse que a porca tava aqui fi duma égua!!! - e jogando a porca novamente na caixa e misturando com as outras peças diz - agora procura de novo direito que você acha!!!"

"O filho do Seu Lunga jogava futebol em um clube local, e um dia Seu Lunga foi assistir a um jogo de seu filho no estádio, e o sujeito sentado ao lado pergunta:
- Seu Lunga, qual dos jogadores ali é o seu filho.
Seu Lunga aponta e diz:
- É aquele ali...
- Aquele qual?
- Aquele ali!!!!
- Não tô vendo...
Então Seu Lunga "P" da vida pega uma pedra, joga em cima de seu filho e diz:
- É aquele alí que começou a chorar!!!"

"Seu Lunga no elevador (no subsolo-garagem).
Alguem pergunta: Sobe?
Seu Lunga: - Não, esse elevador anda de lado."

"Seu Lunga fumando um cigarro.
A pergunta: Ora, ora! Mas você gosta de fumar?
- Não, apagando o cigarro na língua diz, gosto de me queimar."

"Seu Lunga, quando jovem, se apresentou à marinha para a entrevista:
Você sabe nadar? Pergunta o oficial.
-Sei não senhor.
-Mas se não sabe nadar, como é que quer servir à marinha?
-Quer dizer que se eu fosse pra aeronáutica, tinha que saber voar!!"

"Seu Lunga vai saindo da farmácia, quando alguém pergunta:
Ta doente, seu Lunga?
- Quer dizer que seu fosse saindo do cemitério eu tava morto!!!"

"Entra um sujeito na sucata de Seu Lunga, escolhe um relógio um pouco velho e pergunta:
- Seu Lunga, esse relógio presta pra tomar banho?
- Eu prefiro um sabonete – Responde Seu Lunga."

"Seu Lunga dirigia seu carro tranqüilamente por uma estrada isolada, quando um dos pneus estourou. Ao constatar que ele não trouxera um macaco, pergunta uma pessoa que ia passando muito educadamente:
- Sabe onde eu acho a porra de um macaco?
- Lá naquela casa, lá longe - aponta o cidadão, encantado com tamanha fineza.
- Mas cuidado com aquele cara, ele é muito ignorante.
- Na escola que eu me formei, Virgulino Lampião foi reprovado por frouxura. - responde então Seu Lunga.
Depois de andar mais de 25km debaixo do sol escaldante do interior do Ceará, Seu Lunga finalmente chega à tal casa. Bateu na porta, então um homem abriu e gritou:
- PUTA QUE PARIU!!!!!! O que é que você quer, caralho!?!?!?!?!
- Pega a porra do macaco e soque no cú da sua mãe, fela da puta!!!!!!!"

"Seu lunga foi pegar um ônibus. . .quando o motorista pede sua carteira de identidade...vendo sua carteira de identidade, o motorista diz......
-essa carteira não é sua!
seu lunga responde:
-e esse ônibus é seu?"

"Um conhecido de Lunga pergunta: - E ae Seu Lunga, como anda? Seu Lunga responde sem olhar pra pessoa: - Com as pernas não aprendi a voar ainda."

"Seu Lunga andava com sua bota com par de esporas. Quando um amigo seu pergunta - e esse par de esporar?
Seu Lunga responde: - pra caçar rato! O rapaz pergunta, como?
Seu Lunga diz: - primeiro você põe um queijo no c... e quando o rato vier, você chuta de calcanhar o rato com as esporas.
Tem uma piada de Lunga
Sobre o leite na calçada
Certa manhã ele foi
Pegar sua vasilhada
Mas quando voltando vinha
Deu de cara c’uma vizinha
Que lhe fez pergunta errada

Ao passar por ele disse
“Hum, leitinho pra tomar?”
E ele foi logo queimando
O pavio sem azeitar
Pegou a lata e virou
Todo o leite derramou
“É pra calçada lavar!”

A Pescaria:
Seu Lunga sai de casa com a vara de pescar e um cestinho em direção a lagoa quando seu vizinho passa e fala:
- Indo pescar Seu Lunga? E seu Lunga responde:
- Não to indo jogar porrinha (quebrando em palitinhos a vara de pescar).

O cuscuz
Estava na hora do jantar então seu lunga falou pra empregada:

- Maria traga o leite. ai ela trouxe o leite.então seu lunga disse :
- Maria traga o cuscuz.aí ela trouxe o cuscuz.

Então seu lunga despejou um pouco de leite no cuscuz aí o cuscuz chupou o leite aí seu lunga olhou desconfiado e colocou mais leite no cuscuz então o cuscuz chupou o leite de novo então seu lunga já arretado pegou o prato com o cuscuz, jogou no rio e disse:

- Chupa isso ai agora seu misera !!!!

Se souber de mais causos, basta deixar um comentário ou entrar em contato.
Seu Lunga e o concorrente

Tendo chegado na cidade, para se estabelecer como borracheiro, um novo e sisudo habitante, e, exatamente na rua do Seu Lunga, o povo logo começou com o falatório. Não demorou muito, foram dizer para o Seu Lunga, que tinha chegado na cidade um cabra mais "ignorante" (*) do que ele.
Seu Lunga ficou louco. Não pode! Aqui o maior sou eu! Mas, tudo bem disse Seu Lunga, eu vou até mesmo precisar de um macaco para trocar o pneu do caminhão e o sujeito pode me emprestar.
O homem, por coincidência, se aproximava e quando já estava na calçada do Seu Lunga, este, aos gritos, disparou:
- Eu não preciso do seu macaco! E pode ir saindo da minha calçada!
(*) Ignorante tem em cearensês, também o sentido de grosseiro, estúpido, malcriado.

Seu Lunga no Rio de Janeiro

Seu Lunga gostava de viajar e foi conhecer o Rio de Janeiro. Isso, há muitos anos, quando aquela cidade já era, no entanto, muito grande e a nossa Fortaleza ainda muito pequena. Seu Lunga ficou maravilhado. No Rio tinha de tudo, lojas enormes, supermercados, ônibus elétricos etc.

Um carioca malandro achou então de tirar um sarro com o Seu Lunga e enquanto desfazia do Ceará, ia elogiando a sua cidade. Entre outras tolices afirmou:
- Aqui tem até hospital pra cachorro!
Seu Lunga, "puto da vida" , rebateu:
- Então é melhor o senhor nunca ir à minha terra!...


Coragem para viajar Numa conversa de bar, um coitado foi cair na besteira de dizer, na frente do Seu Lunga, que tinha coragem de viajar de avião, mas, de navio não, porque não sabia nadar.
Seu Lunga, no ato, perguntou:
- E você sabe voar!...

Seu Lunga encontra um conhecido e diz que está indo ao enterro do Chico pedreiro. O conhecido, muito espantado, cai na besteira de perguntar:
- Mas, o Chico pedreiro morreu?...
Seu Lunga , irônica e grosseiramente responde:
- Não!... A família resolveu enterrá-lo vivo mesmoooooooo.


A virada do caminhão...

Seu Lunga havia comprado um caminhão novinho, zero, como se diz. Vinha ele todo feliz praguejando contra os bois, no meio da estrada, quando de repente uma curva se mete na frente do veículo. Seu Lunga tenta seguir a curva, gira a direção rapidamente, mas não tem jeito, o caminhão vira espetacularmente.
Tempos depois, Seu Lunga, que havia escapado da virada (claro senão não estaríamos contando o resto da estória), compra outro caminhão novinho-novinho.
Na estrada de novo, praguejando, ainda mais, contra os bois, encontra um conhecido e apesar de não ser muito do seu feitio, resolve dar carona ao infeliz que vinha no sol quente.
O homem entrou e foi logo perguntando:
- Seu Lunga, como foi a virada do outro caminhão?
Seu Lunga respondeu prontamente:
- Foi assim!...
E sem mais demora, virou a direção tão rapidamente quanto da outra vez e o novo caminhão virou também.



O parafuso difícil de achar...

Seu Lunga estava na sua bodega quando entrou um freguês e pediu um parafuso de meia polegada. Nosso personagem apontou a gaveta e mandou o homem pegar o parafuso. O infeliz procurou e procurou e não achou.

Pediu ao Seu Lunga e ele conversando e tomando umas e outras, mandou novamente o freguês procurar na tal gaveta cheia de parafusos de todos os tamanhos. Era o mesmo que procurar uma agulha num palheiro. Finalmente, depois de muito tentar e pedir ao abusado vendedor, o homem foi atendido. Seu Lunga foi até a gaveta e rapidamente pegou o parafuso solicitado.
O freguês suspirou aliviado e já estava agradecendo e estendendo a mão para pegar o parafuso quando o Seu Lunga bronqueou:
- Obrigado coisa nenhuma, eu não disse que estava na gaveta, pode ir procurar que você acha!
Dito isso, jogou o parafuso novamente em meio aos milhares lá existentes.



Seu Lunga na horta...

Seu Lunga estava limpando o mato ao redor dos legumes que havia plantado quando um conhecido, que passava no momento, perguntou. "Cuidando do horta Seu Lunga?". Foi o bastante pra irritar o mau humorado homem, que imediatamente arrancou todos os legumes e ficou jogando no cabra que teve o atrevimento de fazer tão idiota pergunta.


Seu Lunga trocando o jerico...

Seu Lunga foi trocar um jegue numa feira de troca de animais. Assim que chegou um cabra abestado foi logo perguntando. "Veio trocar o jerico em outro animal?". Seu Lunga fez uma cara feia e respondeu na bucha. "Vim nojento, mas não num veado como tu!".


Seu Lunga foi ao médico

Seu Lunga sempre teve muita saúde, mas ninguém é de ferro e um dia achou de ir ao médico para saber de umas dorzinhas chatas. Chegando ao consultório, o médico foi logo perguntando. "O que é que o senhor tem?". Seu Lunga foi dando meia volta e vociferou para o médico. "Se eu soubesse não estaria aqui e sabe de uma coisa, vou procurar é um adivinho que pelo menos tenta adivinhar e o senhor nem isso, vai é logo fazendo pergunta besta!".

Seu Lunga no Restaurante

Seu Lunga levou a família pra almoçar num restaurante e pediu uma coca-cola. O garçom perguntou."É família?". Seu Lunga se irritou e vociferou com o coitado."E você, por acaso, está vendo alguma quenga aqui seu fie de uma égua?".


Seu Lunga na igreja

Seu Lunga foi a igreja e o padre, muito satisfeito, pois o truculento homem não era muito de rezas, perguntou todo feliz. "Orando a Deus, Seu Lunga?". Seu Lunga, procurando conter a raiva, respondeu. "Não, seu padre, só estou aporrinhando o cão com reza!".


Seu Lunga pescando

Seu Lunga estava pescando quando um matuto chega perto, fazendo barulho, espantando os peixes e ainda por cima com perguntas bestas. "Está pescando seu Lunga? ". O Rei do Mau Humor responde sem pestanejar. "Não abestado! Não está vendo que estou só ensinando a minhoca a nadar...

Quem é "Seu Lunga"...


"Seu Lunga" é um personagem tão folclórico do Ceará, conhecido em todo o nordeste brasileiro com as histórias mais hilárias. É um personagem de existência real. É um senhor, cheio de energia, mais conhecido da cidade de Juazeiro do Norte, na terra também do famoso Padre Cícero. Todas as histórias atribuidas aele são por conta da sua personalidade de velho carrancudo, malcriado e estupidamente irônico. Esta página é uma homenagem especial da Ceará-moleque a essa ilustre personalidade do folclore vivo nordestino.

DEPOIS DE "LAMPIÃO" É UM DOS PERSONAGENS FOLCLÓRICOS DE MAIOR EXPRESSIVIDADE:
Seu Lunga é o cabra mais ignorante do mundo. Ele não tem muita paciência com nada. Aqui no Nordeste, sua fama se espalha devido a histórias como essas:

"Lunga estava tirando goteiras, defeitos das telhas de sua casa, um curioso passou e perguntou: Tá tirando as goteiras seu Lunga? Ele responde: Tô não, tô é fazendo - e ai saiu feito louco a quebrar as telhas."

Mais de "Seu" Lunga...

Seu Lunga estava na sua casa com sede.

E manda seu sobrinho lhe trazer um pouco de leite. Daí o pobre do garoto pergunta:
- No copo, Seu Lunga?
E seu Lunga responde:
- Não. Bota no chão vem empurrando com o rodo, fi de rapariga!!!

O funcionário do banco veio avisar:
- Seu Lunga, a promissória venceu.
- Meu filho, pra mim podia ter perdido ou empatado. Não torço por nenhuma promissória..

Seu Lunga entrando em uma agropecuária.
-Tem veneno pra rato?
-Tem! Vai levar? – Pergunta o balconista.
- Não, vou trazer os ratos pra comer aqui!!! – responde seu Lunga.

Seu Lunga, no elevador (no subsolo-garagem). Alguém pergunta:
- Sobe?
Seu Lunga:
- Não, esse elevador anda de lado.

Seu Lunga vai saindo da farmácia, quando alguém pergunta:
- Tá doente, Seu Lunga?
- Quer dizer que seu fosse saindo do cemitério, eu tava morto???

Seu Lunga dava uma bela surra no filho e o menino gritava:
- Tá bom, pai! Tá bom, pai! Tá bom, pai!
- Tá bom? Quando tiver ruim, você me avisa, que eu paro.

O amigo de seu Lunga o cumprimenta:
- Olá, seu Lunga! Tá sumido! Por onde tem andado?
- Pelo chão, não aprendi a voar ainda…

Na década de 70, Seu Lunga chega num bar e fala pro atendente:
- Traz uma cerveja e bota o disco de Luiz Gonzaga pra eu ouvir!
- Desculpe seu Lunga, não posso botar música hoje…
- Mas por que??
- Meu avô morreu!
- E ele levou os discos, foi?

Durante a madrugada, a mulher do seu Lunga passa mal:
- Lunga! Ta me dando uma coisa..
- Receba!
- Mas é uma coisa ruim!
- Então devolva!!

O telefone toca. Seu Lunga:
- Alô!
- Bom dia! Mas quem está falando?
- Você!

As tiradas de "Seu" Lunga...

Quando te vêem deitado, de olhos fechados, na sua cama, com a luz apagada e te perguntam:
- Você tá dormindo?
- Não, to treinando pra morrer!

2. Quando a gente leva um aparelho eletrônico para a manutenção e o técnico pergunta:
- Ta com defeito?
- Não, é que ele estava cansado de ficar em casa e eu o trouxe para passear.

3. Quando está chovendo e percebem que você vai encarar a chuva, perguntam:
- Vai sair nessa chuva?
- Não, vou sair na próxima.

4. Quando você acaba de levantar, aí vem um idiota (sempre) e pergunta:
- Acordou?
- Não. Sou sonâmbulo!

5. Seu amigo liga para sua casa e pergunta:
- Onde você está?
- No Pólo Norte! Um furacão levou a minha casa pra lá!

6. Você acaba de tomar banho e alguém pergunta: (BOA)
- Você tomou banho?
- Não, mergulhei no vaso sanitário!

7. Você tá na frente do elevador da garagem do seu prédio e chega um que pergunta: (ÓTIMA)
- Vai subir?
- Não, não, to esperando meu apartamento descer pra me pegar.

8. O homem chega à casa da namorada com um enorme buquê de flores. Até que ela diz:
- Flores?
- Não! São cenouras.

9. Você está no banheiro quando alguém bate na porta e pergunta:
- Tem gente?
- Não! É o cocô que está falando!

10. Você chega ao banco com um cheque e pede pra trocar: (MUITO BOA)
- Em dinheiro? ?
- Não, me dá tudo em clipes!

domingo, 9 de maio de 2010

A PESSOA QUE SOU HOJE...







Tenho cabelos brancos, já não me lembro mais a cor que eles tinham antes, pinto-os para tentar esconder que são alvos Eles começaram a branquear quando eu tinha uns 35 anos, foi dificil aceitr...Não os deixo sem cor, porque quanto mais velha eu me apresentar, maior risco correrei de ser discriminada. Que sociedade é esta?
As minhas rugas! MINHAS RUGAS...insistem em se mostrar em volta dos olhos, nas bochechas etc, não me recordo quando elas chegaram, se apresentaram de repente e foram ficando. Ás vezes, tenho vontade de tirá-las, mas de nada adiantaria, porque o tempo é cruel com todos.
Do corpo, quase não cuido! Não malho, não faço regime, quase nunca vou ao médico. Sei que preciso de exercício, de alimentação natural, mas...
Faço unha de 15 em 15 dias, corto cabelo uma vez por mês, mas sei que não é suficiente, pois com o resto não me importo. De 40 anos para cá descobri os cremes e achei que eles podiam me ajudar a não envelhecer. Lambuzo-me todos os dias, mas elas: as rugas insistem em se mostrar. Não sou muito vaidosa! Enfim, os anos se passaram e as marcas foram deixadas em mim, não pude impedi-las.
Mas para mim o importante é o presente, é o amor.
Amor pela vida, pela minha mãe, meu pai (saudades), pela familia, pelos filhos, pelos netos. Para cada marca de meu corpo, tenho muitas histórias: 4 cesarianas, algumas cirurgias como apendicite e vesicula,entre outras. Atualmente, a parte de mim que mais uso é a cabeça: sou professora e gosto do que faço. Quero que ela seja minha aliada, mas nem sempre consigo. Quero usá-la para equilibrar o meu eu, saber quem sou, do que sou capaz, alimentar os meus sonhos. Mas ela sempre está à frente de meu corpo. O que adianta eu falar que tenho 40 anos, se tenho filhas de 37, 36 e 34 anos?
Assim tenho que ter sabedoria de vida, pois tudo que vivi me fez ser o que sou hoje.Uma mulher que, às vezes, gosto do que sou, mas, às vezes, não.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Minha netinha

sábado, 3 de abril de 2010

15 ANOS... PASSOU DEPRESSA!




EU COM 15 ANOS NO BAILE DE DEBUTANTES DO IDEAL CLUBE EM JOÃO MONLEVADE, NUMA FOTO ESTOU DANÇANDO COM MEU PAI...

Meus 15 anos


Aos 15 anos meu pai me deu festa de aniversário. Naquela época não era costume os pais fazerem festas de aniversários para os filhos, principalmente, numa família grande, com 11 filhos.
Eu estava no limiar da juventude, saindo da puberdade e entrando na adolescência. A infância, ainda tão próxima, ficava para trás e eu começava a me preparar para novas responsabilidades, novas descobertas, novas emoções.
Dessa forma, lá em minha casa, fui a única que tive festa para comemorasr 15 anos, participei, também, do baile de debutante no Ideal Clube, em 1965.
Na época, minha mãe pediu a Hebe, sua prima, que me fizesse um vestido. Era branco com rosinhas de cima até embaixo, com uma echarpe rosa clarinho. Como era lindo! Foi um dia magnífico que nunca me esqueci...
Por ser a filha mais velha, sempre presei tudo aquilo que recebia. Amei, verdadeiramente, a minha família. Valorizei, em todos os sentidos, tudo aquilo que tive.
Participei do Coral Monlevade, dos 15 aos 17 anos. Fiz apresentações por todas as cidades mineiras, inclusive na antiga TV Itacolomi. Participei da primeira fanfarra colegial na parada de de 7 de setembro, coisa que não era comum, pois mulheres não participavam disso naquela época, toquei caixa-clara.
Participei do Grêmio Literário do Colégio, onde eu era secretária e depois tesoureira.
Comecei a trabalhar, dando aulas no Grupo Escolar Jacuí, aos 16 anos e aos 17 eu já estava trabalhando na Belgo-Mineira. E me formei professora aos 18 anos.
Sempre tentei guiar a minha vida em direção às expectativas do bem, ou seja, nos valores que em mim foram incutidos pelos meus pais. Assim fui fortalecida contra toda a violência externa. Sempre fui muito perseverante, observadora e perspicaz, o que me levou a encontrar melhores soluções para os problemas e dificuldades da vida.
Fazem 45 anos que eu fiz 15 anos. Como passou depressa!

Texto escrito em 5 de abril de 2010.



Brincadeiras de nossa infância!

Não vejo hoje as crianças brincando. Elas ficam de frente a TV, do videogame ou do computador. Ficaram para trás todas aquelas brincadeiras antigas e divertidas de quando éramos crianças.
Quando morávamos na Tabajaras, à tarde, depois do jantar, nossas mães sentavam para conversar, enquanto nós crianças brincavam de inúmeras brincadeiras na rua. As meninas brincavam de passa-anel, amarelinha ou corda, enquanto os meninos jogavam bolinha de gude, pião ou faziam cabo de guerra. A gente também se reunia na “terra” onde brincávamos de soltar pipas, de fincas, esconde-esconde ou de pique-pega.
Quem da minha geração não se lembra de corre-cutia, céu-inferno, amarelinha, cabra-cega, barra-manteiga, de lojinha, de comidinha e das enormes rodas com as cantigas intermináveis?
E as seções de cinema que arrumávamos lá em casa e eu acabava ganhando dinheiro para comprar guaraná! Meu pai tinha uma extensão com lâmpada forte, eu acendia a lâmpada, enchia uma garrafa de leite transparente de água e arrumava figuras de revistas em quadrinhos, projetava na parede imagens e cobrava. Era legal demais!
Era comum, também, entre nós armarmos um “fogãozinho de lenha” no quintal, (tínhamos até a trempe) fazíamos comidinhas e era uma farra. Era eu, Marinilse, Vanda, Carlos, Sônia, minha irmã e meus irmãos mais novos. Fazíamos arroz, ovo, fritava batata e passarinho. Sim... passarinho! Carlos, meu irmão de criação, os pegava e eu os fritava...Certa fez ele não conseguiu pegar nenhum, então resolvemos fritar um pintinho que a galinha “índia” de minha mãe havia chocado. Ela ficava brava. Mas não tinham mais jeito... já tínhamos comido.
Quantas e quantas vezes, meu pai cortava as cordas de cipó no mato para que corrêssemos o risco de nos acidentar. Mas nós, teimosamente, arranjávamos outra e gangorrávamos a tarde toda. Era uma maravilha!
E quando chovia e a terra ficava escorregadia e molhada? Arrumávamos uma tábua, pregávamos outra ao contrário e descíamos o morro do quintal. Tínhamos que parar na bananeira ou no pé de manga-rosa, porque senão caíamos lá embaixo, num barranco de quase 3 metros, com a tábua em pé nas nossas costas. Como era bom! E as bicas que formávamos com a água de chuva? Que criança, hoje em dia, brinca desta forma?
Outra coisa que fazia parte de minha infância era procurar ninho de galinha no mato. Minha mãe criava galinhas soltas no quintal, de vez em quando alguma sumia. Era hora de procurar. Quando ela chegava para comer, minha mãe a prendia e quase na hora, ela a soltava e a galinha saia doida para ir para o ninho botar. Nesta hora eu a seguia e acabava achando o ninho, cheio de ovos ou de pintinhos. Um dia consegui encontrar um ninho, cheio de pintinhos de galinha-índia, brava, coloquei os pintinhos no vestido e saí correndo morro abaixo. Chegando lá embaixo soltei e a galinha veio em cima de mim. Como era divertido!
Sônia, minha irmã, tinha como padrinho “Zinho Glostora”, quem não o conhece em Monlevade? E todo ano, no natal, ele levava brinquedos para ela. Era a púnica lá em casa que tinha brinquedo. Certo ano, pedi a meu pai uma boneca de papelão, lembram-se? Sônia resolveu dá banho na minha boneca, enquanto eu não estava em casa. Quando cheguei e vi a minha boneca “derretida”, quase morri. Eu peguei o joguinho de quarto que ela havia ganhado e quebrei no martelo. Resultado: apanhei!
Tempo bom de nossa infância! Hoje em dia as brincadeiras estão sendo esquecidas pela garotada. "Antigamente”, as crianças se divertiam mais e conviviam com outras crianças. Não tínhamos roupa cara e nem brinquedos manufaturados, mas a nossa diversão era garantida. Brincar fazia parte do nosso desenvolvimento infantil.
É preciso que os adultos hoje, deixe de usar a TV ou vido-game como babás de seus filhos e netos. Devem procurar levar a criançada às brincadeiras para fortalecer os laços humanos. Os pais e avós não podem se esquecer de sua própria infância. Esse resgate é ideal para dar mais alegria à vida, pois é o elixir da saúde no meio da correria diária. E as crianças que não brincam têm tendências às depressões, são menos criativas e têm dificuldade de se socializar. Brincar ajuda a desenvolver melhor a imagem, o esquema corporal e outras habilidades, como coordenação motora, exploram o movimento, o equilíbrio, o respeito às regras e o lado intelectual.
Vale a pena o esforço! Quando resolverem sentar com os pequenos, façam isso de coração. Vocês vão ver como a brincadeira vão ficar muito mais divertida!

Vera da Mata

DISCURSO ESCRITO POR MIM POR OCASIÃO DAS BODAS DE OURO DE MEUS PAIS


Meus queridos pais,
Queridos irmãos,
Senhoras e Senhores.
Hoje é um dia de grande felicidade e alegria para todos nós, ,a família de Sr. Armindo e dona Maria. Aqui estamos,os filhos, genros, noras, netos e até a pequena bisneta em uma comemoração que envolve, principalmente, toda uma vida de um casal de heróis que há cinqüenta anos no passado, se uniram e partiram para a conquista de realizações de construir uma família.
Sr. Armindo e D. Maria: nós, os filhos de vocês dois, neste dia de hoje, nesta comemoração aqui no Social Clube, ao voltarmos os nossos olhares para as suas cabeleiras brancas que agora estão sobre vocês, não poderíamos deixar de nos emocionar, diante da história registrada em nossas mentes no transcorrer destes longos anos de vida. Ao voltarmos a nossa atenção para o inicia de suas vidas, como marido e mulher, descortinamos, bem ao longe, eventos que marcaram época na vida vocês e na vida de cada um nós. São eventos que pouco a pouco vem reavivando e se tornando cada vez mais nítidos a proporção que se aproximam do presente. Vemos, por exemplo, meu pai jovem e forte, com sua personalidade marcante, com sua honestidade além de qualquer questionamento, com sua disposição de lutador imbatível, voltado única e exclusivamente para o bem de todos, os que em volta dele viviam.
Ao seu lado, vemos a minha mãe, também jovem, com a atenção de uma mente aguçada e inteligente, voltada para as duras lutas de seu marido, no intuito de oferecer aos filhos que viriam, dias melhores do que aqueles que então eram vividos pelo jovem casal que iniciava passos firmes na longa e dura caminhada da vida familiar. Vemos um Sr. Armindo, com seus belos olhos verdes, maltratando os corações das moças jovens que compareciam em massa para aplaudir o craque de futebol que arrancava aplausos nos campos de Alvinópolis e cidades vizinhas. Vemos a D. Maria, bonita e atraente bem mais do que as moças de então,procurando marcar presença junto ao seu pretendente, antes que as jovens rivais pudessem chegar. Vemos meu pai,lutando de uma maneira firme e decisiva para conquistar um lugar onde pudesse firmar os pés e contemplar o sorriso alegre dos filhos que no futuro, certamente viriam. Vemos, também, minha mãe disposta a lutar pelo o que seria definitivamente seu, jogando,corajosamente, a turca rival que dentro do pequeno córrego que desliza calmamente na cidade de Alvinópolis.
E assim foram se passando os dias, foram se passando os meses, foram se passando os anos. São cinqüenta anos deste casal maravilhoso que aqui agora está em frente dos seus filhos, envolvidos pelos netos e pelo olhar da pequena bisneta. É bem verdade que os dois estão marcados pelos anos que se foram. É verdade que estão marcados pelos momentos de angústia que a vida lhes impôs. Mas também é verdade que estão com a consciência tranqüila de dever cumprido. Todos nós temos certeza que valeu a pena tanto esforço para vencer essa luta de cada dia. Basta olhar para os filhos em volta, para se ter certeza de quantas batalhas foram travadas, e quanto nós, os filhos, devemos a vocês dois.
Devemos para você, papai, os dias difíceis vividos sozinho nas matas em Conceição do Mato Dentro, viajando na queima de carvão nas noites frias daquela região.
Devemos a você, mamãe, tantas noites de vigília na cabeceira da cama de cada um de nós, quando as enfermidades nos postavam naqueles dias de criança.
Devemos a você, papai, os grandes dias de esforço físico, quando no carregamento de caminhões de carvão, aqui mesmo na Belgo Mineira, retirava o pão de cada dia para a subsistência da família.
Devemos a você, mamãe,tantos dias em pé, na frente do fogão, no esforço constante de preparar o alimento saboroso e nutritivo para que pudéssemos usufruir a vida com saúde e pleno desenvolvimento.
Devemos a você, papai, as noites de sono não dormidas e passada sobre livros, após cada jornada do trabalho árduo, para que pudéssemos, todos, chegar onde chegamos, felizes e realizados nos nossos objetivos.
Devemos a você, mamãe, todo o cuidado e esforço dedicados a todos nós no dia a dia de tantas preocupações que lhe causamos...
Sim, devemos a vocês, papai e mamãe, todo amor e carinho a nós dedicados em todos esses anos de felicidade emanada da firme e valorosa educação que vocês nos deram.
Agora, aqui estamos juntos, comemorando as Bodas de Ouro, de vocês dois, expressando sentimentos que conhecemos e na certeza de que estamos a conhecer. Isto é sim, porque cinqüenta anos de vida de um casal, são recordações de cada um de vocês. Nós,os filhos,os genros as noras,os netos e bisneta, sim...nós amamos muito vocês dois. Somos muito gratos pelo o que juntos fizeram e temos certeza de que nada que tivesse que ser feito, deixou de ser concretizado. Sabemos que durante todos esses anos, causamos muitos problemas, mas também sabemos que graças a sabedoria que foi dada por Deus, fomos corrigidos, ensinados e compreendidos dentro dos mais altos morais, emanados nos corações de vocês dois.
Sim, queridos papai e mamãe: aqui estou eu, neste momento tão importante, em nome de todos os meus irmãos, tentando expressar os nossos sentimentos para com vocês nesta data. Mas queremos que por mais sábios que pudéssemos ser, não conseguiríamos expressar com palavras o quanto mais do que temos capacidade de descrever. E é por tudo isso que nos resta pedir a Deus que traga a Sua paz como recompensa desses cinqüenta anos de incansável luta na conquista no que agora podemos ver aqui. Sim, graças ao incomparável ao amor de nosso Grandioso Criador, e graças a dedicação de vocês, somos hoje uma família feliz. Que Deus dê a vocês ainda muitos anos de vida e que esse maravilhoso exemplo que sempre nos deram seja um espelho constantemente visitado por todos nós que queremos ter uma vida digna deste pai maravilhoso e desta mãe incomparável que hoje temos a grande felicidade de abraçar.

Muito Obrigado.

terça-feira, 30 de março de 2010

MULHER ATRAVÉS DA HISTÓRIA


Texto escrito em 2008 por Vera da Mata


Diz a Bíblia que Deus quando criou a mulher, a criou em sua imagem e semelhança, deveriam dividir problemas, dificuldades, felicidades, construirem juntos e encontrar soluções para a vida junto com o homem.
Mas nunca foi assim. Desde o principio da civilização humana, em todas as culturas, épocas e impérios, sempre existiram, com raras exceções, condições humilhantes e degradantes para mulher. Em vez de serem companheiras e parceiras, foram oprimidas e viveram na miséria e na obscuridade (grande maioria das mulheres neste planeta).
Se fizéssemos uma viagem no tempo e no espaço, veríamos a condição sofredora de doença e morte que elas sofreram através dos tempos. Sempre foram vistas apenas como parideira de filhos, sem amor, respeito ou carinho; morriam novas de doenças transmitidas por seus maridos e companheiros mais velhos que elas. Segundo registros históricos, mulheres com 25 anos pareciam mulheres de 60 anos hoje, sem dentes, peitos caídos, doentes. Sem contar às humilhações que sofriam por serem fêmeas.
Ainda, hoje, existem lugares no mundo que o homem fica triste quando se torna pai de uma menina. Na China, chegam ao ponto de matarem, abortarem ou abandonarem pelo fato de serem mulheres. Nos países islâmicos, não é diferente. Nos países do oriente, não é diferente. Na índia, país hindu, não é diferente. No Brasil, não é diferente.
Durante a colonização brasileira do século XVI e XVII, as mulheres portuguesas, quando aqui chegaram, trouxeram consigo um longo histórico de dominação masculina. Elas viviam debaixo de uma religião opressora, onde tudo era pecado e errado. Eram obrigadas a aceitarem a sua condição, achavam que tinha que ser assim mesmo. Para o homem, ela deveriam ser castas, simples, trabalhadeiras, humildes, nunca deveriam inquerir o seu marido, deveriam sofrer caladas, porque este era o seu destino, elas haviam nascido para isso.
E as coisas conseguiram piorar, ainda mais, com a chegada das mulheres negras ao Brasil, como escravas. Se a mulher branca já não tinha nenhum valor, imagina a negra! Elas eram estupradas, violentadas, humilhadas, amputadas no corpo e na alma. Eram engravidadas para dá lucro aos seus senhores, muitas vezes, filhos dos próprios senhores. O sofrimento era levado até as últimas conseqüências e morte. E a situação não mudou com o passar do tempo, nem com a libertação dos escravos em 1888, pois até hoje elas são discriminadas e humilhadas mais do que as mulheres brancas.
E isso fez com que as mulheres mestiças e/ou negras sempre fossem vistas em nossa terra, como mulheres "fáceis para pegar, usar, largar ou matar", enquanto as mulheres brancas, de origem européia, eram trancafiadas em casa, cheias de pudor, de vergonha, escondidas de tudo e de todos.
É nítida a diferença entre a vida dos homens e das mulheres, sempre foram marcadas pelas desigualdades de direitos, pelo patriarcalismo.
Prova disso são os salários pagos as mulheres brancas e negras ganham hoje em dia. As mulheres ganham menos que os homens em função e obrigações iguais, imaginem a mulher negra. Se não fossem por tantas opressões durante toda a história, não precisaríamos hoje de “dia internacional da mulher” para conscientização sobre os direitos e da importância delas, alguém já viu dia de homem? Pois nem a lei Maria da Penha garante os seus direitos para protegê-las de homens violentas e machistas. Todos os dias, maridos, namorados, companheiros matam suas mulheres em nome do amor e da honra. Que honra, que amor?
Muitos homens, ainda hoje, pensam que a mulher nasceu para servi-los, para ser somente dona-de-casa e educar filhos (importante também), mas o que se questiona é a falta de direitos, a falta de respeito, as injustiças.
Foi somente depois de 1970, com os movimentos rippes e de rocks, que a mulher começou a visualizar uma esperança no final do túnel, com a pílula anticoncepcional, os movimentos feministas, a queima de sutiens em praças públicas, a liberação de uniões livres e do aborto em alguns países, que elas começaram a serem vistas por outro prisma. Alguma coisa está sendo feita, mas muito se precisa fazer, ainda.

segunda-feira, 29 de março de 2010

PREOCUPAÇÕES COM A VIDA!




Texto escrito em fevereiro de 2010 por Vera da Mata

Tenho aprendido muito nessa vida. A vida é uma verdadeira caçada. Um dia somos a caça e no outro o caçador. Problemas ... todos temos. Dores... também. Solidão... nem se fala. Mas temos que aproveitá-la da melhor maneira possível.
Os filhos não são nossos. A vida é muito curta. A felicidade é efêmera!
Tenho filhos adultos e acredito que o resultado foi bom, muito bom!Pois, amar um filho ou uma filha é respeitar a sua individualidade e suas escolhas e apoiá-los.
E com esse apoio, nós aprendemos com eles, mudamos os nossos paradigmas.
Quantas e quantas vezes estou "embananada" no computador e meus netos de 11, 9 e 7 anos chegam e me dão um banho de tecnologia? (Só um exemplo)
Certa vez li um livro de um autor americano, que no momento esqueci o nome, que dizia: "Só os tolos e os mortos não mudam de opinião". Portanto se estamos vivos, temos que mudar os nossos pensamentos, pois o mundo e a sociedade mudam a cada momento.
Para nós, pais, qual é a felicidade que queremos para os nossos filhos? Não é exatamente que eles façam boas escolhas, gostem do que fazem e sigam o caminho de suas conciências?
Dessa forma, devemos nos preocupar com as escolhas do dia-a-dia, em viver bem, vivendo um dia de cada vez e resolvendo as preocupações diariamente. A biblia fala com muita sabedoria em Mateus: 6:4, 5 que "basta a cada dia o próprio mal"...Devemos tentar viver mais calmos, pois o coração estressado é perigoso para a saúde fisica e mental.
Hoje tento seguir o exemplo bom daqueles que passaram pela minha vida. Todos nós temos a nossa carga de imperfeição e dificuldades, não precisamos "adotar" as daqueles que amamos. Devemos ser nós mesmos! Não podemos ser "inflexiveis" na vida! A vida é simples, nós, por falta de sabedoria, a dificultamos e complicamos.
Minha mãe, mulher simples, mas sábia me disse certa vez: "as mulheres de nossa familia tem o costume de querer levar tudo a ferro e fogo", ou seja, não abrir mão de suas opiniões, levando a vida com suas familias as últimas consequências. Será que isto é sabedoria de vida? Não...
Nós somos o resultado de nós mesmo. Não devemos culpar a ninguém pelo que fazemos e somos. Vivemos numa "contemporaneidade do ter em vez de ser", isso tem causado muita dor e sofrimento a humanidade. Devemos evitar tudo isso para não nos arrempendermos depois.
Portanto, nós não podemos nascer de novo quando tudo ao nosso lado ruir por nossa falta de controle ou de sabedoria. Devemos levar a vida com leveza, consertando os nossos erros, aceitando as nossas imperfeições e tendo alegria de viver.



DEVEMOS TER PENSAMENTO POSITIVO, QUE SÃO:
Só por hoje... adapte à vida como ela é.
Só por hoje... não grite, não ameaçe, não ofenda.
Só por hoje...seja feliz e faça a sua familia feliz.
Só por hoje... ... mude as suas atitudes, sua impaciência, sua intransigência.
Só por hoje... respeite e ensine respeito.
Só por hoje... não critique as escolhas de outros, aceite os outros como são.
Só por hoje... não censure, ame incondicionalmente.
Só por hoje... resolva os seus problemas de hoje, os de amanhã, pertecencem ao amanhã.
Só por hoje... não pensarei no passado e resolverei os meus problemas com "qualidade".(AUTOR DESCONHECIDO)

PARA VOCÊ PENSAR...

COMO MANTER-SE JOVEM

1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura.
Deixe que os médicos se preocupem com isso.

2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo.
(Lembre-se disto se for um desses depressivos!)

3. Aprenda sempre:
Aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso.
Uma mente preguiçosa é oficina do Alemão.' E o nome do Alemão é Alzheimer!

4. Aprecie mais as pequenas coisas E DIÁRIAS.

5. Ria muitas vezes , durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar.
E se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele / ela!

6. Quando as lágrimas aparecerem ... Aguente firme, sofra o que tiver que sofrer, mas deixe que o tempo o ajude a ultrapasá-lo.
A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós mesmo.
VIVA enquanto estiver vivo.

7. Rodeie-se das coisas que ama:
Quer seja a família, animais, plantas, hobbies, o que quer que seja.
O seu lar é o seu refugio.

8. Tome cuidado com a sua saúde: Se é boa, mantenha-a.
Se é instável, melhore-a.
Se não consegue melhorá-la , procure ajuda.

9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde haja culpa

10. Diga às pessoas que ama que as ama a cada oportunidade.

"Os amigos são como Anjos e Estrelas, tu nem sempre os vês, mas sabes que sempre estão lá."

domingo, 28 de março de 2010

UM DIA MUITO ENGRAÇADO COM MINHAS FILHAS

Texto escrito em 2001 por Vera da Mata


Essa história se passa em 1989 na cidade de João Monlevade, MG, quando minhas filhas mais velhas estavam com 16 e 15 anos, Elaine e Andréia, respectivamente.
Era uma sexta-feira, dia de faxina na minha casa. Minha faxineira havia me dado o “bolo”, então coloquei minhas filhas para me ajudar. Enquanto Andréia me ajudava dentro de casa, Elaine, lavava as varandas e as enceravam.
Elaine, sempre moleca e bricalhona, colocou um lenço na cabeça e um avental e se fazia passar pela empregada. Andréia, para provocá-la, de vez em quando, chegava na janela e a chamava de “Cida” e dizia: “ ... faz o seu trabalho direito, senão vou mandar a minha mãe te mandar embora!...”.
Nesse meio tempo, chegou no portão de nossa casa um mendigo, querendo dinheiro e água. Andréia chega novamente na janela e diz: “vamos logo, sua lerda!” que vou mandar mamãe te mandar embora, pro olho da rua!”...
O mendigo observava calado, quando Andréia saiu da janela, Elaine querendo fazer mais molecagem, disse para o mendigo:
- Tá vendo, moço! Pobre sofre neste mundo! Viu a patroinha me humilhar?
Ele a olhou com uma cara de pena e respondeu:
- É moça! ... ôcê é tão bunita! Cê num pricisa passar por isso não! Nois é pobre, mas nois se ajuda! Vamo fugi e sê feliz! ... Vamo vivê de amô ... uma moça linda assim não pricisa disso... não merece sê humilhada!...
Morrendo de vontade de rir em gargalhadas, ela respondeu:
_ Num carece não! Brigada, moço! Mas já to acostumada a sofrer. Minha vida sempre foi assim mesmo... já estou acostumada.
Cheguei com um trocado para ele, como eu fiquei lá fora, o mendigo acabou indo embora. Elaine chamou Andréia e nos contou o que havia acontecido e caímos todas em gargalhadas. Mas Elaine prometeu se vingar de Andréia.

Nesse mesmo dia, depois do almoço, chegou na nossa casa, Débora, de Belo Horizonte, prima e da mesma idade, resolveram ir ao clube, porque fazia muito calor e elas haviam trabalhado muito. Lá foram elas para o clube.
Elaine se aliou a Débora no clube, deixando Andréia sempre de fora, de vez em quando falava alguma coisa para irritá-la, quando resolveram ir embora, foram para o ponto de ônibus. Andréia na frente, danada da vida e Elaine e Débora atrás provocando-a.
Chegando no ponto, ficaram longe uma da outra, como se não conhecessem. Uma senhora chegou perto de Elaine e perguntou as horas. Ela para sacanear Andréia, disse:
_ Vou perguntar aquela menina ali para a senhora! (...) Oh! Moça”! quantas horas são?
Andréia nervosa com as provocações, não agüentando mais, já nervosa e com raiva,disse:
- “Não enche o saco não, vai embora, não vou dizer não! Não olhe na minha cara! Saí daqui!”
Elaine para deixá-la ainda mais envergonhada, voltou com cara de vítima, olhou para a mulher e falou:
- Tá vendo dona!...como estes jovens de hoje em dia são mal educados! Só porque perguntei as horas, ela fez esta grosseria. Essa menina nem me conhece!...
A mulher indignada, olhou para Andréia com olhar de reprovação e disse:
- Sua mãe não te dá educação, menina!? Custa responder alguma coisa que alguém te pergunta? Custa falar direito?
Andréia vermelha de vergonha e raiva, porque ela era muito timida, entrou rapidamente no ônibus que acabara de chegar... Enquanto isso, Elaine e Débora explodiam em risadas, e Andréia chorava de raiva... Mas Elaine estava vingada...

quarta-feira, 24 de março de 2010

QUEM FORAM MEUS PAIS?

Texto escrito por Vera da Mata em 2005.



Armindo Jerônimo da Mata nasceu em 30 de setembro de 1926 em Nova Era, MG, casou-se em 28 de fevereiro de 1949 com Maria S. da Mata, nascida em 19 de janeiro de 1929 em Alvinopólis, MG. Chegaram a festejar as bodas de ouro em 1999 no Social Clube na presença de amigos e parentes. Tiveram onze filhos, sendo 5 mulheres e seis homens, sendo que um, Luiz, morreu em 2003.
VOU NARRAR-LHES A VIDA DELES:

Meu pai, filho de meieiro (pessoa que trabalha na roça e planta a meio com o fazendeiro) João Raimundo da Mata e Jovelina dos Anjos de Souza. Meus avós viviam na terra dos outros com grandes dificuldades, e um dia, trabalhando na roça, ela sentiu as dores de parto e sem tempo de ir para casa, deitou-se debaixo de uma mangueira e deu a luz o meu pai.
Meu pai foi crescendo no meio da pobreza e necessidades.
Era um menino bonito, esperto, inteligente e trabalhador, com mais 3 irmãos.
Aos 11 anos, querendo ajudar os meus avós, foi trabalhar na cidade de Nova Era, numa marcenaria, a fim de ajudar no sustento da casa, pois a familia vivia um grave problema financeiro.
Ainda adolescente e com a preocupação constante com a familia, com 15 anos, foi para Conceição do Mato Dentro trabalhar num posto de vigia no meio do mato. Ficava sozinho à noite, onde, muitas vezes, onças arranhavam a porta, fazendo com que o medo lhe invadisse o coração e a mente. Meu avô quando ficou sabendo de sua situação, vendo o seu grande sofrimento o levou de volta, mas ele continuava com a idéia fixa de que tinha que trabalhar para melhorar a vida de todos.
Foi então para Monlevade procurar emprego na Belgo Mineira, começando a trabalhar como carvoeiro, descarregava e carregava caminhões de carvão o dia inteiro.
Como gostava muito de futebol, começou a se entrosar neste meio e se destacou jogando no Metalúsgico da cidade. Ele contava que chegou a ser convidado para treinar no Atlético Mineiro, mas desistiu porque na época eu já tinha nascido.
Algum tempo depois ele foi a Nova Era buscar meu avô, minha avó, Tia Maria, Tia Celina e Tio Joãozinho, onde passaram a morar num barraco simples na Pedreira, bairro localizado no alto do morro onde há muitas pedras até hoje.
Sua diversão de jovem era somente o futebol. Foi obrigado a se tornar adulto antes da hora, pois o sofrimento e a necessidade o levou a isso.
Foi, então, na Pedreira que ele conheceu a minha mãe. Moça inteligente, bonita e alegre, descedentes de portugueses, era também pobre, mas não tanto quanto a familia de meu pai. Filha única entre dois irmãos, criada com muito mimo e cuidado por meu avô: Antônio Justino de Souza, marceneiro, considerado artista na madeira, ela não tinha mãe, pois minha avó, Enedina Linhares de Souza, havia morrido de parto aos 33 anos, deixando-a com 11 anos de idade. Nesta época, meu avô materno, na Pedreira, era considerado rico, tendo a melhor casa; dá para perceber o nível de pobreza que viviam os outros moradores.
Assim, meu pai conheceu minha mãe neste bairro. Certa vez ele me disse que ele ficava com vergonha porque achava que minha mãe fosse rica.
O meu avô sabendo do namoro com meu pai quis deixá-la longe dele, voltou a viver em Alvinópolis, MG, onde minha mãe arranjou emprego numa Fábrica de Tecidos, que até hoje funciona lá na cidade, mas não adiantou muito, pois meu pai foi atrás dela. Minha mãe era uma moça extremamente extrovertida, brincalhona e chamava a atenção de todos pela sua vivacidade. Quando meu pai ia jogar futebol em Alvinópolis, eles aproveitaravam para namorar.
Nesta ocasião havia uma turca que morava na cidade e se apaixonou por meu pai e começou a perseguir e ameaçar a minha mãe para terminar o namoro para ficar com ele, mas meu pai nunca a quis, sempre foi apaixonado por minha mãe. E como minha mãe não era covarde e não aceitava provocação. Um dia a turca estava esperando-a, tentou bater nela, como ela estava com duas colegas, quem acabou apanhando foi a turca que levou uma surra, sendo inclusive jogada dentro de um córrego que passava perto. Mas a rival não desistiu.
Meus pais ficaram noivos e no dia do casamento ela apareceu e jogou lança-perfume nos olhos de minha mãe, visto ser época de carnaval. Minha mãe quis pegá-la, mas foi segurada por meu pai e ela acabou deixando pra lá, porque aquela guerra ela saía vencedora.
O incidente passou e meus pais foram morar em Monlevade, indo a cavalo, numa época de chuva e foram morar na Rua Aimorés, numa casa bem construida se comparada com as outras casas que meu pai havia morado, aí eu e Sônia nascemos.
Nesta mesma época, meu pai havia conseguido outra casa da Belgo e um emprego para Tio Joãozinho, na Rua Tamoios, onde ele colocou meu avô, minha avó e meus tios para morarem, mas ele ainda continuava como arrimo de familia, pois nesta época meu avô estava muito doente e não trabalhava mais, vindo a falecer em 1950 quando eu nasci.
Como meu pai não queria continuar carregador de carvão, fez SENAI e se tornou torneiro mecânico, indo trabalhar na mecânica da empresa.
Meu pai cuidou de minha avó e de minhas tias até o casamento das mesmas.
Quando eu estava com 2 anos e 8 meses a familia mudou para a Rua Tabajaras, 484, e aí os filhos começaram a nascer: chegou Rosarinha, Selma, Henrique, Anchieta, Luiz, Armindo Filho, Rui.
Em 1954 meu pai entrou para a primeira turma do Ginásio Monlevade, se destacando com sua inteligência e esforço. Estudava pela manhã, trabalhava na empresa de 15 às 23 horas todos os dias. O tempo foi passando. Não era fácil, estudar, trabalhar, cuidar de uma familia grande, da mãe e das irmãs. Além do mais meu avô materno havia ficado viúvo de novo e estava morando em nossa casa na Tabajaras, com 4 filhos: Hélio, Carlos, Maria e Rita.
Ainda, quando ele estava estudando em casa, eu e Sônia não o deixávamos em paz, sempre penduradas no pescoço dele. Em 1958 ele se formou.
Assim que se formou foi convidado pela direção do Ginásio, Padre Higino de Freitas, para dar aulas de matemática, pois havia se destacado como execelente aluno. A partir deste dia ele começou a fazer cursos de especializações em matemática, chegando a fazer um espécie de "faculdade à distãncia" em Juiz de Fora. E para melhorar ainda mais a renda da familia ele dava aulas também no Colégio Kennedy de Padre Henriques, Carneirinhos.
Apesar de melhoria na condição de vida, à noite ele dava aulas de alfabetização para adultos, sem cobrar nada, tornando-se conhecido em toda a cidade. Como ele havia melhorado consideravelmente de vida, a Belgo Mineira ofereceu uma casa na Rua Siderúrgica, 44, onde moravam os altos funcionários da empresa, a elite.
Aí na Rua Siderúrgica nasceu Claúdio, meu irmão.
O Ginásio deu a ele, então, a cantina da escola, onde minha mãe fazia pastéis, bolo, café etc, vendendo para os alunos, eu e Carlos (morou dos 8 anos aos 15 anos conosco), meu tio, na época morando com a gente, ajudávamos vendendo na cantina.
Em 1966 mudamos para a Vila Tanque, ele estava agora comprando uma casa grande e confortável para a familia, nesta época nasceu a minha irmã Renata.
SR. ARMINDO AJUDAVA A TODOS, a familia dele, a familia de minha mãe, os pobres da cidade... era um homem muito caridoso. Quando se aposentou em 1979, dedicou-se, exclusivamente, a ajudar os necessitados de Monlevade, construindo barracos junto com o pessoal do São Vicente de Paula.
Em 1994 recebeu, no dia 31 de março, o título de CIDADÃO HONORÁRIO DA CIDADE. Foi sempre um home com H maiúsculo, honesto, sério e direito.Por ocasião de sua morte em 2003, ele deixou viúva, 11 filhos, 25 netos e uma bisneta.
No principio mencionei a Turca. Pois bem: ela continuou durante toda a vida a perseguir meu pai e a querê-lo, mas ele continuou fiel à minha mãe. Um dia em 2001, ela teve a coragem de telefonar de São Paulo convidando-o para ir morar com ela, mas ele a renegou mais uma vez.
Foram um casal de vencedores, apesar de problemas. SAUDADES!

O MAIOR HOMEM QUE EU CONHECI...





ARMINDO JERÔNIMO DA MATA: MEU PAI


Homem de uma personalidade forte, mas o mais honesto, sincero e direito que conheci. Tenho muito orgulho em ser sua filha.


CIDADÃO HONORÁRIO (E HONRADO) DE JOÃO MONLEVADE...

NÃO FUJAMOS A NOSSA PRÓPRIA NATUREZA




A Tartaruga e a Águia

A LENDA DA TARTARUGA E DA ÁGUIA

A tartaruga passava o tempo a lamentar-se por ser lenta e desajeitada. Como gostava de fazer comparações, adorava a beleza e a ligeireza com que se moviam as aves. Não se conformava com a sua sorte e chegava a ficar muito triste.
- Que chatice ter que me arrastar pelo solo, passo a passo e com esforço! Ah! Se eu pudesse voar, nem que fosse apenas uma vez! dizia ele, repetidamente, dia após dia.
Finalmente, num dia de outono, conseguiu convencer a águia a levá-la para um passeio pelas alturas. Suavemente e com grande majestade, a águia e a tartaruga elevaram-se no céu, naquela tarde. O animalzinho transbordava de felicidade, ao ver lá embaixo, tão longe, a terra e seus habitantes.
- Ah, que maravilha! Como estou feliz! Que inveja não devem sentir as outras tartarugas vendo-me voar tão alto! Realmente, sou uma tartaruga única! exclamava ela, com a voz tremida pela emoção.
Mas tanto se cansou a águia de ouvir seus vaidosos argumentos, que decidiu soltá-la. A orgulhosa tartaruga caiu como uma pedra, desde milhares de metros de altura, desfazendo-se em cacos ao chegar no chão.
Algumas tartarugas que viram que viram sua vizinha cair, exclamaram cheias de pena:
- Pobrezinha! Estava tão segura aqui em baixo, na terra, e teve que procurar as alturas para perder-se.

Dura lição para quem se empenha em ir contra sua própria natureza.





LENDA DA SERPENTE E O VAGALUME


Conta a lenda que uma vez uma serpente começou a perseguir um vagalume.
Este fugia e com medo da predadora, nem pensava em parar por que senão seria o seu fim...
Um dia ... dois dias... três dias...
O vagalume nao aguentando mais, pará e pergunta para a serpente:
- Posso lkhe fazer 3 perguntas?
A cobra respondeu:
- Você vai morrer mesmo, vou abrir um precendente, pergunta:
- Pertenço a sua cadeia alimentar?
- Não!
- E já te fiz algum mal?
- Não.
- Por que você quer me comer?
- Porque não suporto vê você brilhar!...

"Pense nisto: selecione as pessoas em quem confiar"

terça-feira, 23 de março de 2010

SUA CASA É VIVA OU MORTA?



Casa que morei de 1992 a 2007 em Brumado, Bahia.


CASAS MORTAS, CASAS VIVAS


Sua casa é viva ou morta? A pergunta soa estranha, com certeza. E você logo responderá que casa é algo inanimado.

A casa é feita de pedras, tijolos, madeira, portanto, não tem vida.

Entretanto, casas existem que são mortas. Você as adentra e sente em todos os cômodos a inexistência de vida. Sim, dentro delas habitam pessoas, famílias inteiras.

Mas são aquelas casas em que quase tudo é proibido. Tudo tem que estar tão arrumado, ajeitado, sempre, que não se pode sentar no sofá porque se está arriscando sujar o revestimento novo e caro.

Casas em que o quarto das crianças é impecável. Todos os bichinhos de pelúcia, por ordem de cor e tamanho, repousam nas prateleiras.

Essas casas são frias. Pequenas ou imensas, carecem do calor da descontração, da luz da liberdade e da iluminada possibilidade de dentro delas se respirar, cantar, viver.

Por isso mesmo parecem mortas.

As casas vivas já demonstram, desde o jardim, que nelas existe vibração e alegria.

No gramado, a bola quieta fala da existência de muitos folguedos. A bicicleta, meio deitada, perto da garagem, diz que pernas infantis até há pouco a movimentaram com vigor.

Em todos os cômodos se reflete a vida. No sofá, um ursinho de pelúcia denuncia a presença de um pequenino irrequieto que carrega a sua preciosidade por todos os cantos.

Na saleta, livros, cadernos e lápis dizem dos estudos que se repetem durante horas. O dicionário aberto, um marcador de páginas assinalando uma mensagem preciosa falam de pesquisa e leitura atenciosa.

A cozinha exala a mensagem de que ali, a qualquer momento, pode chegar alguém e se servir de um copo d?água, um café, um pedaço de pão.

Os quartos traduzem a presença dos moradores. Cores alegres nas cortinas, janelas abertas para que o sol entre em abundância.

Os travesseiros um pouco desajeitados deixam notar que as crianças os jogam, vez ou outra, umas contra as outras, em alegres brincadeiras.

Enfim, as casas vivas são aquelas em que as pessoas podem viver com liberdade. O que não quer dizer com desordem.

As casas vivas são aquelas nas quais os seus moradores já descobriram que elas foram feitas para morar, mas sobretudo para se viver.

O desapego às coisas terrenas inicia nas pequeninas coisas. Se estabelecermos, em nosso lar, rígidas regras de comportamento para que tudo esteja sempre impecável, como se pessoas ali não vivessem, estamos demonstrando que o mais importante são as coisas, não as pessoas.

Manter o asseio, a ordem é correto. Escravizar-se a detalhes, temer por estragos significa exagerado apego a coisas que, em última análise, somente existem em função das pessoas.

Transforme sua casa, pequena, de madeira, uma mansão, num lugar agradável de retornar, de se viver, de se conviver com a família, os amigos, os amores.

Coloque sinais de vida em todos os aposentos. Disponha flores nas janelas para que quem passe, possa dizer: Esta é uma casa viva. É um lar.

VERA DA MATA
JANEIRO/2008
Texto escrito em 2010 por Vera da Mata



FOTO DO DIA DA FORMATURA DE FISIOTERAPÍA DE MINHA FILHA - AGOSTO/2009


MEU DIA É LOUCURA OU SANIDADE?

Queria, realmente, ter um dia para pegar um ônibus sem destino certo, sem relógio, "sem lenço e sem documento".
Neste dia eu faria de conta que, a tristeza,a dor, o ódio, a culpa ou o medo não existiriam em nenhuma forma de manifestação humana.
Neste dia queria somente ouvir a voz de DEUS e questionar as leis dos homens, para reconhecer as pessoas politicamente corretas, enxergar os trabalhadores, pai ou mãe exemplares, cidadão ou cidadã de ficha limpa, para dizer um basta, em alto e bom som às pessoas e situações que, por anos a fio, estão me cerceando neste país.
Queria não pensar nas contas no fim do mês e nem nos malabarismos que a gente faz para prover e pagar.



Queria há muito ter disposição para fazer algo só para mim, não faço nada que só para mim há muito tempo, não porque não queira, mas porque estou sempre muito preocupada com a familia e bem-estar deles.
Mas se eu fizer tudo isto, por certo vão me taxar de louca, mas antes que eu enlouqueça de vez, permita-me um dia de trégua.
Estou fechada para balanço, estou passando a minha vida à limpo. Quero jogar fora dos meus arquivos antigos e abrir os meus "armários internos", me esvazinado e querendo mudar de novo.

Afinal, estou louca ou nunca estive tão certa da minha sanidade?

PENSAMENTO DE UM SÁBIO:





MENSAGEM PARA VOCES...

COLOQUEM COMENTÁRIOS:


Certo homem procurou um sábio que vivia numa choupana à beira de um rio
e lhe disse:
"Mestre, tenho lido tantos textos sagrados e ouvido tantas palavras boas dos sábios, entretanto, depois de algum tempo os esqueço,
não me lembro mais deles.
De que adianta então ?
Como pode isso me ajudar a melhorar a minha vida?"

O sábio olhou para o homem e falou:
"Vê estes cestos sujos que estão ao lado da cabana?
Pega um deles e vai até o rio buscar água com ele."

O homem foi, encheu o cesto com água e voltou depressa à choupana.
Lá chegando, não havia mais água no cesto. Fazendo isto por três vezes, então o sábio disse ao homem:
"Está bem, não conseguiste trazer água, porque ela escorreu.
Mas olha para o cesto. Ele estava sujo e agora está limpo.
Assim são as boas palavras que lês e ouves.
Embora as esqueças, elas passaram pela tua mente,
limparam seu interior,transformando-te.

A MEDIDA QUE ENVELHEÇO MULHER





ENVELHECER MULHER não é fácil! Tenho minha mãe, quatro irmãs, quatro filhas, três netas, sete sobrinhas, uma nora... valorizo as mulheres que elas são, numa época em que a sociedade está se conscientizando que sem elas a vida não tem sentido e acaba.
Á medida que envelheço e convivo com outras mulheres, valorizo ainda mais o que NÓS SOMOS.
Como mulheres, gostamos de nos inovar, conversar, falar, pesquisar, observar, olhar sem dizer uma palavra, fazer, sentir, ser, sempre encontramos algo interessante para fazer.
Mas à medida que envelheço percebo que não me conheço o suficiente para saber quem sou de verdade. Às vezes me surpreendo e me assusto com o que sou.
Somos honradas. Somos sentimentais. Queremos amor e carinho. Queremos que olhem para nós.
Mas à medida que ganho experiência da vida percebo que os homens não se importam em nos sentir e nos ter de verdade ao seu lado.
Mas sou um pouco de tudo: mulher, enfermeira, professora, psicanalistas da familia, cozinheira...
Hoje, mais velha, sou direta, corajosa e honesta. Perdi o medo das consequências, porque sei que elas vêm e vão.
Mas...

Era noite na criação do universo.
Da treva surgiu a Lua
Da lua surgiu as sombras.
Da claridade surgiu o sol.
Do sol surgiu a cegueira.
Feminina é a lua!
Masculino é o sol!
Os dois podem se completar
Se um dia se encontrarem
Nem que seja eclipse da vida!.

A lua produz uma luz linda!
O sol produz luz extremamente necessária.
Precisamos da luz na escuridão da noite!
Mas durante o dia nos esquecemos da luz da lua.
Mas a mulher quando dá luz
Ela é portadora de Luz,
Carrega com firmeza,
o ser que vai embalar
os passos da vida!
Sua tocha da Luz.

Vera da Mata
VC, 26/09/2010

Uma viagem insquecível de fusca...

Texto escrito em 2004 por Vera da Mata





Vitória da Conquista, 22 de março de 2010.

Vou relatar-lhes uma história familiar divertida e engraçada, acontecida em dezembro de 1996.

A crise financeira do país ataca a todos sem distinção de classe, principalmente, nós que havíamos acabado de casar uma filha e gastado muito. A crise entrou em nossa casa sem pedir licença.
Eu e meu marido, na época, tínhamos uma Parati 1.8, o km, que nos dava um certo conforto como classe média, mas tivemos que vendê-la para improvisar a nossa vida num FUSCA 67. Imaginem??? Pai, mãe, 4 filhos ...
A diferença era grande, para não dizer enorme. Morávamos em Brumado, Bahia, numa Vila da empresa Magnesita com todo o conforto possível e um dia resolvemos visitar a minha filha mais velha, que acabara de casar e morava em Vitória da Conquista, a 130 km de distância. Corajosamente fomos visitá-la de FUSCA AZUL.
SAIMOS NA SEXTA-FEIRA PARA PASSARMOS O FIM DE SEMANA EM FAMÍLIA.
Éramos 5 pessoas e bagagem básica, eu, meu marido, Denise, Vilma e Marcelo, meu filho caçula.
Parecíamos a "família Pinto" de um seriado antigo da Rede Globo, lembram-se? Tivemos uma final de semana ótimo, muito agradável! "Entre amor, tapas e beijos... todos se salvaram" ... kkkkk
Chegou o momento fatídico, voltar para casa.
Entramos novamente no fusca na esperança de, pelo menos, chegarmos inteiros. Eram 17 horas e verão. A viagem transcorria normalmente, estávamos no km 45, mais ou menos, quando o fusca deu um profundo suspiro, ratiou, gemeu e parou... parecia morto, nenhum sinal de vida. De repente... fumaça... minha filha gritou: "esta pegando fogo". Olhamos e começava a sair fumaça debaixo do banco traseiro.
Meu marido, rapidamente, mandou que saíssemos do carro, porque não sabíamos o que poderia acontecer. Achávamos que o fusca ia explodir de vez. Agora tudo estava perfeito, todo o dinheiro que tínhamos havia gastado no final de semana e colocado gasolina naquele "carrão" kkkkkk> Tínhamos 10,00 e um carro abarrotado de bagagem ... e para piorar, meu filho caçula, então com 12 anos, dizia que estava morrendo de fome.
Meu marido ficou nervoso ao extremo. Para amenizar a situação comecei a levar tudo na brincadeira. A única solução seria irmos embora de carona, pois éramaos 5 e o dinheiro não dava para pagar o ônibus. Mas meu marido queria que pegássemos um taxi para pagar na cidade, mas nós insistimos que íriamos de carona.
Enquanto estávamos na beira do asfalto para decidirmos o que fazer, passou uma "belina" com dois senhores e parou perguntando se precísavamos de alguma coisa. Meu marido pediu para nos levar até um posto de gasolina mais próximo, pois ali estava perigoso. Mas o carro estava super cheio de "coisas", o motorista, muito gentil e prestativo, foi até o posto, deixou a bagagem dele e voltou para nos buscar.
Chegando no tal posto de gasolina, cheio de homem, pois estava passando futebol na TV, meu marido ficou mais nervoso ainda. Para acalmá-lo fomos para a beira do asfalto tentar algum carro para Brumado. Eu e minhas filhas brincávamos com a situação que estava muito divertida. Ríamos e fazíamos piadas o tempo todo, o que o irritava ainda mais. Combinamos um plano: uma batia a mão, a outra mostrava o rosto e a outra botava a perna na frente...brincadeira... kkkkkkkkk
Meu marido irritado dizia: deste jeito voces estão parecendo "mulheres de rua".
Que nada, respondia eu. E para provocá-lo, eu rodava a bolsa e batia a mão. Não é que parou um caminhão!
O motorista achava que era só eu e elas, mas eu chamei meu marido e meu filho, quando ele disse que na cabine só dava para três pessoas. Então, minhas filhas e meu filho subiram para a carroceria. Quando contamos o que havia acontecido ele disse que nos levaria somente a Anagé... que ficavba a 30 km dali, porque ele iria para a fazenda onde trabalhava.
A carroceria do caminhão estava cheio de esterco de gado, quando o caminhão arrancou, elas cairam em cima e ficaram cheirando a "esterco". Elas foram cantando e se divertram muito com aquela viagem maluca.
Chegando na cidade, o motorista parou e nós descemos. Eu cochichei no ouvido do meu marido que perguntasse quanto era... só por obrigação. O motorista disse: " dá uma cervejinha aí, amigo!". Eu preocupada, porque só tínhamos 10,00, disse para o meu marido:"pedi ele 5,00 de troco, porque só temos este dinheiro..."
O motorista com dó da gente, olhou, olhou, pensou e disse: "deixa pra lá, companheiro"... agradecemos e ele seguiu a viagem.
Todos com fome e com as meninas sujas de esterco, fomos, novamente, pedir carona.
Só que desta vez demos sorte, pois encontramos no posto um amigo que nos levou para casa.
Meu marido vermelho de raiva e de vergonha e nós alegres com a aventura.
Fomos na cabine da camionete, enquanto eles foram de novo na carroceria, mas que desta vez olhando as estrelas e cantando.
Resultado: chegamos em casa às 23,30. Numa vigame que levaríamos 2 horas, levamos 6 horas e meia, é mole?
Meu marido foi motivo de piada pelo menos por um mês!

NESTA VIDA "É PRECISO SABER VIVER" E RIR DOS PRÓPRIOS MICOS.