domingo, 24 de outubro de 2010


O QUE O VENTO TOMA


Toma a nossa juventude,
a nossa saúde,
as nossos amores,
a nossa graça pela vida,
a dignidade de todos.

O que o vento nos traz?
Coisas que andam para frente,
que andam para trás,
Saudades e amores,
Flores e alegrias.

O que o vento deixa ficar?
O feio que consente o belo,
O pobre que aplaude o rico,
O rico que engole o pobre,
Ficando menor o pequeno
Que aplaude o grande.
Vitima que enaltece o prisioneiro,

O vento é um remédio!
Dos desenganados, dos supérfluos,
Dos gemidos, da ardência
Do tempo e da solidão!
Pois, o tempo e o vento
São águas inflamadas
Que não cansam de correr...


Vera da Mata
VC, 24/10/2010

AMOR E DESAMOR


Amar um filho é algo mais!...
Conforto e proteção precisam.
Também amor
e carinho.
Disciplina sim,
Desamor não.

Sentimentos de mágoa,
Ficam longe.
Gritos e ofensas,
Ficam longe.
Ressentimentos e revoltas,
Ficam longe.

Só se aprende amar,
Amando!
Não existe amor sem diálogo,
Sem saber ouvir,
Respeitar,
As individualidades.

É prova de amor...
não comparar,
É prova de amor...
Incentivar,
É prova de amor...
Deixá-los crescer
Felizes!

Com agressividade
Só aprendem violência.

Com amor
Se formarão,
Crescerão
Preparados para a vida.
Desajustes?
São normais.
Assustados?
Superarão...
Crescer dói... !

Crianças precisam
Crescer com amor,
E cuidados.
Senão crescem
Arredios,
Desconfiados,
Reservados,
Dependentes.


Vera da Mata
VC, 20/10/1989

sábado, 23 de outubro de 2010


UM ENCANTO EM CADA COISA...

O mundo é cheio de encantos
E, também, desencantos,
Cheio de coisas e sentimentos
Que nunca acabam.
Tem um pouco de tudo...
Tem gente boa e prestativa,
Tem gente má e egoísta.

Tem coisas que estão dentro de outras.
E outras que estão por fora de algo.
Tem gema dentro do ovo,
Tem caroço dentro do abacate.
Tem casca de banana amarela,
Tem peixe dentro da água.

Tem avião que voa no céu,
Tem trem que corre na terra,
Mas também tem desilusão,
E má vontade de todos.
Tem semente dentro das frutas,
Tem chuva que cai do céu,
Tem nuvem que dança no alto,
Tem relâmpago que parte ao léu.

Tem coisas que estão dentro:
Coelho dentro da toca,
Família dentro de casa,
Lembrança dentro do coração.
Saudade dentro do peito.

Tem coisas que estão fora:
Crianças que brincam no quintal,
A lua no céu estrelado,
Telhado em cima da casa,
Tristezas e mágoas da vida!
Tem coisas que estão em cima:
Gato em cima do telhado,
Vaso em cima da mesa,
Menino em cima da cama.
Amor acima de tudo,
Carinho em cima da dor.

Tem coisas que estão embaixo:
Mineiros embaixo da terra,
Ouro embaixo do solo,
Tapete embaixo do sofá,
Tatú embaixo da terra...

Tem coisas que são grandes:
A inveja, a dor e a saudade.
A montanha, o hipopótamo e o elefante...
São Paulo, Nova Iorque e Tóquio.
Deus, amor e o infinito!
Tem coisas que são pequenas:
O botão e a flor das gramineas,
A formiga, o mosquito e a areia...

Existem coisas novas,
Velhas, secas e pretas,
Brancas, molhadas e curtas,
Longas, azuis e doces.
Molhadas, brilhantes e rosas.
O mundo é cheio de coisas,
Diferentes,
Cheias de mil encantos.

Vera da Mata
VC, 23/10/2010

O OLHAR DE ARIEL

Com seu olhar bonito
Ariel!
Forma um coral
com reflexos de luz
Que corre por entre as montanhas
De amor e sonhos.

Ariel.
Ana que é uma colina,
De amor, carinho e flores.
O Olhar de Ariel,
Parece correntes de mel,
brilha nos olhos da gente,
brilha nos olhos de todos,
Colore a vida de amor.


E o sol, vendo Ariel
torna corada a menina,
cor de canela, cor linda!
Tem o olhar de uma pomba,
Põe sonhos e amores,
Nas colinas de Ana.

Vera da Mata 20/10/2010


BEATRIZ!

Tu és meiga e linda!
Flor que do céu caiu...
És inocente e sincera,
Coração puro e meigo...

Menina, você é forte!
És puro amor ...
És quieta, inteligente,
Gentil, educada.

Gostas de PC, DVD, TV,
Gostas de brincar também.
Brincar de corda, de casinha,
De pirueta, sem se preocupar.

Menina! Que ainda não conheces o mundo,
Não deixe ninguém te maltratar,
Porque os teus encantos
Deus vai abençoar!

Vera da Mata
21/09/2010


NO SILÊNCIO DO LUAR


Misteriosa lua!
As estrelas estão acessas
Parecem uma fotografia
De um tufão de luz !
Na lua, há serenidade do azul...
Na lua, há infinita serenidade
No céu, no telhado e nas ruas,
Há infinita saudade!
Do silêncio! Do sol! Das flores!
Tão claro e lindo como luar,
Sei que há alguém, não sei onde, que chora...
Na angústia invencível que me mostra
Que invade o meu ser e meu coração
e devora a minha alma ...

Vera da Mata
15/11/2008

VERSOS SEUS...

Há uma estranha luz nesta noite!
Que transcende a dor e a poesia,
Finjo que tenho o coração contente
Neste amor frio e meu somente.
Estes versos eu lhe dou.
Pela vida a fora, versos hei de fazer,
Cheios de sonhos, de dores e lembranças,
Do amor que tive,
Do amor que se foi...

Relembrar o passado de nós dois...
Esse passado que começou ontem...
Repletos de ternura e desencontros.
São versos meus, mas que são seus, também...
Sozinho, hás de escutá-los sem ninguém
Que possa perturbar nossa ventura...
O tempo branqueou nossos cabelos,
Tirou as nossas forças
Mas deixou as nossas lembranças,
Doces ou amargas
De saudade do nosso amor.

Ao lê-los, saudade e dor teremos...
Chorando o nosso amor,
hás de rever nossa vida,
hás de lembrar do que fez...
E se nesse tempo eu já tiver partido
Deixa ao lado da cova,
Um bilhete em branco
E um molhe de flores mortas!

Vera da Mata
13/10/2010
Nós não passamos duas vezes no mesmo caminho, portanto quando tiver oportunidade de fazer um bem a alguém, faça-o, pois não voltará àquele lugar novamente.
Vera da Mata


O CÉU E OPACAS SOMBRAS

Sombras opacas no céu,
Dia abafado e sem luz,
Transformando a noite medonha,
Feia, triste, desolada.

Nela há o mugido sobre as rochas,
Do mar que salta e espuma.
Dos furacões e ventos irados;
Com sons zunindo no ar.

Há grunhidos do pássaro noturno,
Que assusta pousado no cipreste.
Formando temíveis sombras
Formando quadro terrível.

Há ciúme e saudade no ar.
Grato sou, olhos meus
Pelas nuvens opacas
Que fazem desenhos de sonhos.

Nas sombras deleitosas,
Que assustam as almas.
Nos raios de sombras opacas,
Nas eternas sombras de dor...

Vera da Mata
VC, 12/10/2010


O QUE SÃO PALAVRAS?

É acesso verbal,
são sermões de revertério,
no reservatório,
no depositário,
São sementes da mente,
São correntes da vida.
Palavras tomam rumo
do caminho do vento.



No campo, as palavras
Dão alento ao farelo de trigo,
Ao pão de cada dia.
Ninguém há de falar
Mudando o lugar das palavras,
Senão embaralham as ideias,
Desintegram o som da poesia.

Ando no perfume dos sons,
Só para me vestir de palavras.
Palavras de amor,
Palavras bonitas,
Palavras de esperança,
Palavras de sonhos.

No dicionário...
Palavras adjetivas,
Substantivas,
Verbos de amor
De palavras doces
E meigas,
Palavras ao léu.

Não desperdice as palavras
Elas sempre trazem alento,
No caminho ao vento,
Nas brisas da manhã,
Nos contornos das tardes,
Nas ondas douradas do tempo!

Vista-se de palavras!

Vera da Mata
Br. 24/11/2007

TAÇA DE VENENO

Olhos fechados,
Pensamentos longe,
Tarde sem fim.
Fome dos miseráveis,
Olhos famigerados,
virando mesa
De sermões vazios,
Amarrando travas e amarras.



Pelos que praticam
requintes de crueldade,
estão saciados...
da fome, do dinheiro,
da dignidade, da dor
de outros que nada têm.

Escreveram nas páginas
nobres de nossos ancestrais,
a desonra, a vergonha,
a falta de caráter.

Vera da Mata

Br. 23/11/2006




SUBTERRÂNEO DA MEMÓRIA


O que é o tempo?
É corrente que confere qualidade
de todas as coisas reais e irreais.
É vibração das ondas,
das falas e das vidas
Das emoções e dos medos,
De instantes terriveis!

Instantes...
Que ficam guardados
na consciência, no limite,
no subterrâneo da memória.
É corpo ágil e leve
que busca consolo
na terra sólida e dura.

O tempo exige...
Virtude de paciência,
Ordem que trás semente
Desordem que trás lembranças.
Tempo é amigo do vento
que levam nossas vidas embora.

Vera da Mata

VC, 22/10/2010

quinta-feira, 21 de outubro de 2010


VIAGEM...


Não quero mais ter medo!
Não quero mais adiar as decisões.
Adiar as descobertas,
Adiar o recomeço.

Quero ter coragem!
De mergulhar na vida!
De mergulhar nas sombras!
De mergulhar no sol.

Não quero maquear meus sentimentos.
Não quero mais esquecer os sonhos.
Não quero mais esperar pelo improvável.
Quero a estabilidade da vida!

Vera da Mata
VC, 22/10/2020

SILÊNCIO!!!


No silêncio da alma
o universo canta
a cantiga das estrelas
a cantiga dos anjos.
Cantigas que embalam os seres,
com sábios conselhos
de amor.

O silêncio da alma,
No silêncio da vida!
No silêncio da morte!
murmura a luz divina,
mundo pulsante
de nossos corações.

Vera da Mata
VC, 23/10/2010

ALIVIO


Noite cruel,
Vento e frio,
Ausência de lua,
Ondas sem mar,
Infinito sem estrelas,
No planeta azul!

Mágica!
Poesia e versos...
Palavras de sentimentos
Escondidos na alma do poeta.
Lembranças, paixões,
Passado, frustrações,
Ânsia do triste,
Sede de lágrimas.

Olhos mergulhados no céu,
Estrelas e lua a navegar
No infinito, ao léu
Alivio que se encontra
No tempo!


Vera da mata
Br, 12/10/2006

HUMILDADE


É simplicidade!
Degrau último
da sabedoria!
Que agiganta a alma,
Transforma dor em amor.
Tira o fracasso.
Trás sadia obsessão!
Bela convivência.

Mel do nosso interior,
Molde de nosso ser.

É inimiga...
Da mentira, das tapeações,
Das humilhações, da amargura,
Da dor fingida,
Na madrugada azulada
nas escarpas com pés descalços.

Com humildade,
Levante a cabeça,
Feche os olhos,
contemple o futuro,
Como as pombas que são livres
Que voam soltas
E voltam sempre para o mesmo lugar.
Na ruína de nossos corações
Edifícios maravilhosos
Surgirão...
Alma extraordinária nascerá!


Vera da Mata
VC, 23/11/2009

VERGONHA...

Era setembro
Penso nas decisões
que se modificaram com o tempo.
Acalmo meu pensamento
deixo-o voar lento
no meu eterno lamento!

Chorei com'alma,
Chorei de vergonha,
Pelos pensamentos,
Pelo julgamento,
Pelo mal que causei,
Pelas injustiças,
Pela falta de amor humano.


Vergonha...
De não ter encontrado o coração,
A liberdade,
As circunstâncias,
As necessidades
De todos.
A incompreensão,
O medo,
Que transforma a chuva
Em tempestade neste momento.

Vera da Mata
Monlevade, 1976

AMAR UM FILHO


Amar um filho é algo mais que cercá-lo de conforto e proteção. Cada criança é um ser à parte, uma individualidade que precisa ser compreendida. Se um pai e uma mãe têm quatro filhos, não seria exagero dizer que os quatro filhos deveriam ter quatro pais. Pois cada um deles vê a vida de forma diferente, distinta, tem sua própria maneira de assimilar as coisas, de reagir diante delas.
O modo de tratar os filhos na infância, de resolver os conflitos, vai moldar o homem e a mulher do futuro e sua capacidade de relacionar-se com os outros seres humanos do planeta. Gritos, violência, ofensas não vão fazer nenhum bem a eles, muito pelo contrário, vão criar sentimentos de mágoa, ressentimentos e revoltas.
Cada filho vê o mundo sob um prisma. E sob esta visão terá um jeito de tratar as plantas, os animais e a “nossa casa”, determinará os benefícios e malefícios à sociedade. O filho precisa aprender a amar, só se aprende recebendo amor. Sabe-se que a forma de demonstrar amor está diretamente ligada com aquele que você recebeu na infância, da educação, do meio que viveu e do temperamento que conseguiu desenvolver.
Os filhos devem ter consciência que os pais, também, são limitados. Eles dão o que sabem e podem dar. Portanto, os erros que cometem, as injustiças que ora praticam, demonstram que não são infalíveis, mas é preciso que eles têm a noção de que somos eternos aprendizes da vida. Aprendemos todos os dias e das mais variadas formas.
Não existe amor sem diálogo. Saber ouvir é uma prova de amor. É prova de amor aceitar o filho como ele é. É prova de amor respeitar a opinião dele, sua individualidade. É prova de amor não fazer comparações com outras pessoas. É prova de amor incentivá-lo para que possam crescer e se formar.
Quando um filho é tratado com agressividade, freqüentemente, vai aprender a ser violento. Não se pode esquecer que ele é um ser em crescimento, em formação. Os desajustes dos jovens são normais, são prova de seu crescimento, o que não é normal é a violência. Os pais não podem ficar assustados vendo como perigoso e destrutivo, mas é “crescer”... E crescer dói... Não podem usar isso como negativismo. Pois à medida que crescem vão se ajustando, quando são criados com amor. Eles só precisam de apoio, de carinho e de cuidado.
Nessa fase, os jovens são arredios, reservados, pouco amável e críticos, querem distância! Mas precisam de reconhecimento e amor para transporem esta etapa. É comum verem os pais como atrasados, com indiferença, eles querem ser independentes, por isso seus desejos se chocam com o dos adultos.
Os jovens devem crescer psicologicamente normais, sem frustrações e seguir seus caminhos sozinhos. Devem saber tomar decisões, escolhas, correrem riscos. As experiências dos adultos podem e devem ser transmitidos, todavia não tirará deles a necessidade de terem as suas próprias experiências.
Pais! Não se preocupem! Um dia os filhos se tornam adultos começam a enxergarem os seus pais com admiração, porque sabem que daí para a frente terão as mesmas dificuldades que seus pais tiveram.

Vera da Mata

Monlevade, 1973

terça-feira, 19 de outubro de 2010

SOL E LUA




Era noite na criação do universo.
Da treva surgiu a Luz,
Da luz surgiu a lua,
Da lua surgiu as sombras.
Das sombras surgiu o sol.
Do sol surgiu a vida.

Feminina é a lua!
Masculino é o sol!
Os dois se completam
Se encontrarão
Nem que seja eclipse da vida!...

A lua produz luz fria!
O sol produz luz quente!
Lua feminina, mulher
Portadora de "Luzes do sol",
Carrega com firmeza,
o ser que vai embalar
os passos da vida!
Sua tocha da Luz.

Vera da Mata
VC, 26/09/2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010





MONLEVADE MINÉRIO

Em cima do ferro nasceste,
João Monlevade
Criou-te e expandiu-te.
Hoje tu és maravilha
Social e econômica.
Teus filhos são fortes,
Corajosos e valentes,
Todos com coração de aço,
Duro por fora
Moles de amor.

Monlevade, berço de minhas montanhas!
Quantas saudades...
Minas – ferrífera,
Na memória retratando
No Vale do aço – meu pranto.
Minhas lembranças estão voltando
Àquele monte em que sentada
Observava lá do alto minha terra
Linda, tortuosa... amorrada!

Na mente recordo
Do rio, dos troncos,das matas,
Cena alegre de brincadeiras
Enredo de amor saudoso.

Vera da Mata
Br, 02/12/1999



MIRAGEM

É ilusão ou alucinação?
São imagens refletidas ...
Com luz natural,
Ou com lamparina
Registradas pelos olhos.
Na estrada, dia quente
Ensolarado
Refletem no chão,
No asfalto, no deserto.

Miragem é espelhismo
Transparente,
Diferente,
Luz refratada.
Feixe de luz!
Engano dos sentidos,
Ilusão do olhar,
Luz invertida,
Fenômeno do engano,
Maior delas: arco-íris. .

Vera da Mata
VC, 17/10/2009

EXISTÊNCIA

Eu existo?
Nunca existi...
Fui miragem,
Fui oásis,
Fui água cristalina,
Fui espelho de tua alma.

E agora?
Existo....
No deserto de meu coração,
Nas agruras de nosso caminho,
Na sombra de nossos olhos,
Foram sonhos?

Foram brisa fresca,
De noite escura,
De frio e calor.
De sereno luar,
Delongas tempestades,
De dias quentes,
De dores da alma,
De dunas de areia movediça!

Fomos viagem sem volta,
Fomos miragem!


Vera da Mata,
VC, 18/10/2010

CILADA

Há várias formas de matar uma criança,
Não só com o tiro da fome,
Ou espada da palavra
Envenenada.
Mas com o olhar frio,
Com a indiferença,
Com a falta de saúde
E educação,
Com a falta de moradia
E pais amorosos.

Crianças!
Morrem na sintaxe
Da emboscada,
No desleixo do amor,
Com os presentes “drogados”.
Na solidão da morte,
No abandono de família,
No descuido da vida.


Brumado, 2006
Vera da Mata

PERDI A PACIÊNCIA

Em discutir a relação,
Com gente tola;
Com a falta de postura
Da sociedade
E da política.

Perdi a paciência:
Com a arrogância,
a ganância,
A distância humana
E a impaciência;
Com falta de amor
Dos outros, a dor;

Perdi a paciência:
Com a intolerância,
A insolência
E a indolência.

Perdi a paciência:
Com os tolos!

Vera da Mata
12/10/2005

FULANO SEM NOME


Brinca na rua,
Na calçada,
No abandono da vida.
Quer esquecer
A família,
A vida,
A saúde,
A escola
Que não tem.

Mundo injusto!
Poucos com tanto,
Muitos com pouco.


A boca de “Fulano Sem Nome”
A sociedade fecha,
Com tiro,
Com fome,
Com prisão,
Na violência
E na solidão.

“Fulano Sem Nome!
Brinca de bandido,
De correr na miséria,
Pés descalços,
Olhos famintos,
Coração vazio,
Esperança nenhuma.

Desespero,
Dor,
Grito,
Morte!

Vc, 16/10/2010

Vera da Mata


O QUE É TRISTEZA?


É dor
É nostalgia
É ardor
Da saudade?

É dia de solidão,
De lembranças,
Das pessoas,
E das “lambaças” da vida?

É saudade dos amores,
Das pessoas,
Dos lugares,
Das idades?

Ninguém sabe...
É vaidade das vaidades,
É falta de amor,
É ausência!

Vera da Mata
Brumado, 11/12/2006

sábado, 16 de outubro de 2010

PÁGINAS DE CHORO



QUADRO DE TARSILA DO AMARAL


Não choro por nada
Choro por tudo.
Choro pelo vento,
Pelas flores
pelo mar,
pelas criaturas,
pelos animais.
Pela noite escura
Que são páginas em prosa.
Dores...
Trêmulas e confusas
Correm ao infinito...
Mas logo retornam
entre risos e soluços.
Vida majestosa
Que exprimem sonhos e palavras,
Cores ideais,
Emoção de momento,
Mágoas de saudade!


Vera da Mata
VC, 15/10/2010





LÍNGUA PORTUGUESA


Lá no Lácio nasceu
Românica se tornou.
É bela e linda!
Que do latim surgiu.
Portugal é sua mãe,
Que pelo mundo se espalhou
Brasil, Goá, Macau,
Moçambique e Angola,
Timor-leste, Guiné
São Tomé também.
O português tem: Camões,
Carlos Drummond de Andrade,
Olavo Bilac , Vieira,
Castro Alves,Fernando Pessoa.

Gosto de suas palavras,
São sereias intocáveis
De corpos brilhantes.
Seu ritmo verbal
Fascinante é...
Seus sons,
Melodiosos são.
Suas sombras de letras
São fantásticas.
Sua sintática
É complicada.
Gosto da delícia desta língua
Da paixão e entrega,
No devaneio externo.

As palavras fazem a festa,
A dança numa fluidez
Fantástica.
Assim a nossa língua
São cortejos sonoros
De sedas ao vento!


Vera da Mata
VC, 15/10/2010

VERBOS E AÇÃO


Processo e estado,
Ação e sujeito.
Nascer,
Amar e crescer...
Falar e sentir.
Agir e fazer.
Argumentar
A ação verbal,
Todos os seus estados físicos,
E morais de tempo
e de espaço.
Fazedor da ação,
Preenchedor de sentidos.
Sua existência
Importante é...
Quando saímos,
Batemos, bebemos,
Gritamos, respondemos,
Raciocinamos,
Pensamos, repetimos,
Exploramos,
Ajuizamos,
Queremos
Viver,
Ser feliz
E amar.

Vera da Mata
VC, 15/10/2010

ESPERANDO!


Que o mundo seja melhor!
Que respeitemos o próximo!
A natureza e os animais.
Que possamos ajudá-los.
Que não sejam abandonados,
Nem desprezados.

Não tratemos o irmão com deboche
E nem critica depreciativa.
Que não olhemos o outro com olhar frio
Para a dor não aumentar.
Que possamos ser acessível,
E grandeza de espírito mostrar.

Problemas...
São muitos.
Calma e paciência são os remédios.
Eles vêm e vão por si.
Não ceda diante da vontade deles.
Ele é como um rio.
Nadando com determinação,
À margem chegaremos.
Se ele insistir
não se assuste.
Sua existência é coisa normal.


Vera da Mata
VC,15/10/2010

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DE COPIAPÓ PARA A LUZ

Falar de Copiapó
Ninguém nunca ouviu
Localizada perto do deserto
Na Atacama ela surgiu.

Grande riqueza mineral
na sua terra é constante,
Mas a tragédia
Em agosto apareceu.

Trinta e três homens
Presos no seio da terra,
Sem luz e sem esperança
Esperavam a salvação.

Setenta dias confinados
Num espaço pequeno,
Úmido e escuro
Quente a abafado também.

Mundo todo olhou
Para o acidente de lá,
Angústia, pesadelos
Temores e preocupações de cá.

Setecentos metros distantes
Do chão do deserto de Atacama,
Cá em cima calor e frio,
Lá embaixo, dúvidas e calor.

A data treze de outubro
Na mente do mundo ficará,
Dia de muita alegria
E solidariedade aqui e acolá.

Mineiros, o mundo lhe é solidário,
Na dor e nos sonhos,
Em todos os seus momentos solitários,
E na luta pela sobrevivência e desejos!

Festejos, encontrarão
Abraços, serão muitos,
Mas dias muito duros virão
Na montanha russa das emoções. .

Dentro de sua tragédia, mineiros,
Não adianta orgulho ou vaidade
Descobri o quão frágeis somos,
Acidentes podem vir de repente!

Estavam esperando a morte,
Num lugar de desilusão,
Com um pouco de atum e de leite
Souberam esperar pela luz!


VERA DA MATA
14/10/2010

TEXTO ESCRITO POR ÁLVARO FALCÃO DE ALMEIDA EM HOMENAGEM A MEU PAI...ARMINDO.

Professores "intolerantes"!
Que inspirou um tributo ao Professor Armindo


Um vídeo, que está sendo veiculado na internet, inspirou comentários sobre a falta de respeito aos professores que grassa "como nunca na história deste pais!".
Esta é a primeira parte.
Lembrança vai, lembrança vem, voltei ao velho Ginásio Monlevade, o de madeira, ao qual a figura do Prof. Armindo é indissociável. Este é o segundo segmento.
___________________________

Aqui no Brasil os alunos, principalmente da periferia, tomaram o controle das salas de aula a ponto de não poderem sequer serem chamados à atenção pelos professores.
Porque se os mestres o fazem, em represália, são desrespeitados e até agredidos; sofrem, inclusive, ameaças de morte.
Muitos professores, após sofrerem agressóes de pais e alunos, tem abandonado seus empregos na rede pública por não mais suportarem a ditadura dos alunos e dos seus pais. Porque, muitas vezes, quem "orienta" hoje os adolescentes suburbanos é o chefe do tráfico local .
O Estado finge não ver. E ainda vem o malfadado governante impingir a tal "Lei da Palmada" aos pais sérios e educadores em geral...

Quando não há controle, educação e orientação em casa, não há como haver respeito ao mestre, na escola. E para quem pensa que isto só ocorre nos segmentos do ensino fundamental e médio, engana-se: uma professora, coordenadora de ensino de uma faculdade federal foi ameaçada de morte pelo pai de uma aluna , apenas porque tinha sido negado à sua filhinha o atendimento à uma reinvindicação dela que feria as normas da instituição. A aluna era uma transgressora contumaz, diga-se de passagem.
Pasme, de forma truculenta, o papai empresário bem sucedido, foi exigir satisfações à Coordenadora em favor da pobre indefesa filhinha, de vinte e tantos anos.

Tenho uma amiga, também professora do 3º grau, aposentada , que se refere aos alunos de cursos superiores, principalmente das faculdades particulares, como "aluno cliente". Ela fala com conhecimento de causa, pois após se aposentar, dedicou-se ao ensino na rede particular. Infere-se que, como cliente, consumidor dessas instituições, o aluno é vaca sagrada, intocável.
É o centro das atenções, faz e acontece no recinto escolar, exige ser aprovado. E ai do professor que reprovar aluno... Se o professor é exigente, usa rigor e critério para avaliar os alunos, passa a ser considerado persona non grata, mau professor. E tome abaixo assinado para a Diretoria! É a filosofia do "eu pago o seu salário, por isso quero ser aprovado". É o comércio institucionalizado do diploma.

Outro colega, que ao se aposentar como professor de uma "federal", foi convidado para ser Diretor de uma "particular", não durou seis meses na gerência da faculdade: não suportou a ditadura e os desmandos dos alunos, que pagavam ( os papais, lógico!) , na época, mil e quinhentas patacas de mensalidade e que, por isso, se sentiam patrões do diretor. O empresário dono da faculdade aceitou de bom grado, logicamente, a demissão, pois tinha que preservar a sua galinha dos ovos de ouro, segurar a clientela.

Mais uma, em tópicos, para fechar: amiga pedagoga, professora do ensino fundamental em escola particular, repreendeu uma aluna que cometeu uma grosseria em sala de aula.
A aluninha desmanchou-se em prantos. Em casa queixou-se à mãe. A mammy dirigiu-se à diretora do estabelecimento e soltou o verbo. A ilustre diretora chamou a professora para uma conversa e a colocou na parede: proibiu-lhe advertir os alunos, porque qualquer aluno era importantíssimo para o "caixa" da Escola, "nós dependemos do dinheiro dos pais deles". A professora, em choque, pediu demissão. Relatou-me o episódio com indisfarçável desalento.
Muita 'Escola' já não forma mais Homens, forma Fortuna para os empresários do que antigamente se chamava Educação.
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Bem, nos meus tempos de grupo escolar e do antigo, "Ginásio Monlevade", de madeira, havia uma professora, chamada Dona Vera (ou "Verona", como era chamada à boca pequena), uma alemãozona braba prá caramba, o terror da meninada. Certa vez, ela arremessou um apagador de quadro na testa do Jaime, colega de admissão do Ginásio Monlevade, talqualmente neste filminho. Para acabar com a pintação, em sala de aula... Ela também esgrimia a régua com maestria.
No primário, tomar "reguada" na batata da pernas era mole pros alunos. desconfio que na antiga "Escola Normal", que formava professoras, devia ter uma matéria optativa de "Castigologia"; optativa porque nem todas as professorinhas eram adeptas das beliscadas e reguadas.
Já levei, de algumas mestras, reguada, beliscão, puxão de orelha e safanão, por justa causa, admito. Jamais relatei em casa os castigos sofridos na, senão a punição vinha em dobro. O bom cabrito não berra, não tinha essa de pais "tomarem satisfações" na escola por causa de punições sofridas pelos pimpolhos que, sabiam eles, terem sido justíssimas. Ademais, pé de galinha nunca matou pinto.

No Ginásio, já maiorzinhos, não havia castigo físico, os pintos haviam se tornado frangotes.
Fui agraciado, por mérito, com "notas vermelhas" de "Comportamento", nas cadernetas onde eram lançadas as notas. Lembra-se? de dez a oito, tinta azul, de sete prá baixo, vermelha vibrante. Está no meu currículo: não com certo orgulho, recebí alguns "setes" e também um glorioso e solitário "cinco", no decorrer do meu ciclo ginasiano. Só unzinho...
Já crescido, tentaram me defenestrar de sala de aula , e suspender, uma única vez. Estava no Científico e o autor da injustiça foi um professor de Português - este sim, intolerante - que não aceitou minhas ponderações contrárias às que ele discorria , sobre aspectos de literatura portuguesa . Eu já era um ledor dedicado, sabia que minha argumentação era calçada por sólidos fundamentos. Irritado com a minha "desfaçatez", proferiu o famigerado "prá fora!", ao qual não obedeci. Ele se retirou.
Fui suspenso, pelo Padrigino, por "desrespeito", episódio que muito contribuiu para a minha formação. Anos depois, sempre me lembrava do fato, quando em combate de idéias e palavras com meus alunos,no ambiente acadêmico. Mesmo tendo sido injusto, meu ex-professor de português me ensinou tolerância e respeito às idéias dos outros, sem nenhuma intenção. Pela sua 'formação' em Literatura Portuguesa, por certo desconhecia um cidadão que atendia pelo nome de Voltaire, ao qual sempre se atribuiu uma frase antológica, parecida com "Não concordo com uma só palavra do que dizes mas defenderei até a morte o teu direito de dizê-lo". Voltaire, como bem o sabeis, não era cidadão lusitano, daí os antolhos literários do mestre.
Voltando ao velho ginásio de madeira da Rua Carijós ( saudades da lojinha da D. Farid, mãe da Zanza, onde a gente comprava chiclete de bola 'Ping Pong"- com as figurinhas do Bolão) o severo professor Armindo era imbatível na espinafrada, quando a gente pisava na bola. E como a gente pisava! Soltar bombinha do recreio, queimar peido alemão, espalhar pó-demico no pátio, fazer graça na hora da fila - tinha que haver silêncio - e arremedar professores eram os pecaditos comuns. Nada que se compare à leveza das infrações de hoje...
Fessor Armindo era uma espécie de doublé: professor de matemática e professor disciplinário.
Creio até que o Padrigino jamais determinou que ele assumisse esta segunda função; deve ter partido dele, tal era o amor e a dedicação que nutria pelos seus alunos e pelo seu Ginásio. O Ginásio Monlevade era parte dele, sentíamos isso.
Era tão bom professor de Matemática quanto era bom disciplinador. Sem ser versado em psicologia ou endocrinologia, entendia muito bem dos efeitos devastadores dos hormônios no comportamento dos moleques de doze aos dezoito anos. Passava cada reprimenda que perdiamos até o rumo de casa! O discurso dele era uma autêntica metralhadora verbal, disparava mil e quinhentas palavras POR MINUTO, eficientíssima em anular a energia de qualquer garnizé bagunceiro.
E "botar prá fora da fila" era outra de suas punições habituais. Se, na fila para entrar nas salas bancávamos os engraçadinhos, era castigo certo: depois que todos subiam para as salas, o alijado da fila levava uma descompostura homérica. Às vezes, de lambuja, ficava de castigo uma meia hora retido no no ginásio, no final das aulas, para uma “reflexão”.
Outra especialidade do "fessor" Armindo era castigar o infrator com as famigeradas "cópias". O manjado refrão "Não devo fazer bagunça em sala de aula" era a mais comum das frases. Dependendo da gravidade do delito, tinhamos que copiar a frase cem, duzentas, quinhentas e até mil vezes. Reincidência fazia o número de cópias aumentar em progressão geométrica, acho que para fazer justiça à Matemática, da qual ele era o expoente máximo na comunidade.
Essa história das cópias tem facetas hilárias: a gente, quando não tinha nada prá fazer, fazia estoque das tais cópias, só prá tê-las prontas, quando fôssemos punidos. Às vezes, entre colegas, pedia-se "emprestado", para ficar livre mais rapidamente do castigo, sob promessa de pagamento posterior, com juros, do tipo "me empresta cem que depois eu te devolvo cento e cinquenta", uma espécie de comércio ou câmbio paralelo de cópias.
Mas "seu" Armindo era macaco velho, conhecedor das cumbucas éstudantís; de vez em quando, conferia a caligrafia do réu em todas as folhas preenchidas e as impugnava quando notava letra estranha. Outra das suas artimanhas, quando desconfiava de armação: ele mudava a frase e a gente se ferrava.
Com ou sem puxões de orelhas, safanões, cópias e descomposturas, todos sobrevivemos e, como diziam os antigos, "demos prá alguma coisa na vida", sem traumas ou rancores dos nossos professores. Que, se nos puniam com estes doces e brandos castigos, era com o intuito de complementar a formação que nos era dada em casa.
É, naquele tempo havia o que se chamava "educação doméstica".
Hoje, se nós reverenciamos e conservamos especiais carinho e respeito para com nossos velhos professores, Lucílio, Casimiro, Dimas, Armindo, Terezinha, Padrenriques, Padrigino, Tiaguinho, Dona Guilhermina tantos outros...é porque eles ajudaram nossos pais a nos forjar, impregnando-nos com o senso de disciplina, o respeito aos mais velhos, o respeito às instituições, o respeito às autoridades e o comprometimento com o aprendizado.
Tenho dito!

Álvaro,
com orgulho, um nota vermelha, fazedor de cópias, escutador de reprimendas... que, parece, deu prá alguma coisa na vida!

MULHERES..!.



Sou boa filha, boa mãe, amo a minha mãe desde o útero. Costumava achar que ela fosse invencível, uma super-mulher. Sempre tive instinto de defendê-la nas situações em que ela ficava vulnerável. Meu pai, quando viajava, nos deixava sozinhos e eu tentava cuidar de meus irmãos pequenos para ajudá-la.


Querendo ou não a mãe é o primeiro amor de nossa vida. E de todos os amores é o único que não muda ou acaba. Ainda acho-a linda nos seus 82 anos de idade, mas não a vejo mais como invencível.





Foi ela que me ensinou a amar o feminino, o meu corpo, a “respeitar o útero e os ovários”, me ensinou a cozinhar, a fazer todos os trabalhos domésticos, a ser solidária ao sofrimento alheio, caridosa, a ser econômica e reaproveitar os alimentos e desperdiçá-los, a brincar e a sorrir para a vida, a procurar uma realização fora do ambiente de casa. Ela foi muito moderna para a sua época, trabalhou numa Fábrica de Tecidos em Alvinópolis, isto em 1945 a 1949.
Mãe é a pessoa a quem todos nós devemos a nossa vida, devemos nossa personalidade e nossas lembranças. Devemos quem somos.
Minha mãe, por exemplo, tenho dela as melhores lembranças, como os melhores bolos, as melhores goiabadas, as melhores e mais saborosas refeições e os melhores mingaus de fubá do mundo.
Mas também sou boa irmã, ou fui, ajudei a cuidar de todos os irmãos e sei que eles têm de mim as melhores recordações.

Nós crianças, brincávamos muito, no quintal, dentro de casa, na rua...Quando era necessário que, por algum motivo minha mãe ficava ocupada, eu os levava ao médico, dava banho e ajudava a educá-los.
Tenho quatro irmãs: Sônia, Selma, Rosarinha e Renata.
Logo depois de mim é Sônia, forte, independente, caprichosa. Sempre mantive um laço de amizade com ela, apesar de não compreender e nem aceitar muito suas decisões. Ela sempre foi muito alegre, comunicativa, mas muito impulsiva, faz as coisas sem pensar, sem analisar as conseqüências. É temperamental, mas franca e leal. Crescemos juntas, brincamos juntas, estudamos juntas.
As outras duas, aconteceu algo interessante. Eu me lembro quando tinha 4 para 5 anos, um dia minha mãe e meu pai chegaram com um novo bebê em casa e disse que era a minha nova irmã, Zarinha, dois meses depois nasceu mais uma irmã, Selma. Eu não entendia direito o porquê, mas depois compreendi que uma havia nascida de minha mãe e a outra de seu coração.
Rosarinha, frágil e meiga, hoje é grande mãe, grande irmã e grande esposa. Ela tem sorriso em horas impróprias que faz o que é ruim não seja tão horrível. E tudo se torna muito claro atrás das lentes de seus olhos azuis, fracos e delicados.
E Selma, grande mulher, grande mãe e uma excelente irmã, ajuda a todos, a qualquer momento que se precise dela. É forte e destemida.
A irmã caçula, Renata, nasceu quando eu estava para me casar. É uma grande mulher. Mas apesar de termos nos separado muito cedo, sai de casa quando ela tinha 7 meses de idade, não deixei que ela se afastasse de mim. Ajudei a minha mãe nos cuidados dela, recém-nascida e o nosso amor é incondicional, eterno! Sempre foi como uma filha mais velha para mim.
Assim como mulher, sempre tive um instinto de sobrevivência e admiração pelas mulheres de minha família. São fortes, francas, amáveis, honestas, às vezes, precipitadas, mas grandes mulheres. Quando menina, percebi na minha mãe o que era ser mulher, por que sabemos que não é fácil, num mundo machistas em que vivemos.
E as outras mulheres de minha vida: minhas filhas. A mais velha é extremamente esforçada, alegre e comunicativa, mas ao mesmo tempo de sentimentos nobres e frágeis, às vezes, dificieis de entender. Ela se envolve em tudo que se propõe fazer.
A segunda é estudiosa, também frágil e meiga, sempre disposta a ajudar todo mundo.
A terceira, doce e sentimental. Estudiosa e aplicada, se condói com as dores do mundo.
Todas são grandes mulheres. E minhas netas? Tenho três, Ainda são crianças, lindas e meigas. Tenho certeza que serão também grandes mulheres.
Portanto, tudo o que eu faço no meu dia, o que mais vale a pena é ser mulher: mãe, filha, professora, irmã, tia, avó que sou e o exemplo que deixo para todas elas.

Vera da Mata
VC, outubro, 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

CRIANÇA

Ao amanhecer
Com os olhos semi-fechados
Olho com carinho
O lindo sorriso de minha neta.

Estou ensonada,
Quero dormir,
Mas seu olhar intenso
Me faz ficar acordada.

Crianças, netos!
Maravilha da vida.
Esperança do amor,
Valiosos presentes.

Seres do amor!
Vem de mansinho,
E singeleza ...
Carinho e pureza,
como amor de passarinho!...
Amor em sua essência.
limpo e transparente,
Amor de doação,
Amor de coração!

Crianças: momentos,
Sorrisos e conversas,
Quero leite, vovó!
Quentinho e gostosinho,
Também quero queijo e pão
E chocolate gostoso.

Quero brincar, ver TV,
Jogar suas almofadas, DVD,
Acertar por brincadeiras,
Sem preocupações.

Criança, alegria da vida!
Pura e sincera,
Sorriso franco e claro!
O sol brilhará com você!
Crescer com alegria deverá.
No mundo novo sem fim!

Vera da Mata
14/10/2010

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

LINDO PLANETA TERRA!


Questão ambiental, importante
Ao imediatismo transcende
Desenvolvimento sustentável
O homem fazer deveria.

Natureza, dela fazemos parte
Pressa, devemos ter
Problema, chamado de urgência
Descubra: não somos civilizados.

Homem, moderno e inovador
Bárbaros, nossos antepassados?
Não, as coisas estão fora de ordem...
Tempo demais já passou...

Distanciamos da vida nas cavernas,
Ocupamos planícies e planaltos,
Domesticando o fogo,
Mas não cuidamos das plantas...

E dos seres vivos deste planeta!
Subjugamos outros homens
Exploramos o seu trabalho
a morte o impomos,

Modernidade!?...
Humanidade disseminou riquezas
Alguns homens ficando ricos
Muitos cada vez mais pobres.

Ganância, injustiça
Egoísmo e guerras.
Abusou da natureza,
Preço alto hão de pagar!

Homens e mulheres!
Ouvi!
Equilíbrio é preciso,
Ação e atitudes também...

TERRA planeta único
Nossa única casa
Sólida por dentro,
Frágil por fora.

Vera da Mata
VC, 13/10/2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010


MEU EPITÁFIO...

Sonhei com meu epitáfio,
Como na música de Titãs.
Acordei e refleti
Descobri que na morte
Quero ser lembrada
Como “aquela que veio a passeio”.

Com todas as reticências da morte,
Em toda a minha história de vida,
Minha inscrição tumular ,
estará na minha última morada.
Pois...
Na descontinuidade dos olhos,
Na ausência do olhar,
Na falta da presença física,
Hão de lembrar da minha frase,
Das minhas fases nubladas,
Dos meus desconfortos
e desencontros,
De minhas imperfeições.
Expresso o que sinto:
Aqui jaz uma incompreendida,
Solitária e sonhadora!...

Vera da Mata
12/10/2010

SERIA...


SERIA...

Seria a lágrima fria porque rola no rosto?
Seria amarga
Ou doce?
Seria dor ou amor?
Ilusão em todas as formas.
Seria minúscula concha a espreitar a vida?
Seria a espera que cansa?
Que fere,
Que chama,
Inerte
No deserto?
Seria
Retrato de pensamento,
De documentos,
De discordâncias ínfimas?
Não, seria um vendaval
Que trás paz
Que refaz
A luz
E a esperança!


Vera da Mata
VC, 12/10/2010

QUEM INVENTOU A AUSÊNCIA?

QUADRO DE SALVADOR DALI.
Inventou também o silêncio
E a partida.
Da sua voz calada
tão triste e sofrida.
Partida da família,
Do irmão, do filho,
Do amor e da dor.
Saudade do afago,
Do abraço
E da lágrima
Sem começo e nem fim.
Da chuva na janela,
Os pássaros a cantar,
Das crianças a brincar,
Dos crepúsculos e dos madrigais.
Quem inventou a saudade,
Não amou,
Não pulsou de vida,
Viveu espreitando o silêncio!


Vera da Mata
VC, 12/10/2010.

ESPERANÇA


IMAGEM DE UM QUADRO DE SALVADOR DALI.


ESPERANÇA

Quando ficar complicado
Tenha crença,
perseverança,
confiança,
são sentimentos
que atenuam o sofrimento.
Resguarde-se...
Tente compreender
Sem desiquilibrio.
Da dor alheia, participe
É ato de seriedade,
É virtude,
É amor.
A má influência, resista,
Do desânimo, fuja,
Das adversidades, fique longe.
Equilibre-se.
Tenha energia,
Coragem,
E sabedoria,
Pois sendo forte
atrai tudo de bom para si.

Vera da Mata
VC, 13/10/2010

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

CHÃO DA MATA DA TABAJARAS

Meu olhar sem demora
procura os ramos, as flores,
Os troncos, as aves,
os bichos, os ventos,
os sóis e os lamentos
na ventura de meu quintal.
No chão folhas secas,
no vento, flores mil.
Azul do céu,
retalho inquieto
de nossa infância!
Recruzo o espaço
encontro árvores gigantescas,
que para abraçá-la
são braços de dez crianças.
Encontro a vida que por lá há...
Vidas aladas farfalhando, colorida...
pássaros, lindos!
Ramos a vergar,
Bigônias em flor
entrelaçados no cipó
como fios suspensos a bailar,
para gangorrar.
Enormes aranhas,
grilos, sapos luzidos,
cobras e serpentes,
vidas sem contar.
Na mata galhos tortos
e desempenados,
contorsões,
vultos condenados
no grito da daquela mata...
Gemidos!
São risadas longas dos seres de lá...
Assobios sem fim...
Soluços, silvos,
cochichos, estalidos,
Tico-tico, gaviões,
arapongas, tucanos
são guaches nas grutas a cantar
na sinfonia do nosso sonho de criança!

Vera da Mata
agosto/2001

FLORES

Tarde no azul do céu,
Gotas de orvalho
a cair destemida
beijam as flores
que unidas a olhar estão:
o sol e a vida!
Os passarinhos do céu,
com suas asas pequenas,
Nas profundezas do espaço
E ao léu...
buscam o encontro do amor.
Em parelhas descem todos
para encontrar as flores
suas amigas e conselheiras,
que estão unidas no mesmo arrebol,
No mesmo orvalho da noite.
Lá em cima as estrelas,
Cá embaixo as flores,
Numa eterna primavera,
São as rosas nascidas e floridas
Que amam os mesmos raios de sol
O mesmo raio de amor...

Vera da Mata
outubro/2006

HUMANIDADE INJUSTA!



Desfalecidos, errantes,
famintos, forasteiros,
É imagem de boa parte da humanidade.
Vidas carentes...!
Como fujir das sombras da morte?
Porque o povão para sempre
viveu nas amarras da falta...
Que num planeta tão farto...
Milhares no cativeiro viveu.
E no seu alento derradeiro
desta escravidão sem fim
a dor, a desilusão e a morte
foram suas companheiras.
Homens e mulheres sem esperança
com coração estraçalhado,
de falta de verdade e de amor
por todos tão desejado...

Cálice de amargura,
Dor infinita!
Sem saúde, sem educação,
A torturar seus corações
esperançosos!...

Grande povo de virtudes
Sê feliz! busque a paz!
Mas onde encontrá-los?
Suas venturas despertar deveriam
Acordar os ganaciosos
Que o planeta terra é de todos!...
E não é de ninguém...
Vera da Mata,
VC, julho/2009

TORRENTE


Serra azul!
Torrente de cachoeira!
Água que desce com força,
Junto com o vento
que balança as folhas,
Cria neblina na corredeira
que cai sem parar.
Produz fendas ocultas
E profundas
Nas entranhas das pedras.
São fios de água viva
pela escarpada a passar.
Água, pedras, folhas
Que de passagem
Caem, rolam e vão...
Levem a minha mágoa...
Lavem a minha dor!
Águas que rodeiam caminhos,
Que não descansam
na sua longa viagem
que terão até o mar.
Passam por líquens verdes,
por florestas,
por planicies e vales,
Batem nas rochas
Gemem sem parar.
E pelo caminho
aberto a chorar
caem no seu eterno rolar.
Levem a minha mágoa!...
Lavem a minha dor...

Vera da Mata
julho, 2009

ENTARDECER DO MEU CORAÇÃO...


Sol descamba no horizonte
como um cetim que cai no chão.
Deixa vermelhas as folhagens,
Deixa seco e magoado
meu coração.

As águas e os campos floridos,
vão dormir neste entardecer,
Que do céu implora olhares,
sentimentos...
Que transluz a luz deste momento.

É um facho de luz indeciso,
de cores semi-mortas,
que se perdem no azul noturno,
frio e adormecido,
Dos dias felizes ou tristes.

Meu amor guarnece os ventos
de sonhos e esperanças
como renda brilhante a farfalhar;
Que brinca com a palmeira
e as aves que passam na viração.

Mas há uma harmonia exalante
da natureza que se recolhe,
Do amor que eu sinto,
Dos juritis, dos sabiás,
Do esconder no matagal.

Entardecer de minha vida!
É como melancolia,
Oh meiga tarde!
Que na minha mágica vida caiu,
E as sombras da noite que chega
Trazem mistérios e encantos mil.

Vera da Mata
VC, 15/01/2010

AMIGOS!




Separarmos...
Vamos todos.
Saudades...
sentiremos.

Conversas jogadas fora,
Descobertas que fizemos,
Sonhos que tivemos,
Risos incontroláveis...
Momentos compartilhados.

Saudades...
Dos momentos de brincadeiras,
Das risadas por nada,
Dos finais de semana,
Companheirismo.
Das lágrimas de despedidas.

Na vida...
Cada amigo escolhe um caminho...
Um destino,
Um lugar.

Podemos nos encontrar?
Sim, até bobagens conversar...
Até os encontros raros ficarem.
Até restar só fotografias...
Lembranças e saudades...

Brumado, 2006
Vera da Mata

AVÓS E NETOS



Falam que os avós deseducam...
Verdade?
Mentira?
Difícil de saber.

Os avós não colocam de castigo,
dificilmente dão broncas
fazem todas as vontades.
Todos os mimos.
Deixam brincar com o que quiserem,

Comer os doces que desejarem...
Avós..
Sinônimos de alegrias...
Valores...
saudades...

Contato com os avós...
Melhora a relação de pais e filhos,
Além de criar relação de amor
E respéito com os idosos.

Avós...
utopia de viver,
Experiências
De modo lúdico
As histórias da vida!

Vera da Mata
26/10/2007

EMOÇÕES



Quadro ao lado de Salvador Dali.

Hoje acordei com um sentimento de “menos”,
menos problemas, menos enganos,
menos tristezas, menos saudades,
menos lembranças, menos solidão.

Mas como sou um turbilhão de emoções,
Viver sem elas não posso
quero “mais”,
mais alegrias, mais proximidades,
mais sonhos, mais realizações,
mais acalentos, mais amor.

Pois emoção é estado
Mental da alma,
dos pensamentos e comportamentos
Determinantes da vida.

Sentimentos...
Que afligem a alma e coração,
Consciente ou inconsciente,
É o sentido da vida.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

ENTRE PEDRAS E ESPINHOS





Será que sei viver?
Imaginei a vida só de ilusão,
Ilude-me até ficar maluca,
que acabou com meus sonhos
e minhas esperanças.

No caminho, encontrei pedras
Enormes
Não consegui retirá-las,
Eu me arranhei
Com o bem e o mal.

Escolhi
Viver sem você!
Eu deveria aprender a viver!
Saber viver!
Dos caminhos
deveria ter retirado as pedras
Os espinhos,
Mas ilusões enraizaram
Para sempre!



Vera da Mata
outubro/2010

DEIXE QUE A VIDA TE DESPENTEIE




Hoje aprendi ...
Para viver de verdade
È preciso se despentear.
Aproveite a vida
O mundo é louco,
definitivamente louco...
O que é gostoso, engorda.
O que é lindo, é caro.
O sol que te ilumina,
Te enruga o rosto.

Mas, se despentei...
Ria às gargalhadas.
Viajar e correr,
Despenteia.
Entrar no mar,
Ou na cachoeira
Despenteia.
Tirar a roupa,
Despenteia.
Brincar,
Despenteia.
Cantar até ficar sem ar,
Despenteia.
Dançar até cansar,
Despenteia ...
Viva despenteado!
Só assim será feliz!

Vera da Mata
outubro/2010

domingo, 3 de outubro de 2010

ODE À FAMILIA

União de pai e mãe,
Sinônimo de amor e calor,
É repleta e completa,
De tristezas e alegrias,
e de desarmonias.
Às vezes engraçada,
afinada nos sonhos,
engrenada nas lembranças,
Mas, por vezes, fica complicada,
desajustada e desacertada,
Mas a família é uma benção!
Lá dentro: nascemos
Lá Crescemos,
Lá nos formamos
E de lá ganhamos
o cruel mundo.
Na família ganhamos abraço,
Disciplina e afago,
No almoço em família,
No vento no rosto,
Na boa lembrança,
No mingau de fubá no inverno,
No jogo de futebol pelo rádio,
Nas comemorações de natal.
Ganhamos rotina...

Família: bem mais precioso!
Nossos pais merecem todo respeito
Do mundo, todo o carinho
No sol de toda manhã.


Vera da Mata
2 de outubro de 2010