Poesias de minha filha Andréia da Mata



EU

Preciso sentir
Vida nascente...
Sol poente!
Dor. Doente.
Frio. Quente.
Eu. Verdadeira
Inteira.
Preciso sentir.
Viver...
Amar. Chorar.
Sorrir.
Ficar. Partir.
Correr. Fugir.
Encontrar...
Entregar, fazer feliz.
Ser algo. Ser tudo.
Crescer ... prazer.
Buscar o amanhecer.
Ser mulher. Menina.
Ser gata... ferina!

Andréia da Mata
VC, 23/05/1994


 
DEZOITO ANOS

Acordar e ver
Dezoito primaveras
Ao amanhecer.
Dezoito amores
Nem meia dúzia de flores
Dezoito cores.
Dezoito dissabores
Sorrisos,
Entre perdas e ganhos
- estranhos.
Dezoito meses
Dezoito vezes
Dezoito anos
- pouco tempo
Tanto engano...
Pouca vida:
Tanto plano
Pé na estrada:
Vou lutando
Quilômetro dezoito
Vou chegando
A paisagem
Transformando
Enquanto isso
Cantalorar.
Pelo espelho
Recordar
Pela frente
O que rolar
Depois de dezoito:
Encarar! ...

Andréia da Mata
Brumado, 11/04/1994



SEM TÍTULO

Manhã de sol
Dia de chuva
Noite de angustia
Tudo em uma hora
Tudo agora
Quem sabe o vento
Me leva embora...
Quem sabe o tempo
melhora...
Talvez a chuva
Lave minhas lágrimas
Talvez a escuridão
Esconda meu rosto
Talvez eu encontre água
No fundo do poço!

Andréia da Mata
Brumado, 08/04/1994


AMOR EM PEDAÇOS

Eu poderia escrever agora,
Palavras de amor. Mas...
Para quê?
Escritas, estas palavras
Transmitem ardor.
Quando ditas,
Prometem a dor
Escrevê-las
Seria insensatez,
Pronunciá-las
Estupidez!

Andréia da Mata
Brumado, 13/03/1994



SOLITÁRIA CANÇÃO

Expressar sentimentos...
Palavras ao vento...
Possuir a razão:
- palavras em vão.

Lamentar o passado
É repisar o chão molhado.
Viver chorando?
Melhor morrer – cantando...

Aquela canção
Que lembra o vazio e a escuridão
                                                  De um coração
                                                                        Cansado
                                                                                      De solidão!

Andréia
Brumado, 13/03/1994



AMADURECER

Entender o amanhecer
Viver o anoitecer
Sonha...
Realizar...
Amar ...
Entender o enternecer
Viver o endurecer
Procurar...
Encontrar...
Perder,,,
Amanhecer o entender
Anoitecer o viver
Amar... Endurecer ...
Amadurecer!...

Andréia da Mata
Brumado, 27/01/1994



AH! SEU EU FOSSE POETA...

Ah! Se eu fosse poeta...
Descarregaria agora minhas negras nuvens
Que me congestionam o peito.
Se eu fosse poeta...
Escreveria aqui todas as mágoas
E dores que me queimam a alma.
Extinguiria este ardor
Que me tortura a pele.
Apagaria esta vergonha
Que me esconde o rosto.

Ah! Se eu fosse poeta...
Escreveria o mal e o bem
Em verso e prosa.
Cantaria o amor
Em notas cor-de-rosa.
Dissiparia a dor...
Se eu fosse poeta.

Se eu fosse poeta...
Não deixaria as palavras duras,
Arrancassem de mim a doçura
Não permitiria que o meu doente
Fizesse-me prostar
Como uma louca.

Se eu fosse poeta...
Queimariam a minha língua,
As mais significantes palavras
Meus olhos transmitiriam tanta meiguice,
Que meu coração será capaz de enxergá-la.

Se eu fosse poeta não emendaria
Palavras tolas
E sem sentido
Não gastaria tanta tinta
Para tão pouco significado.

Se eu fosse poeta...
Sonharia com doçura
Todo o bem do universo
Se eu eu fosse poeta
Morreria de tanta paixão.
Viveria com esta ilusão!

Ah! Se eu fosse poeta...!

Andréia da Mata
Brumado, 01/12/1993


ABSINTO


No frio que agora sinto,
Lembro-me de você
Meu coração faminto
Precisa te esquecer.

No frio que agora sinto.
Eu só anseio um abraço
Para que todo este absinto
Não me devore em seu laço.

Eu só anseio um abraço
Quente, profundo e terno,
Que preserve meu espaço
E dê aconchego eterno.

Mas, agora estou só
Chorar é o que me resta
Tudo que eu guardo é este nó
Quando ao resto, nada presta.

Andréia da Mata
Brumado, 04/08/1993




COMO CHEGA O AMOR?


O amor é tão gostoso!
Mas, também é melindroso.
Nunca chega de repente,
O amor nasce na mente.

O amor não tem pressa.
Chega devagarzinho.
E aí o que nos resta,
É vivê-lo com carinho.

Se você ainda não o encontrou.
Não fique com aquela tristeza imensa.
Você já imaginou?
Ela pode estar mais perto do que você pensa.

Andréia da Mata
Brumado, 03/06/1993



GOSTO AMARGO


Quando as luzes se ascendem
Quando um sorriso se ilumina
E todas as portas se abrem
É assim que tudo termina.

Ele vem de mansinho
Alojando-se em meu coração
E me faz em pedacinhos
Quando penso que não.

Ele é este vazio
Horrível, consumidor e vago
E mesmo quando eu rio
Fica na boca o gosto amargo.

Andréia da Mata
Brumado, 28/05/1993




SINTO FALTA

(Quadro de ilustação Tarsila do Amaral)

Uma dor me tortura
Sinto falta do teu olhar
Que já me transmitiu tanta ternura
Ah!... se com você eu pudesse ficar!

Sinto falta...
Do teu carinho
Do tempo que não volta
De te sentir, assim, pertinho.

Você me fez feliz
Em teus braços encontrei segurança
Oh Deus! Como eu te quis!
Tanto, que não perdi a esperança.

E agora, o que me restou?
Não posso nem contigo falar
E por mim você chorou?
Não me culpe. Tinha que acabar.

Enfim, sinto a tua falta
Sinto tua ausência
E toda esta revolta
Não traz de volta a minha inocência....

Andréia da Mata
Brumado, 05/04/1993




THE END

O que aconteceu depois?
Depois do amor
Da raiva
Da solidão.
O que acontece, se você
Vê que tudo acabou?
O olhar perde a cor,
O Çanimo esvai-se
O coração vive em constante ansiedade
A alma arde...
E agora, o que acontece?

Você tem raiva
De uma ilusão que tirou
Sua inocência.
Você tem raiva.
Mas a raiva não chega onde você quer.
Nunca chega...
E aí, o que acontece?
Vem a solidão,
Que lhe mostra onde você errou.

E como você está sozinho,
Tem mesmo muito tempo
Para ver, passo a passo, cada erro.
E, então você chora,
Amarga cada lágrima,
Sente centímetro por centímetro,
Cada rasgão que lhe cortas a alma...0

Amarga! Sim, a solidão é amarga...
Os erros pesam.
O tempo passa.
E depois?... o que acontece depois?
Você vai em frente,
Cresce amadurece,
Torna-se um pouco mais fria,
Um tanto mais calculista,
E daí vai levando...
Levante a cabeça
Sofrendo com o coração!
E "tudo acaba mal
Pois, do contrário, nunca acabaria”...

Andréia da Mata
VC, 05/05/1993



SONHOS

O que aconteceu quando você acorda
E vê que durante muito tempo,
Viveu em sonho? O que aconteceu?
Se você vê que não valeu a pena,
As brigas, as aventuras e os erros...
Tudo engano...
Tudo sonho...
Realidade maquiada.
Falso brilho!
Erros e mais erros...
Não valeu a pena.
Desilusão e derrocada
Lágrimas de alegria.
Falsas lágrimas!
Estupor...
Ardente vergonha.
Tudo engano, sonho
Sonhado só...
Só para mim!...

Andréia da Mata
Brumado, 29/02/1993





DESCONHECIDO UNIVERSO

Uma desconhecida
Em seu próprio universo,
Sou assim...
Desconhecida em um
Universo solitário.
Só desconhecida...
Sem conhecimentos...
Girando em torno
De minha tolice.

Pessoas minhas conhecidas
Sorriem para mim...
Eu, desconhecida de mim mesma
Choro um choro solitário
Lágrimas desconhecidas
Pingam no universo...
Só... no universo.

Andréia da Mata
Brumado, 11/01/1993


SÓ – MENTE

Solidão...
Abismo profundo
Ela ocupa o meu mundo.

Só. Só ser...
Mundo solitário!
Abismo hilário
Só viver...

Pessoas me rodeiam
Seres solitários
Sozinhos se juntam
Amigos... só.

Juntos pranteiam
Só eu sofro!
Todos choram. SÓ...

Hilária solidão!
Profunda visão
Do sofrimento em vão...
O que será de mim, então?

Andréia da Mata
Brumado, 11/11/1992




TRIBUTO À VIDA

O que esta louca vontade que me invade?
Invade colorindo, cores fortes
E alegres se espalhando.
Perfumando,
Inebriante perfume que arde.
Vontade... de alegremente sair gritando.

Esta vontade me faz agradecer a Deus,
Os pássaros que no céu azul voam.
Me faz agradecer o amor de todos os meus
E as maravilhas que a terra parecem.

O que é vontade?
Porquê ela me inebria o coração?
Por que fortemente arde,
Dizendo que os sofrimentos não são em vão?

É vontade de viver...
Viver, viver e crescer.
Vontade de ver as alegria florescer.
E quem sabe um dia
Ver a morte morrer.

Andréia da Mata
Brumado, 25/08/1992



QUE FAREI SEM VOCÊ?

Que vou fazer sem você?
Eu passo pela rua e quero te ver.
Ouço uma música e junto com ela,
Você me invade.
Tento escrever no papel só sai você.
O que vou fazer?
Fico parada, meus olhos perdidos no horizonte,
Em meu pensamento só tem você.
Vou dormir, o sono me traz você.
E se eu chorar minhas lágrimas
Desenham seu nome em meu travesseiro.
]que vou fazer sem você?
Onde guardarei todos os meus sonhos
Que sonhamos juntos?
Você jurou me fazer feliz.
]o que farei?
Estou perdida...
Preciso achar o caminho
Preciso encontrar uma estrada
Que não não passe por você.
Jogarei fora os velhos sonhos
E os farei novos.
Assim, juro, vou te esquecer.

Andréia da Mata
Belo Horizonte, 21/01/1992




A VOZ DO SILÊNCIO

Silêncio!...
Escuto o silêncio após a tempestade,
Este silêncio me invade
E me diz que todas as palavras
Que eu não queria ouvir
Me diz, que você já me esqueceu
E que “onde não há lenha,
Apaga-se o fogo”.
Este silêncio me diz
Que estamos nos esquecendo deste amor.
Não quero ouvir o que este silêncio
Está me dizendo!
Mas, se tapo os ouvidos
Ele aumenta...
E me diz mais forte,
Cada vez mais claro:
“Esqueça –o...
Ai que bom!
Voltou a chover!
Já não há silêncio
Agora só escuto as gotas d’água
Batendo em minha janela,
Dizendo:
“Volta prá mim”....

Andréia da Mata
Monlevade, 02/11/1991




LIBERDADE

Somente quando presos
É que sabemos o significado
Da L I BE R D A D E.

Por isso...

Somos livres
Quando presos
A verdadeira prisão
É a liberdade!


Andréia da Mata
Monlevade, 17/09/91




PORQUE CHORO!?

Choro...
Por que choro?
Choro por não ter ao meu lado,
Choro por ter que abafar em mim esta dor,
Esta dor que me sufoca,
me suga dia após dia.

Porque choro?
Não sei mais porque chora!
Nem sei se é por você ou por mim
Não sei...
Por que choro?

Choro porquê as pessoas choram.
Quem neste mundo nunca chorou?
Estas lágrimas que saem de meus olhos.
Caem pesados em meu peito
Estas lágrimas machucam, ferem...
E é assim, machucada
E ferida que te escrevo
Toda letra deste poema.
É uma lágrima,
Derramada por sua causa.
Só espero não ter sido
Em vão!

Vera da Mata
Monlevade,
30/08/1991




SÃO LEMBRANÇAS, IMAGENS E PALAVRAS

Não sei o que fazer
Prá tentar te esquecer
São lembranças, imagens e palavras
Que passam por minha mente,
Como um filme antigo
De cinema mudo
Não sei o que fazer
Prá tentar te esquecer
Se tudo me lembra você,
Se todos me perguntam por você.

São lembranças de nossos momentos
De nosso primeiro encontro.
O primeiro olhar...
São imagens...
Imagens que não saem de minha cabeça.
Imagens lindas, que me estremecem,
Que me perturbam
São palavras...

São palavras sussuradas no ouvido
São palavras não ditas,
Transmitidas olhos nos olhos.

Enfim...
São lembranças, imagens e palavras
Que te eternizam dentro de mim
Que me impedem de te esquecer
E me torturam:
Por não ter você.

Andréia da Mata
Monlevade, 08/08/1991




VISÃO

E gira minha mente...
O que sinto quando olho tudo daqui
Não sei explicar...

Eu me vejo só, muda,
Gritando por socorro
Em meio a uma multidão
De rostos familiarmente desconhecidos.

Eu me vejo em agonia
Abafando uma dor
Que vem torturando,
Consolando, aí, doce dor!

Eu me vejo sorrir,
Um sorriso que eu não conheço
Escuto o riso cínico e estúpido
Que vem ridicularizar.

Me vejo pensando em você,
Sem poder pensar
E percebo que te amo
Sem poder amar!

Andréia da Mata
VC, 04/04/1995




RECLAMAÇÕES

Não são meus olhos tristes que não
Disfarçam o que vai na alma.

Não são minhas estas mãos trêmulas
Que não mais escrevem poesias.

Não é minha esta mente doída
Que não consegue te esquecer.

Não é meu este coração desesperado
Que não Pará de me bater...

Andréia da Mata
Brumado, 15/03/1995




ACORDE AMOR!

Durma meu amor.
Que aqui ficou eu e minha dor.
Feche os olhos, adormeça
E quando abri-los, por favor, me esqueça.

Pois esta dor que me dói no peito
E me transforma a face, não é só minha,
Outros choraram a mesma lágrima,
Só que você me deixou chorar sozinha.

Acorde meu amor, já raiou o dia.
Eu sonhei enquanto você dormia
E acordei enquanto você sonhava
E você me disse amara, enquanto tudo acabava.

Andréia da Mata
Brumado, 24/02/1995





AMO ODIAR VOCÊ

Quero você como o fim de tarde
Quero a lua
E quero você como o malandro
Quer a rua...

Odeio você como a noite
Odeio o dia
Odeio você como a santa
Odeia a vadia...

Amo você como a estrela cadente
Ama o espaço
Amo você como criança
Ama o palhaço...

Andréia  da Mata
VC, 02/02/1995

 


AMOR OU LIBERDADE


Isso não é amor
Essa falsa poesia
Que se esconde,
Essas linhas vazias.

Não, não é amor
Esse medo da vida,
Essa loucura que cega
Essa ilusão de esquecimento.

Definitivamente amar não é...
Viver só o momento,
Mexer e remexer o ferimento,
Fingir não se importar...

O que nos une, então?
Senão esta vontade de
Tocar teus dedos,
Olhar teus olhos
E beijar tua boca?

Se além de tudo o que
O vento pode levar,
Não houver nada a nos unir
Prefiro que fugir, te escondas
Deixa-me livre!

Andréia da Mata
01/02/1995




EM UMA NOITE QUENTE

Noite quente...
Aqui estou em chamas
Meus olhos ardem
Solidão?
Ninguém sabe que lágrimas
Escorrem em meu rosto.
Ai solidão!
Ninguém sabe que sofro...
Meus gritos? Quem os ouve?
Quem sabe decifrar?

Noite quente...
Aqui estou,  tremendo
Minha mente gira.
Medo!?
Ninguém vê em mim esta
Criança intimidada
Ai que medo!?
Ninguém sabe que me escondo...
Meu rastro? Quem o vê?
Quem virá me encontrar?

Noite quente...
Aqui estou, gelada
Meu corpo em arrepios
Nada!?
Todos olham para mim
E vêm o que sou..
Oh! Nada!
Todos tiram o que tenho...
Meu vazio? Quem o preencherá?
Alguém,  venha me ajudar?

Andréia da Mata
Brumado, 28/01/1995




MOMENTOS

De onde vem esta dor
Que dói quando respiro?...
Dói quando choro...
Dói... quando rio.

De onde vem este sentimento
Cruel, que me acusa?...
Onde foi que eu perdi
O brilho dos meus olhos?


Em que banco de praça
Ficou dormindo a velha graça?
Em que rio
Derramei minhas lágrimas?

Minhas lágrimas...
Nem elas me pertencem mais
Perdi o direito sobre elas
Em que palco?

Em que espelho
Perdi a minha imagem?
Onde achei tanta auto-piedade?

A única coisa que sei
É que estou aqui,
Mas ... onde?


Andréia da Mata
Vc, 01/12/1994



ENTRE AS ROSAS E AS PEDRAS

Forte? Dura?
Sou uma pedra em convulsão,
Condenada à solidão
Sentindo sobre si o próprio peso.

Sou a pedra que sente.
Que verte lágrimas,
Inventa dor, escreve sonhos,
Treme de medo.

Sou pedra queimada pelo fogo,
Atormentada pelas rosas
Sou pedra que causa queda
Que ri de si mesma
Que se contradiz.

Pedra por fora, vida por dentro
Pedra que fere...
Vida que chora.

Andréia da Mata
VC, 11/1994